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A glória de Deus refulge sem véus

Domingo da Ressurreição – Ano C
Cor: branca ou dourada  – 31/03/2013 

 

Textos Bíblico-Litúrgicos
At 10,34a.37-43 // Sl 117 // Cl 3,1-4 // Jo 20,1-9
31 de março de 2013

Desde muito cedo as comunidades cristãs se reuniam para fazer memória da Páscoa de Jesus. A Constituição sobre a Liturgia diz: “A Igreja jamais deixou de reunir-se para celebrar o mistério pascal: lendo ‘tudo quanto nas Escrituras a ele se referia’ (Lc 24,27), celebrando a Eucaristia na qual se ‘representa a vitória e o triunfo de sua morte’”1.

O impacto da morte de Jesus foi tão intenso que a ressurreição foi como a libertação de um grito preso na garganta. A situação vivida pelos discípulos, em torno da cruz de Cristo, inverteu-se de tal maneira que, ao horror da paixão e morte de seu Mestre e ao luto, sucedeu-se a alegria vitoriosa e a confirmação das Escrituras.

Essa reviravolta é expressa pelo Sl 117(118),22: “A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular”. Igualmente, a pregação de Pedro traz essa ideia: “Eles o mataram pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia”. No entanto, os sinais da ressurreição de Jesus não foram ostensivos. A ressurreição foi uma realidade que se apresentou de modo sutil e discreto, contudo consistente e suficientemente perceptível aos discípulos, pela fé.

O intenso momento da sua páscoa os fez alçar voo para âmbitos maiores do conhecimento de Deus e das maravilhas que ele realiza. Sem a fé, as evidências perderiam qualquer orientação transcendente; os sinais se diluiriam na sua materialidade e na dúvida; os eventos finais da vida de Jesus terminariam na cruz e sequer haveria comemoração para a páscoa cristã. Mas a fé que nasceu do acontecimento da ressurreição transfigurou o sofrimento e a morte, dando-lhes sentido novo.

Esse evento é, inclusive, a razão primeira da fé cristã. É a ressurreição de Jesus que desencadeia a fé dos discípulos, tornando-os arautos da salvação realizada por Deus. A ressurreição, como evento, foi assimilada pelos discípulos em um processo que precisa ser conhecido, pois a narração se destina a favorecer às gerações o acesso à fé.

1 CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium, sobre a Sagrada Liturgia (data). Col. Documentos da Igreja. São Paulo: Paulus, 1997, p. 37.