Você está em:

Papa Francisco: “A fragilidade é, na realidade, a nossa verdadeira riqueza”

Em sua primeira Audiência Geral de 2023, o Papa Francisco homenageou o Papa emérito Bento XVI afirmando que ele foi “um grande mestre da catequese” e completou dizendo: “O seu pensamento perspicaz e gentil não foi autorreferencial, mas eclesial, pois sempre quis acompanhar-nos ao encontro com Jesus”.

Ao dar continuidade à catequese desta quarta-feira, 4 de janeiro, o Pontífice encerrou seu ciclo de meditações sobre o discernimento sublinhando sobre “as ajudas que podem e devem sustentá-lo”. Segundo o Santo Papa, uma delas é o acompanhamento espiritual, essencial para o conhecimento de si e indispensável para boas escolhas. “Olhar-se no espelho sozinho nem sempre ajuda, porque alguém pode fantasiar a imagem. Ao invés, olhar-se no espelho com a ajuda de outra pessoa, se verdadeira, isto ajuda.” O Papa Francisco completou ressaltando que “em primeiro lugar, é importante dar-se a conhecer, sem ter medo de compartilhar os aspectos mais frágeis. Não deve decidir por nós, mas nos acompanhar no caminho da vida. A fragilidade é, na realidade, a nossa verdadeira riqueza, que devemos aprender a respeitar e a aceitar; é o que nos torna humanos”.

Ainda de acordo com o Santo Padre, se formos dóceis ao Espírito Santo, o acompanhamento espiritual nos ajudará a enxergar equívocos em relação a nós mesmos e na relação com o Senhor e continuou sublinhando: “Narrar diante de outra pessoa o que vivemos ou o que procuramos, em primeiro lugar, ajuda a fazer clareza em nós próprios, trazendo à luz os numerosos pensamentos que habitam em nós. A pessoa que acompanha não se substitui ao Senhor, não faz o trabalho no lugar da pessoa acompanhada, mas caminha ao seu lado, encoraja-a a ler o que se move no seu coração, o lugar por excelência onde o Senhor fala”, disse o Pontífice

Se quiser chegar seguro, vá com os outros

Segundo o Pontífice, ele prefere utilizar o termo “acompanhador espiritual” e não “diretor espiritual”. “Se quiser chegar depressa, vá sozinho. Se quiser chegar seguro, vá com os outros”, disse o Papa Francisco ao repetir um dito africano sobre o propósito de não se caminhar só.

O Santo Padre continuou sua reflexão sublinhando: “Vá acompanhado, com o seu povo. É importante. Na vida espiritual, é melhor fazer-se acompanhar por alguém que conheça nossas coisas e nos ajude. E isto é o acompanhamento espiritual.”

Para o Pontífice, outro aspecto importante do acompanhamento espiritual é estar inserido numa comunidade, ou seja, o aspecto da filiação e da fraternidade espiritual, pois “não vamos ao encontro do Senhor sozinhos”. “Não estamos sós, somos gente de um povo, de uma nação, de uma cidade que caminha, de uma igreja, de uma paróquia, deste grupo… uma comunidade em caminho”, afirmou.

Maria, mestra de discernimento

De acordo com o Papa Francisco a virgem Maria é “mestra de discernimento”, que “fala pouco, ouve muito e conserva no coração”. Depois recordou uma conversa que teve com uma senhora “muito simples”, que não tinha estudado teologia. Ela perguntou ao Pontífice se ele conhecia o gesto que faz Nossa Senhora. O Santo Padre não entendeu a pergunta e a senhora respondeu apontando. “Nossa Senhora aponta sempre para Jesus. Isto é belo: Nossa Senhora não toma nada para si, aponta Jesus”, sublinhou o Pontífice.

O discernimento é uma arte que se pode aprender

Ao concluir sua meditação, o Papa Francisco disse: “Caros irmãos e irmãs, o discernimento é uma arte, uma arte que se pode aprender e que tem as suas próprias regras. Se for bem apreendido, ele permite viver a experiência espiritual de forma cada vez mais bonita e ordenada. E completou dizendo: “O discernimento é sobretudo um dom de Deus, que deve ser sempre pedido, sem jamais presumir ser perito e autossuficiente. Não tenha medo! Se confiarmos na Sua palavra, desempenharemos bem o jogo da vida, e poderemos ajudar outros”, sublinhou.

 

*Informações: Vatican News

VEJA TAMBÉM

Ícone Arquidiocese de BH