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À luz do Mistério Pascal

A vida do cristão só poderá ser compreendida à luz do Mistério Pascal de Cristo. A secularização do mundo fez com que o homem se desencantasse pelo mistério, principalmente pelo mistério que envolve a fé. A vida se tornou por demais exterior, palpável. Preferimos o que é irreal e não aceitamos o que é real. Quando o real chega, sofremos e entramos em colapso com o mundo, com a gente mesmo e com Deus. Ficamos estagnados, voltamos de ré e sentamos em cima de um baú com coisas velhas e arcaicas.

 

A redescoberta do mistério deve ser sempre uma constância na vida daquele ou daquela que quer caminhar ou tentar ser melhor nas categorias que cercam a vida humana. Ao desvelar o mistério, o homem começa a tirar o véu de sua face e encontra no seu interior sua verdadeira inteireza. Descobre que a criação de Deus é nele o lugar da perfeição. Não que seja uma perfeição pronta e acabada, mas uma perfeição que se faz a cada amanhecer.

 

Viver o Mistério Pascal de Cristo, conviver com ele, é reconhecer em Cristo o mistério mais que perfeito de Deus. É experimentar nele a maior liturgia de Deus para com o homem. É entender que Deus estende a toalha e arruma a mesa para o banquete que Ele prepara, através do mistério, para seus filhos e filhas.  Cristo em toda sua vida viveu e contemplou o mistério de Deus, mas em nenhum momento este mistério o tirou do mundo. Ele viveu a fé dentro do mistério que cerca a vida, fez da vida dentro do mistério a melhor oferta aos olhos de Deus.  Ofereceu a vida como a oferta plena e deu graças por isso.

 

Vivei o mistério do Pai e faça de sua vida uma verdadeira oblação aos seus olhos. Ofereça a Ele todo o mistério que cerca a sua vida. Confia nele e Ele agirá.

O Evangelho de São João nos lembra que a nossa sociedade está como as primeiras comunidades e, em seu Evangelho, ele coloca a figura de Maria Madalena que procura Jesus e não o encontra, procura nas praças, nos campos e nada de encontrá-lo. Nessa passagem, São João enfatiza que os discípulos não tinham entendido o mistério que perpassava a vida de Cristo. A escuridão interior não deixava abertura para um verdadeiro entendimento do mistério que cercava a ressurreição de Cristo.

 

E o que se está percebendo dentro de nosso mundo são pessoas que professam a fé em Cristo sim, só que não se deixam envolver pelo mistério que a cerca. Cristo deixou muito claro na hora da última ceia: “Fazei isto em minha memória”. Deve-se viver o mistério do Pai. Oferecer a Ele todo o mistério que cerca a vida. Não uma vida vazia de sentido, mas com a confiança de que ela está inserida no Mistério Pascal de Cristo.

 
Pe. Joacir Alves Antunes
Pároco do Santuário Arquidiocesano São Judas Tadeu