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A espiritualidade do dia a dia


 

Quando falamos de espiritualidade, geralmente, fazemos associações a exercícios espirituais que, para muitos de nós, não estão relacionados com a vida cotidiana e, por associação, afastados dos nossos trabalhos diários. Porém, a espiritualidade é exatamente o exercício de transformar a nossa vida de acordo com a nossa fé. É dar uma resposta diferente ao que se vê corriqueiramente, demonstrando em gestos aquilo que professamos nas celebrações e orações.

Se chegamos então a este complexo conceito de espiritualidade, tão afastado de nossa vida, é porque perdemos a essência de nossa vida espiritual. Isso acontece porque o mundo ao nosso redor tende a rejeitar, e até mesmo a ridicularizar, atitudes que são contrárias à logica capitalista e desumana que vivemos. Ajudar as pessoas, cuidar dos doentes, ter piedade dos pobres, dedicar o seu tempo aos outros, tudo isso é sinal de fraqueza para a lógica mundana.

Essa lógica mundana então nos faz viver em um interminável paradoxo, onde almejamos um mundo melhor, professamos uma fé onde o amor é caminho e por outro lado vivemos uma vida superficial, individualista e muitas vezes totalmente contrária ao que professamos.

 

A espiritualidade do dia a dia”precisa ser voltada para o amor aos irmãos e ao testemunho de fé e caridade.

O caminho então é transformarmos a espiritualidade em vida. É transformar a vida em testemunho de nossas crenças e sinal de que a fé é viva. Por isso, devemos olhar para o mundo com olhos diferentes e perceber que cada situação que ocorre em nossa vida é uma oportunidade de exercermos o amor. A espiritualidade do dia a dia é construída por cada um de nós no grande complexo de “ações e respostas” que chamamos de “cotidiano”.

O mesmo cotidiano que é repleto de compromissos é aquele que vai nos ensinar a viver como portadores da “boa notícia” do amor. Fazer nossa vida diferente, encarnando a Palavra e transformando-a em nosso dia a dia, é a raiz da espiritualidade. É a vida que reflete a fé. É a fé que se torna viva.

Por isso, não existe uma espiritualidade exterior ao indivíduo. Não é possível denominar uma prática espiritual sem aquele que a pratica. E aquele que a pratica está ligado ao mundo e precisa fazer a diferença em meio a tanto sofrimento e arrogância. A espiritualidade do dia a dia deve ser o caminho para a vida coerente e a ferramenta para que nossa sociedade se torne melhor.

Então, a “Espiritualidade do Dia a Dia” é a ferramenta de vivência da fé e deve ser cultivada por cada um a sua maneira. Precisa ser voltada para o amor aos irmãos e ao testemunho de fé e caridade. As práticas espirituais encarnadas no dia a dia edificam, individualmente, em pequenos grupos, no trabalho, na escola, na comunidade, na família. A espiritualidade não é algo distante de nós, na verdade somos seus agentes mais próximos e viver a fé é a maior de todas as forças de transformação do mundo.


Para refletir:

Estamos nos empenhando para sermos coerentes e verdadeiros, e, assim, fazer de nossa vida uma vida espiritualizada pelo amor?

Vivemos realmente uma espiritualidade, buscando o caminho pelo qual os sentidos e os anseios da vida são iluminados, levando-nos a uma felicidade liberta das “ilusões” do mundo?