A Igreja, no seu empenho pela promoção humana e pela justiça social, coloca o conhecimento da Doutrina Social da Igreja (DSI) como fator determinante na educação da comunidade eclesial. Trata-se de um critério seguro para a urgente formação de agentes cristãos para que, com conhecimento e experiência, possam atuar na transformação das comunidades e da sociedade.
Este ensinamento é um tesouro referencial para todos aqueles que trabalham com lideranças e ocupam os espaços nos canais de participação popular, tais como conselhos, organismos e movimentos, assumindo empenhos de transformação e inclusão social nos diversos campos da política, da economia, da cultura, da família. São nesses espaços de participação que nascem as decisões corajosas em prol da cidadania.
“A missão de pregar o Evangelho requer, nos tempos atuais, que nos comprometamos em ordem à liberdade integral do ser humano, já desde agora na sua existência terrena. Se, efetivamente, a mensagem cristã sobre o amor e a justiça não mostra sua eficácia na ação pela justiça no mundo, dificilmente ela será aceitável para os homens do nosso tempo”. Esta citação se encontra no documento “A justiça no Mundo” que é uma síntese sinodal do sínodo dos Bispos de 1971.
O que é Doutrina Social da Igreja?
Esta expressão “Doutrina Social da Igreja” designa um conjunto de escritos e mensagens que compõem o pensamento do Magistério católico a respeito da chamada “questão social”. São as chamadas cartas, encíclicas, exortações, pronunciamentos e declarações. As encíclicas sociais dos Papas são os principais documentos da Doutrina Social da Igreja, desde o Papa Leão XIII, em 1891. A DSI, em síntese, procura atualizar a dimensão social do Evangelho no contexto da vida. É o evangelho tornado vivo nos diferentes desafios da realidade social, política, econômica e cultura.
É tarefa fundamental de todos aqueles que trabalham com a evangelização, principalmente a catequese, que tem a responsabilidade de educar na fé as crianças, jovens e adultos, ter conhecimento dos documentos da DSI. São escritos que iluminam os problemas relacionados à condição social do ser humano. Assim, a ação social se torna elemento integrante da mensagem evangélica.
Diz uma das encíclicas do Papa João Paulo II – Centesimus Annus (1991) – “O mundo de hoje está sempre mais consciente de que a solução dos graves problemas nacionais e internacionais não é apenas uma questão de produção econômica ou de uma organização jurídica ou social, mas requer valores ético-religiosos específicos, bem como mudanças de mentalidade, de comportamento e de estruturas” (CA, n.60).
Centralidade e dignidade da pessoa humana
Nas encíclicas dos Papas, desde Leão XIII, percebemos que todas trazem como preocupação a centralidade e a dignidade da pessoa humana. Em todas são encontrados temas como: a promoção integral do homem, a liberdade de expressão e de religião, a defesa incondicional da vida, o combate a todo tipo de preconceitos, discriminação e racismo, etc.
Quando as Diretrizes da Ação Evangelizadora (116) coloca que cabe a nós, cidadãos cristãos, empenharmos na busca de políticas públicas que ofereçam as condições necessárias ao bem-estar de pessoas, famílias e povos, trata-se de uma convocação da Igreja para o despertar para os problemas sociais presentes na sociedade. Assim, a formação de pensadores e pessoas que estejam em níveis de decisão para se empenhar na conscientização e capacitação dos leigos; a importância de uma pastoral da comunicação para garantir a presença da Igreja no diálogo com a mensagem e a cultura contemporânea, à luz dos valores do Evangelho e, ainda, uma pastoral junto aos empresários, aos políticos, aos formadores de opinião no mundo do trabalho, dirigentes, sindicais e comunitários, entre outras, se constituem em prioridades para a o exercício da missão da Igreja.
Compete à comunidade cristã, como comunidade catequizadora que é, o exercício do discernimento para a redescoberta constante de novos enfoques da mensagem evangélica que ilumina as realidades concretas e orienta os passos dos caminhantes na fé. É o Evangelho iluminando a vida e a vida iluminando o Evangelho.
Neuza Silveira de Souza
Coordenadora Arquidiocesana Bíblico-Catequética de Belo Horizonte