{"id":61,"date":"2017-06-16T12:07:26","date_gmt":"2017-06-16T15:07:26","guid":{"rendered":"http:\/\/arquidiocesebh.org.br\/paroquia-sao-goncalo\/?page_id=61"},"modified":"2023-02-16T17:23:12","modified_gmt":"2023-02-16T20:23:12","slug":"padroeira","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/paroquia\/padroeira\/","title":{"rendered":"Padroeira"},"content":{"rendered":"<h2><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-357 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresa.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"537\" srcset=\"https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresa.jpg 225w, https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresa-126x300.jpg 126w, https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresa-88x209.jpg 88w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/h2>\n<h2>Santa Teresa<\/h2>\n<p>Santa Teresa nasceu em \u00c1vila (Espanha) aos 28 de mar\u00e7o de 1515. Seu pai, Alonso de Cepeda, era vi\u00favo e tinha dois filhos quando se casou com sua m\u00e3e, Beatriz de Ahumada, e com ela teve mais dez filhos. Esta fam\u00edlia numerosa, descendente de judeus convertidos, era muito religiosa. Sua m\u00e3e faleceu quando Teresa tinha treze anos. Terceira filha do segundo matrim\u00f4nio de seu pai, Teresa era uma jovem muito vaidosa e soci\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, Teresa foi enviada por seu pai a um col\u00e9gio interno para estudar. Foi ent\u00e3o que, em contato com as religiosas do col\u00e9gio de Santa Maria da Gra\u00e7a, mesmo contra a vontade do pai, decidiu entrar para o Carmelo da Encarna\u00e7\u00e3o, motivada mais pelo temor do que pelo amor, pois tinha receio de viver uma vida de casada, semelhante \u00e0 das mulheres com que convivia, as quais reprovava. Ap\u00f3s um ano, contraiu grave doen\u00e7a e sua fam\u00edlia a colocou nas m\u00e3os de uma curandeira. Ficou t\u00e3o debilitada, que at\u00e9 foi dada como morta. Segundo Santa Teresa, ela foi salva devido \u00e0 intercess\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9. Por\u00e9m, a doen\u00e7a deixou sequelas por toda a sua vida.<\/p>\n<p>Enquanto estava doente, fez leituras sobre a vida franciscana, o que influenciou na sua evolu\u00e7\u00e3o espiritual e a introduziu na vida de ora\u00e7\u00e3o e recolhimento. Mesmo assim, Teresa continuava com intensa vida social dentro do Carmelo, pois seu temperamento alegre e afetivo trazia boas esmolas para o Convento. Apesar de apreciar o conv\u00edvio social, a experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o e espiritualidade passaram a inquiet\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em 1554, diante de uma imagem de Cristo chagado, iniciou sua transforma\u00e7\u00e3o espiritual, impulsionada n\u00e3o mais pelo temor, mas por um grande amor a Jesus, que a amou primeiro. Dois anos depois ocorreu sua convers\u00e3o definitiva, com a irrup\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, quando ocorre tamb\u00e9m sua cura e liberta\u00e7\u00e3o dos problemas afetivos que carregava desde jovem. Em 1562 fundou o primeiro convento de S\u00e3o Jos\u00e9 das freiras descal\u00e7as, em \u00c1vila, levando uma vida intensa de muitas viagens e de funda\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios outros conventos de monjas e de frades.