Paróquia

Catedral Cristo Rei

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Sábado - Terço da Paz

15h

Domingo - Terço da Misericórdia

15h

Diaconia, Catequese e Esperança: formar discípulos para o chão da história

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Há momentos na vida da Igreja em que o Espírito Santo nos convida novamente a voltar às fontes. Voltar ao Evangelho. Voltar ao primeiro amor. Voltar ao Cristo que caminha pelas estradas humanas, entra nas casas, senta-se à mesa com os pobres, toca os feridos e faz arder o coração dos discípulos no caminho.

Em tempos marcados por ruídos, superficialidades e tantas formas de espiritualidade sem profundidade, a Arquidiocese de Belo Horizonte continua reafirmando, com serenidade e firmeza, que o centro da evangelização não são nossos gostos pessoais, nossas sensibilidades religiosas ou práticas isoladas da vida. O centro é Jesus Cristo. O querigma permanece sendo o coração pulsante da missão da Igreja: anunciar que Deus amou tanto o mundo que entregou seu Filho para que a humanidade tenha vida plena.

Em comunhão com Dom Walmor Oliveira de Azevedo, pastor que nos recorda continuamente a missão de “curar os corações feridos”, a CADE convocou todos os diáconos permanentes e suas esposas para o 3º Encontro da Formação Permanente do ano de 2026, em continuidade ao itinerário formativo aprovado na IV Assembleia dos Diáconos Permanentes e Esposas, realizada em 2025. O encontro, conduzido pelo Pe. Felipe Gouveia, insere-se nesse caminho de amadurecimento pastoral, espiritual e missionário que a Igreja de Belo Horizonte deseja continuar trilhando com fidelidade ao Evangelho e profunda escuta dos desafios do nosso tempo.

Nas foranias de nossa Arquidiocese, meditamos neste mês o Documento 6 das Diretrizes Arquidiocesanas Bíblico-Catequéticas, refletindo sobre as mensagens fundamentais que jamais podem faltar em uma boa catequese. E talvez aqui esteja uma das maiores urgências pastorais do nosso tempo: redescobrir uma catequese que não produza apenas emoção, mas conversão; que não se limite ao entusiasmo momentâneo, mas conduza verdadeiramente ao mistério pascal de Cristo.

A Igreja não existe para alimentar espiritualismos desencarnados. Ela existe para anunciar a Boa Nova no chão concreto da história humana. Uma história marcada por dores, desigualdades, solidões, violências silenciosas, crises familiares, vazios existenciais e também por tantas sementes escondidas do Reino de Deus. A catequese, quando fiel ao Evangelho, torna-se luz que ilumina a realidade sem fugir dela. Não aliena. Não anestesia. Não transforma a fé em espetáculo religioso. Pelo contrário: mergulha o homem contemporâneo no mistério de um Deus que se fez carne, habitou entre nós e continua presente nas periferias humanas e existenciais.

Por isso, a formação permanente dos diáconos não pode ser apenas intelectual. Ela precisa ser profundamente espiritual, humana e pastoral. O diácono é chamado a ser homem da Palavra e da escuta, da liturgia e da caridade, da comunhão e do serviço. Seu ministério nasce do altar, mas encontra plenitude quando alcança as ruas, os pobres, os esquecidos, os cansados da caminhada e aqueles que já não conseguem enxergar sentido para a própria vida.

Num mundo cada vez mais moldado pela lógica da aparência e da hiperexposição, a Igreja é chamada a formar discípulos capazes de discernimento. Nem toda emoção é experiência de Deus. Nem toda linguagem religiosa conduz ao Evangelho. Nem toda prática espiritual gera encontro verdadeiro com Cristo. O mistério cristão não se reduz ao emocionalismo nem à repetição vazia de fórmulas religiosas. O Evangelho exige travessia interior, amadurecimento da fé, vida comunitária, compromisso com a justiça, escuta da Palavra e abertura contínua à ação do Espírito Santo.

Talvez seja exatamente esta a beleza silenciosa da missão da Igreja: continuar anunciando esperança em meio às sombras do mundo. Continuar proclamando que o Ressuscitado caminha conosco, mesmo quando os caminhos parecem difíceis demais. Continuar acreditando que a Palavra de Deus ainda fecunda os desertos humanos e faz nascer vida nova onde parecia haver apenas cansaço.

Que este encontro formativo fortaleça nossos diáconos permanentes e suas esposas na fidelidade ao Evangelho e no serviço generoso ao povo de Deus. E que a Arquidiocese de Belo Horizonte permaneça sendo, em nosso tempo, uma Igreja que evangeliza com profundidade, acolhe com misericórdia e forma discípulos capazes de viver a fé não fora da história, mas dentro dela, como fermento do Reino, luz nas periferias e sinal vivo da presença de Cristo no mundo.

Diácono Érico Vinicius de Souza Marques
Arquidiocese de Belo Horizonte