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[Artigo] O caminho itinerante da iniciação na educação gradual da fé cristã-Neuza Silveira de Souza (Catequista)

A Iniciação Cristã é o processo gradual de fé realizado pelo convertido, com a ajuda de uma comunidade de fiéis, para tornar-se membro dessa comunidade. Uma caminhada que se inicia por meio dos sacramentos de entrada e a força do Espírito de Jesus Cristo, enquanto que a catequese é a educação gradual da fé cristã, compreendida, celebrada e testemunhada. O conteúdo da nossa religião, o cristianismo, compreende dois polos fundamentais: a fé conversão e a práxis mistérica que nos confere a identidade com Cristo, dentro da comunidade cristã.

Nesse sentido, podemos compreender que a religião dos cristãos, o cristianismo, consiste numa fé e numa prática. Ao ser iniciado na fé pela recepção dos três sacramentos: Batismo, Confirmação e Eucaristia, tem-se acesso à experiência do Mistério de Cristo. Estes três sacramentos são os que nos inserem na plenitude cristã. Os sacramentos já não são mais ponto de chegada, e sim entrada na vida em Deus (Batismo), consolidação da opção cristã (Confirmação) e alimento da caminhada (Eucaristia), exigindo um processo de formação mais amplo.

 

A Iniciação Cristã é Ritual, Permanente e Escatológica.

Todo cristão é iniciado na fé cristã pelos três sacramentos. Assim, pode-se dizer que a Iniciação Cristã é ritual, permanente e escatológica.
A iniciação é ritual por que acontece por meio de um rito sacramental. Nesse rito, a Igreja revela, atualiza e celebra Cristo, o primeiro sacramento do Pai, no batizando. O rito é acompanhado da Palavra de Deus e expressa suas duas dimensões: sua durabilidade e instantaneidade.

Dizemos que o sacramento é permanente porque ele significa compromisso com Deus. É uma aliança com Deus que o torna definitivo e duradouro. O Batismo e a Confirmação são sacramentos que só se recebem uma vez na vida.

Os sacramentos da Iniciação Cristã são também escatológicos. A pessoa é batizada na perspectiva do batismo de Jesus que se torna efetivo em sua morte e ressurreição. O batismo é sinal de vida nova e por isso é antecipação de uma plenitude final. É batismo na esperança. Somos batizados na morte de Cristo e com ele ressuscitados para uma vida nova. Como já nos dizia Tertuliano, por volta dos anos 220, não se nasce cristão, é preciso tornar-se cristão. Isto requer uma caminhada longa de conhecimento e aprendizagem. É a catequese que irá contribuir para o fortalecimento da fé nesse percurso. Vai-se construindo um itinerário pessoal e uma vivência comunitária. A cada etapa vai-se beneficiando de aprendizagens e experiências que ajudam no processo de conversão cotidiana, ou seja, deixar-se entrar no mistério de Deus, sem deixar de viver a vida humana.

O catequista no seu ofício de evangelizar

Os catequistas têm este papel importante: ir evangelizando assim como Jesus fez. Jesus ensinava através de palavras, gestos, imagens e experiências vivenciais, a partir da realidade de cada um para uma nova vida em Deus.

O Catequista vai ensinar a partir dos fatos essenciais da vida de Jesus e de seus ensinamentos. Ajuda as pessoas nas suas buscas pessoais do sentido e significado da sua própria existência. A convivência no meio da comunidade ajuda as pessoas a tornar-se membro da Igreja, a descobrir-se como Igreja, aprofundar-se em sua própria fé, participar da liturgia e receber os sacramentos da Iniciação Cristã.

No percurso que se vai fazendo, num clima ‘comunitário, orante, celebrativo, meditativo, participativo, dialogante e de compromisso’, são trabalhados paulatinamente os grandes eixos da vida nova em Cristo Jesus. Eixos esses que são básicos para a fé cristã e podem ser sintetizados em três pontos: Conhecer os quatro pilares do catecismo da Igreja Católica: Credo, Sacramentos, Mandamentos e Oração. Valorizar cada um desses pilares que dá a densidade teológica, espiritual e pastoral da fé cristã; conhecer a doutrina, não apenas como doutrina, mas como alimento e embasamento da vida cristã.
O segundo ponto, trabalhar as três etapas da história da salvação: o Antigo Testamento, o Novo Testamento e a história da Igreja. Considerar que não se trata de um curso de teologia, mas meditar e assimilar os conteúdos utilizando-se de uma pedagogia da fé; a pedagogia de Jesus (ver a realidade, escutar, orientar e propor um novo jeito de ser) numa linguagem cristológica e pastoral. Lembrar que são conteúdos para o adulto. Se este não tem ainda os sacramentos, cuidar para que o mesmo vá fazendo o processo gradativo do itinerário da fé conversão, perpassando pela mistagogia e continuando na práxis mistérica, ou seja, à ação do discípulo missionário que celebra o Mistério de Cristo, vive-o e caminha com a comunidade. Muitos adultos já são sacramentados, mas não tiveram oportunidade de conhecer e experimentar a essência da vivência cristã. Eles também são considerados os interlocutores das catequeses mistagógicas.

O terceiro ponto é a própria vida comunitária, segundo o mandamento do amor. Jesus nos deu o sinal distintivo do cristão: “Nisto todos saberão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13, 34-35). E Aparecida diz: “O encontro com a comunidade é encontro com Jesus Cristo”.

Amadurecidas na fé, as pessoas colocam-se a caminho da conversão, se reconhecem como comunhão, celebram a liturgia e, inseridos na realidade do mundo, dão testemunho de sua própria fé na sociedade. Essa experiência de vida comunitária configura o cristão e a própria Igreja.

 

 

 

 

Neuza Silveira de Souza- Coordenadora do Secretariado
Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte



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