<\/p>\n<p>Do seu gosto pela leitura, adquiriu s\u00f3lida cultura teol\u00f3gica e espiritual. Quando se viu privada das leituras que a tinham iluminado no seu processo espiritual, devido \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>\u00cdndice de livros proibidos<\/em>\u00a0pela Inquisi\u00e7\u00e3o em 1559, Deus saiu ao seu encontro: \u201cN\u00e3o tenhas pena, que Eu te darei livro vivo\u201d. A partir da\u00ed, Jesus Cristo se torna seu mestre interior e Teresa alimenta o desejo de comunicar Cristo, transformando-se em apaixonada escritora. Por ser mulher escritora, era mal vista pela Igreja e muitas vezes sofreu com a Inquisi\u00e7\u00e3o, correndo o risco de ser condenada como herege. Mas, para obter a benevol\u00eancia dos seus censores, deu-lhes a entender que ela escrevia por obedi\u00eancia e se reconhecia inculta, pecadora e inapta para a miss\u00e3o. Assim, toda a sua vasta obra de car\u00e1cter autobiogr\u00e1fico retrata sua experi\u00eancia concreta de vida e espiritualidade, dentre as quais se destacam: o Livro da Vida; Caminho de Perfei\u00e7\u00e3o; As Funda\u00e7\u00f5es; As Moradas; Contas de consci\u00eancia; Medita\u00e7\u00f5es sobre os c\u00e2nticos dos c\u00e2nticos; Cartas; Exclama\u00e7\u00f5es; Constitui\u00e7\u00f5es; Visita de descal\u00e7as; Desafio espiritual; Vexame; Poesias; Escritos soltos e memoriais.<\/p>\n<p>A partir de quando Teresa se abandonou nos bra\u00e7os de Cristo, Deus a conduziu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cs\u00e9timas moradas\u201d. Desta experi\u00eancia brota a espiritualidade teresiana, comprovando que Deus n\u00e3o deseja outra coisa sen\u00e3o dar-Se a quem O queira receber. Diz Teresa que Deus \u201cdoura as culpas\u201d e tira o m\u00e1ximo partido do que \u00e9 bom em cada um de n\u00f3s. O caminho que santa Teresa apresenta \u00e9 o da ora\u00e7\u00e3o, acolhendo como pobre o que Deus oferece e respondendo \u00e0 sua gra\u00e7a com uma entrega generosa de si pr\u00f3prio, deixando para tr\u00e1s tudo o que nos perturba e reconhecendo que \u201ctudo \u00e9 nada\u201d, e que \u201cs\u00f3 Deus basta\u201d.<\/p>\n<p>Sua morte ocorreu a 4 de outubro de 1582 em Alba de Tormes. Foi beatificada por Paulo V em 1614 e canonizada por Greg\u00f3rio XV em 1622. Santa Teresa foi a primeira mulher a receber o t\u00edtulo de doutora da Igreja, proclamado por Paulo VI em 1970. No Brasil, Santa Teresa \u00e9 padroeira dos professores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-359 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresinha.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"537\" srcset=\"https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresinha.jpg 225w, https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresinha-126x300.jpg 126w, https:\/\/arquidiocesebh.org.br\/santateresaesantateresinha\/wp-content\/uploads\/sites\/64\/2022\/12\/steresinha-88x209.jpg 88w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/h2>\n<h2>Santa Teresinha<\/h2>\n<div class=\"fusion-title title fusion-title-4 fusion-sep-none fusion-title-text fusion-title-size-div\">\n<div class=\"title-heading-left title-heading-tag fusion-responsive-typography-calculated\">Era o ano\u2026<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"fusion-text fusion-text-4\">\n<p>de 1887, dia 31 de outubro. Chovia muito. Teresinha se vestiu de branco. Arrumou os cabelos bem levantados, inocentemente ela queria parecer mais velha. Seu pai a acompanharia na audi\u00eancia com o senhor bispo de Bayeux, Dom Hugonin. Os dois foram conduzidos pelo vig\u00e1rio geral, padre R\u00e9v\u00e9rony, que dizia ver \u201cdiamantes\u201d nos olhos de Teresinha, t\u00e3o forte era o brilho esperan\u00e7oso da menina.<\/p>\n<p>Chegando ao senhor bispo, pai e filha se ajoelharam para receber a b\u00ean\u00e7\u00e3o. Dom Hugonin f\u00ea-los sentar numa poltrona enquanto ele se acomodou numa simples cadeira.