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40 anos da PJ e Ampliada Nacional reúnem jovens de todo o País em BH

 

Mais de 1500 jovens de todo o País são esperados para a celebração dos 40 anos da Pastoral da Juventude (PJ), em Belo Horizonte. Eles devem chegar à Praça da Assembleia, na capital mineira, no começo da tarde do dia 19, para a celebração que terá início às 14 horas, no hall das Bandeiras.

Caravanas de dioceses do Regional Leste 2 (Minas Gerais e Espírito Santo) e de outros estados confirmaram presença. Elas se juntarão aos mais de 100 delegados de todo Brasil que participarão da Ampliada Nacional da Pastoral da Juventude.

A Ampliada será aberta nessa celebração e depois se estenderá até o dia 26 de janeiro com atividades no Recanto Marista, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de BH (Aqui você pode conferir o itinerário  metodológico da Ampliada Nacional e a programação da Celebração dos 40 anos da PJ) .

O Coordenador da PJ pelo Regional Leste 2 da CNBB, Vinícius Borges Gomes, estudante jornalismo, explica os objetivos desse encontro nacional de jovens católicos e a metodologia que será utilizada para a definição das diretrizes para os próximos  três anos.

 

O que a PJ pretende alcançar ao reunir  jovens de todo o país para participar da Ampliada Nacional?

A Ampliada Nacional é momento de avaliar os passos dos últimos 3 anos, incluindo as prioridades, os projetos e a caminhada nos Regionais. Para isso, a PJ convida jovens e assessores de todo o país para que decisões importantes não sejam tomadas só pela Coordenação Nacional. Também neste evento é feita a eleição do Secretário Nacional da PJ e da Coordenação Nacional de Assessores.

Que metodologia a PJ irá utilizar na definição das diretrizes para os próximos 3 anos, e como pretende trabalhar as questões propostas pelos jovens em sua caminhada pastoral  

Todas essas questões propostas pelos participantes serão amplamente discutidas na Ampliada. Isso é feito a partir da metodologia de ver-julgar-agir. Vamos observar as realidades social, juvenil e eclesial, e confrontá-las com aquilo que nos ilumina: a Palavra de Deus e os sinais de esperança na caminhada. É a partir daí que definimos as ações. No entanto, algumas preocupações e áreas estão em voga nos últimos anos, como a Campanha Nacional contra a Violência e Extermínio de Jovens, a luta contra a redução da maioridade penal, o serviço à juventude em nossas dioceses e paróquias.

Que perfil  precisam ter os jovens que irão se candidatar à Secretaria Nacional da Pastoral da Juventude?

Os regionais de todo o Brasil indicam jovens que tenham caminhada em grupos de base e tenham participado de coordenações diocesanas ou regionais. É preciso que esse jovem tenha idade máxima de 26 anos para que complete seu serviço até os 29, ou seja, ainda no exercício de sua juventude (O recém-aprovado estatuto da Juventude define o período de juventude de 15 a 29 anos). É preciso que esse ou essa jovem tenha disponibilidade para o serviço e que a escolha seja referendada pelo bispo da diocese a que ele ou ela pertença.

Fale um pouco sobre como as atividades culturais propostas na programação da Ampliada Nacional poderão contribuir para o desenvolvimento da espiritualidade dos jovens  e como a participação nessas atividades deve refletir na vida deles  após a Ampliada.

 

“A PJ entende que seu papel de denunciar as injustiças, anunciar o Cristo libertador e gritar a opção pelos jovens pobres e marginalizados faz de sua missão e fidelidade ao Evangelho de Cristo algo singular e necessário na vida da Igreja”

Segundo o teólogo Gustavo Gutiérrez, a espiritualidade é como a “água”. Ela invade a planta e a deixa toda encharcada. Nossa espiritualidade é cristã e católica, está em todas as dimensões da nossa vida. Lutamos pela vida da juventude na opção preferencial pelos pobres e pelos jovens seguindo Jesus, o Cristo de Nazaré. Na Igreja, temos muitas vezes a mentalidade de que espiritualidade é só o que está ligado à oração e aos exercícios de piedade. Nós nos esforçamos para fazer nossas práticas de piedade e orações. Todas são belas em nosso dia-a-dia, na oração pessoal e em nossas paróquias, nas orações em comum. Incentivamos a participação nos sacramentos e acompanhamos os jovens nas formas de rezar como por exemplo no Ofício Divino e na Leitura Orante da Bíblia. Contudo, acreditamos que Deus está presente na pessoa humana e reconhecemos o espaço sagrado do ser humano. Assim, a vivência da cultura, da dimensão lúdica e da transbordante alegria juvenis são também sinais e manifestações da espiritualidade que cultivamos e da relação com a fé manifestada na alegria e na esperança de um mundo melhor e mais humano. Isso é algo vivenciado em todos os momentos feitos pela PJ e, de certo modo, já acompanha a vida de cada jovem que caminha nos grupos de base.

Quais são as principais transformações que ocorreram e ainda ocorrem na PJ nesses 40 anos de criação, para que ela mantenha a eficácia na missão evangelizadora junto aos jovens?

Muitas transformações ocorreram desde a criação da PJ. Tanto transformações para fora como para dentro dela. São novas estruturas, pensamentos e prioridades. A Pastoral da Juventude é hoje um espaço importante, uma em meio a tantas formas de evangelizar a juventude na Igreja. A PJ entende que seu papel de denunciar as injustiças, anunciar o Cristo libertador e gritar a opção pelos jovens pobres e marginalizados faz de sua missão e fidelidade ao Evangelho de Cristo algo singular e necessário na vida da Igreja. A abertura ao novo, aos jovens em sua diversidade, também faz com que a missão seja eficaz e eficiente, pois integra jovens que buscam ser protagonistas em sua história e querem ser reconhecidos por sua entrega e missão voluntárias.

Como será a participação dos padres e religiosos neste encontro?

Muitos padres, religiosos e religiosas vão nos acompanhar, seja nas assessorias, seja como delegados, nas discussões ou mesmo em passagem pelo espaço, participando como visitas convidadas e ajudando a animar nossas orações e celebrações. O destaque fica para a acolhida atenciosa e o apoio do bispo referencial da juventude da Arquidiocese de Belo Horizonte, dom João Justino, que está atento, junto com a equipe de articulação da PJ de BH, para receber essa importante atividade. Outro nome de destaque é o bispo dom Eduardo Pinheiro que virá de Brasília especialmente para esse momento. Mesmo assim, ainda sentimos falta de mais religiosos que atuam nas paróquias, apoiando a caminhada e incentivando o protagonismo dos jovens no processo de evangelização da juventude. Se você é religiosa ou religioso consagrado, fica aí o convite para partilhar conosco seu carisma e missão.

Ao falar em nome da juventude, que proposta a PJ tem para Igreja, hoje?

A PJ entende que a juventude é diversa, por isso utilizamos o termo “Juventudes”. Não queremos falar em nome delas, mas ser um canal para que as várias experiências de juventudes tenham voz, vez e lugar dentro e fora da igreja. Acho que essa é a proposta da PJ para a Igreja: formar jovens comprometidos com o anúncio e testemunho do Reino, que saiam às ruas e que não tenham medo de enfrentar e lutar contra injustiças. Isso foi um dos ensinamentos preciosos de Jesus e é isso que ouvimos o Papa Francisco nos lembrar com suas palavras e atitudes.