Todos nós cristãos temos consciência da importância da Bíblia como Palavra de Deus em nossa vida e na vida da comunidade. A Bíblia é a primeira fonte no processo catequético de transmissão da fé. A Palavra de Deus, transmitida na catequese, oferece aos catequizandos uma compreensão melhor da presença constante de Deus em suas vidas, já que Ele se faz presente por meio de sua Palavra, nas sagradas escrituras, na Igreja, na liturgia, nas pessoas, nos acontecimentos e nos fatos da vida.
Esta Palavra é um dos instrumentos para nossa comunicação com Deus. A escuta da Palavra nos ajudam a construir o diálogo com Deus e com nossos irmãos. Faz parte da nossa essência de vida o desejo de comunicar. Pode ser uma comunicação superficial ou profunda. A comunicação é profunda entre as pessoas que se amam, se querem bem. Elas se abrem e se “revelam”, como também estimulam e incentivam a outra.
Nós nos comunicamos por palavras, gestos, olhares …
Reflitamos um pouco: Quais foram os momentos mais felizes em nossa vida? (Geralmente, foram os momentos de profunda comunicação, de amor e de amizade). Assim aconteceu também com Jesus e seus discípulos. Jesus, consciente de que estava chegando sua hora de partir, anunciou aos amigos que iria embora, mas não os deixariam sozinhos e sempre estaria presente no meio deles, pois os amavam muito.
Encontramos no Evangelho de João 14,15-21 esta conversa de Jesus com seus discípulos. Ele fala sobre amar. “Se me amas, guardareis meus mandamentos. Pedirei ao Pai, e ele vos dará outro defensor, a fim de que esteja convosco para sempre: o espírito da verdade, que o mundo não pode receber porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis porque permanece convosco e estará em vós. Não os deixarei órfãos, venho a vós”. E no cumprimento de suas Palavras, sabemos que Jesus, pela sua morte e ressurreição, passou-se da presença exterior à presença interior. Uma presença vivida, não mais pelos sentidos, mas vivida pelo cumprimento do mandamento do amor, como sinal da eucaristia celebrada na última ceia. Assim, experimentamos sua presença no meio de nós. Um Deus que se comunica conosco.
E Deus? Como Ele se comunica conosco?
Não podemos conhecer Deus diretamente, pelos sentidos. Ninguém nunca viu a Deus com os olhos ou ouviu a sua voz.
Deus não se comunica diretamente, mas por intermédio de algo, de alguém… Deus se comunica por sinais. Isto acontece, de certo modo, também em nossa vida. O mais profundo do meu ser pode se tornar conhecido do outro somente se eu quiser me revelar. Se eu amo profundamente uma pessoa, mas não demonstro, ela nunca saberá do meu amor. Mas, através de certos gestos ou sinais, ela pode percebê-lo: um sorriso, um abraço, um beijo, um presente, uma palavra, uma gentileza, um serviço prestado… Esses gestos exteriores revelam o que está dentro de mim.
Assim é Deus. Por meio de gestos ou sinais ele se revela, revela seu amor, sua amizade, sua grandeza, seu poder. Percebemos os sinais de Deus?
A natureza – Um sinal de que muito nos fala de Deus é a natureza, o universo que nos cerca e nos impressiona. Diz o livro da Sabedoria: “São insensatos os que desconhecem a Deus e não reconhecem o Artista através das suas obras” (Sb 13,1). As maravilhas escondidas nas mínimas coisas nos causam admiração: um átomo, um inseto, uma gota d’água.
Percebemos a organização do grande universo: milhares de leis que fazem com que tudo corra perfeitamente; sentimos a grandeza e o poder de Deus e balbuciamos: “O que é o homem diante de Deus? Menos que um grão de areia, menos que uma gota d’água no mar imenso”. Vamos observar a natureza e perceber as suas maravilhas: o céu estrelado, as montanhas, o mar, as florestas, os animais, uma flor. E deixemos-nos extasiar diante da beleza que a natureza nos mostra.
O homem – a mulher
Dentro da criação de Deus está o ser humano, a criatura mais perfeita. Diz a Bíblia: “Deus criou o homem à sua imagem; criou-os homem e mulher” (Gn 1,27).
O ser humano revela Deus de um modo especial. É pelo amor humano que vamos entender algo do amor de Deus. É por tudo que é bom no ser humano que entendemos a bondade de Deus. É pela capacidade que o homem tem de criar, de raciocinar, de intuir, que entendemos algo do mistério de Deus.
Homem e mulher são chamados a revelar Deus a seus semelhantes. Infelizmente, nem sempre correspondem à sua vocação. Em vez de ser sinal de Deus, são, muitas vezes, contra-sinal. Tornam escuro para o outro o caminho que leva a Deus e até afastam o outro de Deus.
O que diz a Bíblia? Vamos ler e comentar Gn 1 – 2,4.
Para entender os sinais de Deus, precisamos ter fé. Quem não tem fé, vê as mesmas coisas e participa dos mesmos acontecimentos, mas não lhes entende o sentido, não descobre neles a presença de Deus. É como a pessoa que não sabe ler. Vê as letras, os sinais, mas não sabe interpretá-los. Assim, a pessoa que não tem fé vê os sinais, mas nem sempre descobre Deus. Sentir a presença de Deus nos seus sinais, isto é “experiência de Deus”.
Há momentos fortes em nossa vida em que “experimentamos” Deus. Arranje um momento para você silenciar (fazer um momento de silencio) e, em seguida, rezar o Salmo 139,1-14: “Senhor, eu sei que tu me sondas…”.
Neuza Silveira de Souza, Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte.