[Artigo] Cristo Ressuscitado nos envia seu amor - Neuza Silveira 

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Jesus entra na história para pregar o Reino. É perseguido por causa do Reino, anunciado em primeiro lugar aos pobres e é morto por causa do Reino. Com a sua ressurreição, somos convocados a descobrir o amor misericordioso que Deus tem para conosco. Trata-se de um amor tamanho que não tem medidas e é vivendo esse amor que vamos ser capazes de clarear as várias imagens distorcidas de Deus que carregamos na nossa caminhada de fé.

Vamos jogar fora as imagens caricaturadas de um Deus que é vingativo, que está sempre a nos cobrar e que nos ama na medida do nosso mérito pessoal. Com a ressurreição do Senhor só nos resta uma possibilidade: enxergar o amor misericordioso de Deus e amarmos a todos com esse amor que Deus nos ama: Amor incondicional.

O anúncio do Reino deve se concretizar na realidade para que a vida seja resgatada e se torne o referencial fundamental para os seguidores de Jesus. Lendo os evangelhos, percebemos as grandes exigências para viver esse amor de Deus. Observando a prática de Jesus, percebe-se que o Reino vai acontecendo e as pessoas vão sendo libertas e salvas. As exigências a serem cumpridas, não são para merecer o amor de Deus; Ele já nos deu seu amor, mas para experimentar esse amor em nossa vida e ajudar também aos irmãos e irmãs viver esse amor.

A graça de Deus simbolizada numa nova vida, ressuscitada, torna-se motivação para enfrentarmos os sofrimentos nessa vida. Deus nos ajuda para que possamos ver nascer um novo dia e nele somos conduzidos para a realização de uma vida plena, mas os passos somos nós que temos de dar.

Na morte e ressurreição de Jesus Cristo, Deus torna evidente este seu amor que chega ao ponto de destruir o pecado dos homens. Jesus, o Cristo ressuscitado, nos leva à reconciliação com Deus através do mistério pascal e da mediação da Igreja. Assim, Deus está sempre disponível para o perdão e Jesus é o caminho que nos leva até ele.

Para percorrer esse caminho de salvação, estendemos nosso olhar para as bem-aventuranças (Mt, 5,3-12; Lc 6,20-23) e lá encontraremos a realização plena dos nossos anseios. Olhemos para a parábola dos talentos (cf. Mt 25,14-29, do mordono (cf. Mt 24,45-47; 25,31-46) e Lc 10,25-37) e lá está a salvação como recompensa pela prática da solidariedade e do amor. Também podemos encontrar na caminhada formas de superação das limitações do sofrimento olhando para as parábolas do perdão e da misericórdia (cf. Mt 1823-35; 20,1-15; 21,28-32; Lc 15,1-32).

Nesse período pascal, fomos convocados para um momento maior de meditação e reflexão sobre esse amor misericordioso de Deus. Fortalecidos, todos podem se colocar a caminho de um ‘Tempo Comum’ que sinaliza para a caminhada missionária e os ensinamentos de Jesus durante sua vida pública. Não é “comum” por ser simples, mas sim por representar a continuidade e o crescimento espiritual do cristão. Na liturgia, é um ‘tempo’ marcado pela cor verde, simbolizando a esperança.

Neuza Silveira de Souza. Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

 



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