<\/p>\n<p>Iniciando o di\u00e1logo, quando o bispo perguntou a Teresinha o que ela desejava, Dom Hugonin p\u00f4de ver as l\u00e1grimas caindo pelo rosto da menina que dizia:<\/p>\n<p>\u2013 Quero entrar para o Carmelo.<\/p>\n<p>O Pai de Teresinha tamb\u00e9m come\u00e7ou a falar as coisas mais belas a respeito da filha e o quanto ela desejava ser carmelita. O bispo, admirado, n\u00e3o escondeu seu contentamento e percebendo o cora\u00e7\u00e3o disparado de Teresinha pergunta:<\/p>\n<p>\u2013 Minha filha, qual \u00e9 mesmo a sua idade?<br \/>\n\u2013 Quinze anos, excel\u00eancia.<br \/>\n\u2013 Quinze anos! Voc\u00ea n\u00e3o acha ser prudente esperar um pouquinho mais?<br \/>\n\u2013 Excel\u00eancia, a voz que me chama n\u00e3o me fala em espera.<br \/>\n\u2013 Voc\u00ea tem certeza disso?<br \/>\n\u2013 Excel\u00eancia, eu sei que Deus n\u00e3o tem pressa, mas ningu\u00e9m pode atrasar quando Ele chama.<\/p>\n<p>Este foi um dos cap\u00edtulos iniciais sobre a voca\u00e7\u00e3o de Teresinha, que se tornou uma das santas mais conhecidas do mundo. Ela nasceu numa cidade do interior da Fran\u00e7a, Alen\u00e7on, a 2 de janeiro de 1873. Seus pais, Louis e Z\u00e9lie Martin, eram muito religiosos, o pai havia tentado ser monge, mas percebeu que sua voca\u00e7\u00e3o estava no matrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Batizaram o beb\u00ea, que era o nono filho do casal, com o nome de Maria Francisca Teresa Martin. A fam\u00edlia vivia confortavelmente, o pai era relojoeiro e joalheiro, e a m\u00e3e era uma empreendedora bordadeira \u2013 Alen\u00e7on era, e ainda \u00e9, famosa pelos seus lindos bordados art\u00edsticos.<\/p>\n<p>Ainda beb\u00ea, Teresinha teve uma forte enterite. N\u00e3o sabendo mais o que fazer para curar sua pequena Teresa, a m\u00e3e conseguiu uma ama de leite que vivia numa vila pr\u00f3xima, a senhora Rose Taill\u00e9. O beb\u00ea morou com esta fam\u00edlia por cerca de um ano. Os habitantes desta vila tinham o bonito costume de se presentear com rosas. \u00c9 poss\u00edvel que a precoce conviv\u00eancia com a beleza e o perfume das rosas ao seu redor, tenha dado a Teresa a sua paix\u00e3o por elas \u2013 ela gostava especialmente das rosas brancas e das vermelhas.<\/p>\n<p>Quando Teresinha tinha tr\u00eas anos de idade, a m\u00e3e, Z\u00e9lie, faleceu v\u00edtima de c\u00e2ncer. Teresa escolheu sua irm\u00e3 Paulina como sua segunda m\u00e3e. A fam\u00edlia mudou-se para uma pequena e tranquila cidade pr\u00f3xima, chamada Lisieux. Viviam numa bela casa chamada \u201cos Buissonets\u201d.<\/p>\n<p>Apesar da falta da m\u00e3e, a fam\u00edlia vivia feliz, com as irm\u00e3s mais velhas cuidando das irm\u00e3s menores e dos afazeres da casa. Eram cinco irm\u00e3s, pois as demais faleceram ainda beb\u00eas, coisa comum na \u00e9poca. O pai tinha um carinho especial para com Teresa, sua filha ca\u00e7ula, que chamava de \u201cminha rainha\u201d. A menina recebeu desde muito pequena uma boa forma\u00e7\u00e3o religiosa. Teve uma \u00f3tima educa\u00e7\u00e3o, iniciada pelas freiras beneditinas, que tinham um col\u00e9gio na cidade e que foi depois completada por uma professora particular. Desde pequena todos percebem que Teresa era muito piedosa, ela dizia que nunca iria recusar nada ao \u201cbom Deus\u201d, ela daria tudo o que Ele lhe pedisse.