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O Tríduo Pascal é o centro propagador da vida de todo o ano litúrgico. Nele, os fiéis são reapresentados ao Mistério Pascal de Jesus Cristo: sua vida, paixão, morte e ressurreição. O Tríduo Santo tem seu início com a celebração da Ceia do Senhor, prolonga-se com a Ação Litúrgica Solene da Paixão – adoração da cruz –, irrompe na alegre Vigília Pascal, estendendo-se até o Domingo da Páscoa do Senhor e nossa. Toda plenitude do Mistério Pascal é vivida na unidade desses dias, como uma única memória da morte e ressurreição do Senhor.

 

A ceia do Senhor com seus amigos e amigas é sinal profético da entrega da vida de Jesus na cruz. Nesse sentido, a páscoa judaica celebrada por Jesus tem significado novo. A refeição realizada extrapola o memorial da libertação do povo judeu do Egito, do poder da escravidão. É celebração da Nova Aliança no sangue do Cordeiro de Deus. Na Páscoa da cruz-ressurreição, a libertação-salvação da humanidade é levada a pleno cumprimento.

 

Cada Eucaristia celebrada pela assembleia orante, através das gerações, é memorial da Páscoa do Senhor. Repetimos os gestos e palavras de Jesus, oferecemos em seu sacrifício, o sacrifício das nossas vidas e nos sentamos, sacramentalmente, à mesa do Reino para o Banquete nupcial do Cordeiro. Os amigos e amigas de Jesus entregam suas vidas uns aos outros. Tal entrega se dá na vivência do amor-caridade. E isso aprendemos de Jesus no gesto profético do lava-pés: Sendo Mestre se inclina diante dos seus fazendo-se servo de todos.

 

O mistério da cruz seria vazio se a última palavra a ser dita não fosse a do amor, que é a vida, a ressurreição.

A entrega de Jesus, prefigurada na ceia pascal, encontrará seu pleno cumprimento no rebaixamento do servo obediente até a morte de cruz. De fato, na cruz se vê o mistério da encarnação levado à sua plena realização: esvaziou-se a si mesmo (Fl 2,5-11). O madeiro no qual se encontra o Justo, vítima do pecado, é o altar do oferecimento da vida por amor à humanidade: amou até o fim (Jo 13,1). A cruz denotará, para os que creem, a glorificação de Cristo. É no silêncio da cruz que o Pai pronuncia a palavra do amor, não deixando o Filho nas mãos da morte, mas Ressuscitando-o pelo Espírito Santo. O mistério da cruz seria vazio se a última palavra a ser dita não fosse a do amor, que é a vida, a ressurreição.

 

A comunidade cristã testemunha o anúncio divino de que o crucificado está vivo. E é chamada agora a abandonar o fermento da maldade e a tornar-se, em Cristo, nova criatura. Os cristãos, renascidos no batismo, proclamam com alegria indescritível: Aleluia, na verdade o Cristo ressuscitou! Com Cristo, todas as mulheres e homens são chamados a entrar na casa de Deus para com Ele viver a vida nova, pois o Homem velho foi deixado para trás, “as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo.”

 

Tânia da Silva Mayer
Mestranda em Teologia pela
Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE)