Você está em:

[Artigo] Maria, a mulher que acreditou (3) – Neuza Silveira, Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

Maria, modelo da ‘Igreja na ordem da fé, da caridade e da união perfeita com Cristo’.
(Papa Francisco)

Maria é a mãe da Igreja

Com o seu “sim” incondicional a Deus, Maria é associada à obra da redenção, a exemplo do que o Evangelho de São João (19, 25-27). Na cruz, Jesus entrega sua mãe ao apóstolo João – “Eis aí tua mãe”- , que ali representa a Igreja, e Maria recebe João como filho- “Mulher, eis aí teu Filho”.  O apóstolo e evangelista conta que Maria estava ao pé da cruz, quando Ele também estava lá. Naquele momento Jesus não apenas  entregou sua mãe aos cuidados de João, mas também a todos nós, a toda a comunidade dos amigos de Jesus. Assim, Maria torna-se a mãe da Igreja, que a acolhe com muito carinho, reconhecendo-a como a mãe que o Pai escolheu, que o seu Filho nos dedicou e que o Espírito nos concedeu.

E todos nós, em todo tempo, acolhemos Maria como Mãe de Jesus Cristo, cabeça do Corpo Místico, mãe de todo esse Corpo Místico. É também a nossa mãe, por pertencermos à família redimida por Cristo. Maria continua exercendo sua maternidade sagrada na vida da Igreja atuante no mundo de hoje, sendo venerada desde os tempos antigos, com o título de Mãe de Deus. Uma Igreja que não é, por excelência, uma organização com leis e regulamentos, mas, antes de tudo,  comunidade, lugar do encontro com o Cristo ressuscitado, pois ele mesmo o disse: “onde dois ou três estiverem reunidos, em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt 18,20).

Maria, presença constante na evangelização

Maria tem representado um papel muito importante na evangelização das mulheres latino-americanas e tem feito delas evangelizadoras eficazes, como esposas, mães, religiosas, trabalhadoras e profissionais. Continuamente lhes inspira a fortaleza para dar a vida, debruçar-se sobre a dor, resistir e dar esperança quando os caminhos se tornam difíceis.
A presença feminina de Maria cria o ambiente de família, o desejo de acolhimento, o amor e o respeito à vida, por isso a família cristã continua olhando para ela como exemplo de mulher, mãe e esposa. Sua presença é sinal de esperança e de consolação aos olhos do povo peregrinante. Sigamos os passos de Maria, inspirando-nos no seu modo de vida para que possamos amar mais a Jesus e melhor segui-lo.

Dogmas Mariano – um pouco de conhecimento

Há um distanciamento entre a imagem bíblica de Maria e o símbolo que ela é para grande parte do povo crente. Nota-se uma distância que separa a linguagem dos dogmas marianos e da cultura. Ocorre também a perda de relevância da imagem de Maria e de suas raízes bíblicas para dois grupos importantes: os jovens e as mulheres.

Nesse sentido, pergunta-se: como falar na catequese a respeito de Maria? Numa catequese com adultos não podemos perder de vista a ligação da importância de Maria para a fé cristã católica e a compreensão e formulação dos dogmas marianos.

Para bem entendermos a Maria dos Evangelhos, primeiramente se faz necessário conhecer a Maria que tem suas origens na fé judaica. Ela é uma mulher israelita, ou seja, de etnia e religião judaica. Nas escrituras, Maria representa todo o povo de Israel que espera, ansiosamente, o Messias.

A ação de Maria na Igreja se deve à bondade divina e deriva dos méritos de Jesus Cristo. Toda a sua vida foi uma cooperação singular na obra do Salvador. Na fé, ela se torna nossa mãe na ordem da graça.

Ao falar da virgindade de Maria, esta tem um forte sentido simbólico. Maria está toda voltada para Deus; é todo amor-doação ao Senhor. Não apresenta nenhum obstáculo para a ação de Deus. Pobre e humilde, tornou-se fecunda pelo Espírito Santo. Ela é toda de Deus e toda servidora dos homens, mulheres, jovens e crianças.

Para falarmos de Maria como Mãe da Igreja, temos um documento do Concílio Vaticano II, a constituição Lúmen Gentium (LG) que em seu capítulo 8º nos traz ideias inspiradoras sobre a Igreja e sobre Maria como Mãe da Igreja. O tema dado é: Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja. Por sua maternidade espiritual, ela está sempre a repetir para seus filhos e filhas que façam sempre tudo o que seu Filho mandar, como por exemplo, no texto do Evangelho de João sobre as “Bodas de Caná”.

Por que dogmas?

Segundo o professor Murad, autor do livro: “Maria toda de Deus e toda humana. Compêndio de Mariologia. São Paulo: Paulinas, 2012)”, os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a comunidade eclesial a se manter no rumo do Santuário vivo, que é Jesus. Os grandes dogmas surgiram nos primeiros séculos, para resolver questões de fé que não poderiam ser esclarecidos somente pela Sagrada Escritura.

No século IV, período da oficialização do cristianismo como religião, foram realizados concílios pela Igreja para formular a doutrina da fé, fundamentando a identidade da fé cristã, conhecida hoje como “Santíssima Trindade”. No século XIX foram definidos os dogmas marianos da Imaculada Conceição e da Assunção. O Concílio Vaticano II ajudou a compreender melhor o lugar e a função dos dogmas. Recolocou a Bíblia como fonte para a teologia e a liturgia e mostrou como a Tradição legítima da Igreja interpreta a Escritura e fornece elementos necessários para a vivência da fé.

No mês de março do ano de 2018, o Papa Francisco determinou a inscrição da Memória da “Bem-aventurada Virgem, Mãe da Igreja” no Calendário litúrgico da Igreja. Esta memória será celebrada todos os anos na Segunda-feira depois de Pentecostes. Assim, na segunda-feira, dia 1º de junho, vamos lembrar de rezar à Maria, mãe de Jesus.

Após a leitura deste texto, poderíamos rezar uma Ave-Maria? Quando rezamos estamos fazendo memória das palavras que o anjo e Izabel falaram à Nossa Senhora. E nós acrescentamos ainda: Santa Maria, mãe de Deus.

Neuza Silveira de Souza

Secretariado Arquidiocesano
Bíblico-catequético de Belo Horizonte