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Dom Mol ministra palestra sobre A Educação Católica na Sociedade Contemporânea

Com a temática A Educação Católica na Sociedade Contemporânea, o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte e reitor da PUC Minas, Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, ministrou palestra no dia 24 de agosto no Colégio Arnaldo, no bairro Funcionários, em Belo Horizonte, por ocasião do início das comemorações dos 100 anos de fundação da instituição de ensino, que serão celebrados em 2012. O reitor também é presidente da Comissão para Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e presidente do Conselho Superior da Associação Nacional de Educação Católica (Anec).

“Educar é sempre muito esperançoso. Celebrar 100 anos do Colégio é se emocionar, um estabelecimento da ligação do passado com o presente, esta instituição que ajuda as pessoas a se colocar na sociedade”, disse Dom Mol.

O reitor mencionou relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em que aponta o Brasil com altos índices de repetência escolar e baixo índice de conclusão do ensino básico, estando na 88ª posição entre 128 países. Citou também que, de acordo dados do Ministério da Educação em 2010, 97% dos alunos que fizeram o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ficaram abaixo da média, sendo a maioria oriunda do ensino público. Ele mencionou também sérios problemas no sistema educacional particular, processos que impactam as universidades. Dando continuidade aos dados do sistema educacional, o reitor disse que apenas 14% dos jovens brasileiros em idade escolar estão em alguma instituição de ensino superior e que o analfabetismo, que deveria ser atualmente de 4% da população, ainda atinge 10% dos brasileiros.

Os dados foram citados pelo reitor defendendo a necessidade de se investir na excelência acadêmica, pagando-se bem aos professores da escola pública. “Não convém falarmos da educação católica como se estivéssemos fora desse contexto. A educação católica transcende seus muros”, pontuou. Os desafios, referentes a conteúdo didático e da experiência comunitária, devem ser enfrentados a partir da vivência de uma crise de valores, do individualismo, individualismo moral e da profunda fragmentação social, esta última dando origem a comportamentos antiéticos. A globalização influi sobre os processos educativos, e o fosso entre ricos e pobres estimula ondas migratórias, fenômenos de uma sociedade multicultural, multirracial, que também traz muitos problemas, como a facilitação do processo de homogeneização no processo de aculturação, disse o reitor. Além disso, há uma marginalização da fé cristã que coloca Deus à mercê das necessidades humanas.

Para contornar os desafios da educação escolar, o reitor defendeu uma forte partilha entre educadores e alunos, com a construção de si e da vida por meio da formação humana. “O processo de educação católica só tem convencimento se tiver educadores motivados”.

Segundo ele, a escola católica contribuiu no último decênio para a redescoberta da importância da própria educação católica, um contraponto à “timidez” dos anos anteriores. “A educação católica deve dar os instrumentos para uma sociedade técnica e científica numa sólida formação cristã”.

E enumerou algumas características da educação católica para este necessário revigoramento:
* A centralidade da pessoa – a escola católica é de pessoas para pessoas na promoção da pessoa humana. A escola torna-se apta a educar personalidades fortes. O reitor citou a redução da educação a aspectos técnicos e funcionais e a fragmentação da educação e dos valores.
* Marca cultural da educação católica – cultura e fé: Não há separação entre momentos de conhecimento e momentos de espiritualidade
* O serviço à sociedade – A educação católica deve ser pensada no conjunto das instituições, no âmbito da cultura, da política, como uma instância crítica. “As instituições educacionais católicas garantem a pluralidade, é dialogante, dialogam com a sociedade civil”.
* Comunidade que educa, o clima deve ser relacional, com educadores marcantes. “É necessário construir a escola como comunidade. A comunidade de educação católica é chamada à assunção da escola na dimensão interpessoal”, disse. “Na educação católica, é importante o papel dos pais, que delegam a educação à escola, mas não podem renunciá-la”.

O reitor finalizou ressaltando que “o caminho da educação católica não pode ser outro do que a vida humana traçada por Cristo”.