No dia 21 de fevereiro de 2026, realizou-se a Primeira Formação Arquidiocesana do Diaconato da Arquidiocese de Belo Horizonte, iniciativa promovida pela CADE (Comissão Arquidiocesana dos Diáconos e Esposas). O encontro configura-se como marco histórico e pioneiro, especialmente após cerca de 15 anos da presença do diaconato permanente na Arquidiocese. Participaram 101 diáconos e 43 esposas, expressiva presença da família diaconal que manifesta comunhão, corresponsabilidade e unidade eclesial.
A reflexão teve como eixo o estudo do Documento 8 — Diretrizes para o Diaconato Permanente da Arquidiocese de Belo Horizonte, com a contribuição do Padre Filipe Silva Pereira Gouvêa, Vigário Episcopal para a Ação Pastoral. Sua exposição proporcionou sólido aprofundamento teológico, pastoral e espiritual acerca da missão, identidade e espiritualidade da vida diaconal, situando este ministério no horizonte de uma Igreja essencialmente missionária, ministerial e servidora.
O encontro ocorreu na Cúria da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida (RENSA), reunindo diáconos e esposas provenientes das diversas regiões episcopais, o que reforça o sentido arquidiocesano e a unidade do ministério diaconal na Igreja Particular de Belo Horizonte.
Igreja ministerial e missionária: fundamento do diaconato
Destacou-se que o diaconato não se reduz a funções ou a uma colaboração prática nas atividades pastorais. Trata-se de um dom para a Igreja, expressão de sua estrutura apostólica e sinal permanente da diaconia de Cristo, Aquele que veio “não para ser servido, mas para servir” (Mc 10,45). O ministério diaconal integra, assim, a dinâmica de uma Igreja que se compreende toda ministerial e em saída, sustentada pelo testemunho de vida, pela audácia da fé e pelo compromisso com o anúncio do Evangelho.
Ressaltou-se também que a Arquidiocese de Belo Horizonte, ao investir na formação contínua de diáconos e esposas, reafirma a importância desse ministério ordenado para o fortalecimento da evangelização, especialmente no serviço da Palavra, da caridade e da liturgia, bem como no acompanhamento das comunidades e das realidades onde a presença evangelizadora necessita de maior proximidade pastoral.
Identidade diaconal: primazia do ser sobre o fazer
Um dos pontos centrais foi a compreensão de que a identidade do diácono se encontra, antes de tudo, na ordem do ser e não apenas nas funções exercidas. Pela ordenação, o diácono recebe uma graça sacramental que o configura a Cristo Servo, imprimindo-lhe caráter próprio e permanente.
Essa perspectiva evita reducionismos e reafirma o sentido originário do ministério: ser sinal visível de uma Igreja que serve, especialmente junto aos pobres, enfermos, marginalizados e às diversas periferias humanas e existenciais.
Testemunho, espiritualidade e comunhão eclesial
Foi ressaltada a centralidade do testemunho de vida como condição essencial para a credibilidade da pregação. Espera-se do diácono simplicidade, espírito de oração, caridade, humildade e disponibilidade, pois sem a marca da santidade a palavra evangelizadora corre o risco de perder sua força transformadora.
Sublinhou-se ainda que a vida diaconal é inseparável da comunhão com o bispo, com os presbíteros e com todo o povo de Deus. Os diáconos são presença próxima do pastor junto ao povo, expressão concreta de cuidado, unidade e serviço nas diversas realidades onde a Igreja é chamada a estar.
Continuidade do itinerário formativo em 2026
Dando continuidade a esse caminho, já estão previstas as próximas etapas formativas, todas com caráter arquidiocesano. No primeiro semestre, os encontros ocorrerão aos sábados, das 14h às 17h, na Cúria da RENSA (Contagem):
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21 de março – Documento 7: Batismo, Matrimônio, Exéquias, Bênçãos e Celebração da Palavra
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18 de abril – Diretrizes da Ação Pastoral Catequética
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23 de maio – Conselhos Pastorais
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20 de junho – VII Assembleia do Povo de Deus: conclusão
Após o recesso de julho, a programação seguirá no segundo semestre, às quintas-feiras, das 19h às 21h30, na Igreja Nossa Senhora Aparecida, bairro Santa Rosa, Belo Horizonte, em formato de aprofundamento pastoral e oficinas:
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27 de agosto – Celebração da Palavra e Missal: imersão e oficina
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24 de setembro – Exéquias e Bênçãos: imersão e oficina
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29 de outubro – Batismo: imersão e oficina
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26 de novembro – Matrimônio: imersão e oficina
O itinerário será concluído com a Missa de encerramento em 12 de dezembro, na Catedral Cristo Rei, em horário ainda a ser confirmado.
Também está prevista formação complementar junto às pastorais sociais específicas, com datas a serem definidas, fortalecendo a inserção missionária do ministério diaconal nas diversas realidades sociais.
Sob o amparo de Nossa Senhora Aparecida
Confiamos este itinerário formativo à proteção da Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora Aparecida, pedindo fidelidade, perseverança e ardor missionário para cada diácono e esposa.
Este primeiro encontro arquidiocesano não foi apenas um evento, mas um verdadeiro sinal: sinal de unidade, de maturidade e de renovado compromisso com o Cristo Servo, que continua a chamar seus ministros ao serviço generoso da Igreja e do mundo.
A caminhada formativa permanece aberta e viva. Aos que participaram, permanece o chamado à perseverança; aos que não puderam estar presentes, renova-se o convite fraterno para integrar as próximas etapas. A formação contínua é expressão concreta de amor à vocação recebida e de responsabilidade missionária diante do povo de Deus.
Diác. Érico Vinicius de Souza Marques
Diácono Permanente – Arquidiocese de Belo Horizonte





