Na primeira Audiência Geral, nesta quarta-feira, 7 de janeiro, o Papa Leão XIV convidou fiéis e peregrinos para um novo ciclo de catequeses, inspirado pelo Concílio Vaticano II e à releitura dos seus Documentos. “Esta é uma preciosa oportunidade para redescobrir a beleza e a importância deste evento eclesial”, sublinhou o Santo Padre.
Magistério vivo
No início de sua reflexão, o Pontífice recordou que, no último ano, a Igreja celebra, juntamente com o aniversário do Concílio de Niceia, o sexagésimo aniversário do Concílio Vaticano II. “Embora não esteja distante no tempo, observou que a geração de bispos, teólogos e fiéis que participou diretamente daquele acontecimento já não está entre nós. Por isso, torna-se ainda mais necessário redescobrir o Concílio de maneira autêntica, não a partir de ‘boatos’ ou leituras parciais, mas por meio da releitura atenta dos seus Documentos”.
De acordo com o Pontífice, “é precisamente nesses textos que se encontra um Magistério vivo, capaz de orientar ainda hoje o caminho da Igreja”. Ao citar Bento XVI, o Papa Leão XIV recordou “que os Documentos conciliares não perderam a sua atualidade; ao contrário, os seus ensinamentos revelam-se particularmente pertinentes diante das novas situações da Igreja e da sociedade globalizada”.
O Papa Leão XIV lembrou a imagem do alvorecer de um dia de luz para toda a Igreja ao citar abertura do Concílio por São João XXIII, em 11 de outubro de 1962. Segundo o Santo Padre, “o trabalho dos padres conciliares, provenientes de Igrejas de todos os continentes, abriu caminho para uma nova etapa da vida eclesial, amadurecida a partir de uma rica reflexão bíblica, teológica e litúrgica desenvolvida ao longo do século XX”.
Logo em seguida, o Pontífice explicou que “o Concílio Vaticano II redescobriu o rosto de Deus como Pai que, em Cristo, chama todos a serem seus filhos; contemplou a Igreja à luz de Cristo, como mistério de comunhão e sacramento de unidade; e promoveu uma profunda reforma litúrgica, colocando no centro o mistério da salvação e a participação ativa e consciente de todo o Povo de Deus. Ao mesmo tempo, ajudou a Igreja a abrir-se ao mundo contemporâneo, dialogando com os seus desafios e mudanças”.
A Igreja faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio
O Papa Leão também recordou “a afirmação de São Paulo VI segundo a qual, graças ao Concílio, ‘a Igreja faz-se palavra, faz-se mensagem, faz-se colóquio’”. “Esse impulso levou a Igreja a comprometer-se com o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e o diálogo com todas as pessoas de boa vontade, na busca sincera da verdade. Esse mesmo espírito deve continuar a caracterizar a vida espiritual e a ação pastoral da Igreja hoje”:
“Devemos implementar ainda mais plenamente a reforma eclesial de modo ministerial e, perante os desafios de hoje, somos chamados a permanecer atentos intérpretes dos sinais dos tempos, alegres anunciadores do Evangelho, corajosas testemunhas da justiça e da paz.”
Ao dar continuidade a sua reflexão, o Papa Leão XIV citou João Paulo I, recordando “que os frutos de um Concílio não dependem apenas de estruturas ou métodos, mas de ‘uma santidade mais profunda e mais extensa’, capaz de amadurecer ao longo do tempo, inclusive em meio a dificuldades e conflitos. Redescobrir o Concílio significa devolver a primazia a Deus e ao essencial: uma Igreja apaixonada pelo Senhor e pela humanidade por Ele amada. Na parte final da catequese, o Papa retomou as palavras de São Paulo VI dirigidas aos Padres conciliares no encerramento do Vaticano II, recordando que chegou o tempo de partir ao encontro da humanidade para lhe anunciar o Evangelho. Um tempo que reúne passado, presente e futuro, marcado pelo desejo dos povos por justiça, paz e uma vida mais plena”.
Ao fim de sua catequese, o Pontífice sublinhou que “ao aproximarmo-nos dos Documentos do Concílio Vaticano II e redescobrirmos a sua profecia e atualidade, acolhemos a rica tradição da vida da Igreja e, ao mesmo tempo, questionamos o presente e renovamos a alegria de correr ao encontro do mundo para levar o Evangelho do Reino de Deus, um reino de amor, de justiça e de paz”.