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ADCE: tarefas e desafios-artigo do padre Elias de Souza, Paróquia Santo Antônio (Av. Contorno)

Em meio às turbulências da realidade social em que vivemos, temos diante de nós permanentemente o tema “Empresas, Governo e Sociedade Civil, trabalhando juntos para o Bem Comum”. Nesse contexto, buscamos refletir sobre a tarefa fundamental e específica da ADCE numa perspectiva cristã. Uma premissa importante: a entidade deseja acolher pessoas de todas as religiões, com um profundo compromisso ecumênico.

O caminho trilhado pela ADCE está em sintonia com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – Conic, composto por Igrejas que integram o grupo das assim chamadas Igrejas Históricas, assumem o compromisso social: o servir como força transformadora da sociedade. É também desejável o envolvimento de membros das demais Igrejas, que não pertencem ao Conic. Porém, na prática, essa presença é pequena, pois cada Igreja tem perspectivas teológicas bem diferentes.

Por exemplo, no caso da ADCE, a base teológica é inspirada na Doutrina Social da Igreja Católica, que se fundamenta nos evangelhos e nos Documentos do Magistério Católico. Afirmar isso é importante, porque existem outras associações de empresários cristãos, com fundamentos diferentes e que, em sua maioria, estão ligadas às Igrejas neopentecostais. Estas baseiam suas atividades na Teologia da Prosperidade, doutrina que encontra no enriquecimento financeiro o sinal da bênção de Deus e, consequentemente, desenvolvem uma prática cristã totalmente diferente daquela esperada na ADCE. Portanto, deve-se evitar a comparação entre as tarefas da ADCE com as experiências realizadas em ambientes empresariais por evangélicos neopentecostais.

Desenvolver um “Projeto Social Alternativo”. Essa é a grande tarefa da ADCE no contexto atual: identificar meios de equilibrar (conjugar) ética e economia, dentro de um Projeto Social Alternativo. Como Igreja, cabe aos empresários cristãos influenciar a sociedade para investir em tecnologias e ações políticas de proteção ao meio ambiente.

Mesmo no interior da Igreja Católica, temos de avançar unindo forças. As Pastorais sociais, em suas diversas expressões, a presença dos religiosos dos institutos de vida consagrada, sobretudo inseridos nos meios populares, são forças dinâmicas e que refletem o desejo de um projeto alternativo para o país e para o mundo.investir em congressos, assembleias, estudos e outras dinâmicas de avaliação, construção e intervenção na realidade e um processo tanto urgente quanto desafiador.

Tarefas específicas

Resgatar a história: manter viva a consciência e a referência às ações pela promoção da vida no ambiente empresarial
Missão Crítico-construtiva: ADCE tem a tarefa de oferecer uma visão crítica da realidade. Em meio às graves contradições de nosso tempo, a possibilidade de nos perder em análises superficiais se mantêm como um risco constante.

Diálogo como tarefa: dialogar com quem pensa diferente. Nesse âmbito, como Igreja povo de Deus, os membros da ADCE devem estar em diálogo com o mundo, para o debate claro e propositivo. Os interlocutores são muitos, sobretudo com pessoas de outras religiões.

Práxis: a prática refletida. Refletir sem ação é apenas teorizar. Agir sem refletir é somente fazer sem possibilidade de entender o que está sendo feito. A práxis (como ação refletida) possibilita momentos fortes de intervenção fundamentada teoricamente na realidade vivida.

Devemos destacar a importância de que o pensamento econômico e social se coloque em relação com a Doutrina Social da Igreja, com os ensinamentos do Magistério atual da Igreja, em sintonia com os ensinamentos do Concílio Vaticano II. O que me encoraja a propô-las é a certeza de que vale a pena tentar outros caminhos, novos paradigmas para a compreensão e ação cristã no ambiente empresarial.

 

Padre Elias G. de Souza – Pároco da Paróquia Santo Antônio e Assistente Eclesiástico da Associação dos Dirigentes Cristão de Empresa de Minas Gerais – ADCE/MG. Especialista em Comunicação e Gestão Empresarial pela PUC Minas.