<\/p>\n<p>Quando Teresinha tinha 10 anos, ela adoeceu e tinha agita\u00e7\u00f5es, fortes tremores por todo o corpo, calafrios e dores muito fortes. O m\u00e9dico apenas conseguia dizer que era \u201cum caso muito grave\u201d, tanto que disseram n\u00e3o haver esperan\u00e7a de cura. Mas em suas mem\u00f3rias, ela contou que um dia suas irm\u00e3s se ajoelharam ao lado de sua cama e rezaram ao lado de uma imagem de Nossa Senhora das Vit\u00f3rias. Teresinha, mesmo fraca, tamb\u00e9m rezou e depois destas ora\u00e7\u00f5es ela relatou que \u201cde repente a Sant\u00edssima Virgem me pareceu bela, t\u00e3o bela como jamais tinha visto algo de t\u00e3o belo. Seu rosto respirava uma bondade e uma ternura inef\u00e1veis, por\u00e9m o que me penetrou at\u00e9 o fundo da alma foi o \u2018encantador sorriso da Sant\u00edssima Virgem\u2019\u201d. Depois deste \u201csorriso\u201d, Teresinha ficou completamente curada.<\/p>\n<p>O fato mais tocante de sua inf\u00e2ncia, no entanto, foi a primeira comunh\u00e3o, feita aos onze anos. Logo depois foi crismada. A comunh\u00e3o marcou o in\u00edcio de uma vida espiritual mais s\u00e9ria, com uma profunda uni\u00e3o de alma com Jesus. At\u00e9 ent\u00e3o, ela era piedosa, mas ainda uma crian\u00e7a. Desde a morte da m\u00e3e, ela chorava por qualquer coisa, era uma crian\u00e7a muito sens\u00edvel e delicada, sua sa\u00fade nunca foi muito boa.<\/p>\n<p>No Natal de 1886, aos 13 anos, ela recebeu uma gra\u00e7a muito grande que chamou de sua \u201cconvers\u00e3o\u201d. Ela deixou ali definitivamente de ser crian\u00e7a e compreendeu que Deus queria que ela oferecesse a Ele todos os seus sofrimentos e todo o seu ser. Ela o fazia silenciosamente, nunca se queixando ou comentando o que lhe acontecia. Apesar de ainda muito nova, seu sonho j\u00e1 era o de se consagrar a seu Deus como carmelita. S\u00f3 se soube disso depois de sua morte, ao se ler seu di\u00e1rio de mem\u00f3rias, que passou a ser conhecido como \u201cHist\u00f3ria de uma Alma\u201d. Ali se l\u00ea como ela, com toda simplicidade, subia espiritualmente para conseguir uma grande uni\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p>Num trecho de suas mem\u00f3rias sobre a \u00e9poca de sua convers\u00e3o, ela escreveu: \u201cquando falo em mortifica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o quero me referir \u00e0s penit\u00eancias dos santos. Longe de querer aparecer como aquelas almas de impressionante valor, que desde a inf\u00e2ncia se entregaram a toda sorte de penit\u00eancias. As minhas mortifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o modestas e consistem primordialmente em quebrar a minha vontade, e assim, evitar qualquer resposta \u00e1spera, ou palavra de r\u00e9plica, em prestar pequenos favores \u00e0s pessoas de minha conviv\u00eancia e muitas outras iniciativas deste g\u00eanero. Desse modo, ia-me preparando com o exerc\u00edcio destes \u2018nadas\u2019, para ser uma digna esposa de Jesus, utilizando o tempo de espera para me aprimorar na ren\u00fancia de mim mesma, no cultivo da humildade e nas demais virtudes\u201d.<\/p>\n<p>A essa altura, duas de suas irm\u00e3s j\u00e1 haviam entrado para o Carmelo, como freiras de clausura. O Carmelo \u00e9 uma das congrega\u00e7\u00f5es religiosas femininas mais rigorosas da Igreja. Uma das irm\u00e3s que havia entrado no Carmelo era sua segunda m\u00e3e, Paulina. Teresa ardia de vontade de seguir suas irm\u00e3s. Mas sua idade n\u00e3o o permitia, era preciso ser maior de idade para entrar. Seus pedidos \u00e0 madre superiora e ao bispo local n\u00e3o adiantaram. Mas uma palavra dita pela superiora do Carmelo a encheu de esperan\u00e7a: s\u00f3 o Papa poderia abrir uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1887, seu pai decide participar de uma peregrina\u00e7\u00e3o a Roma e a convida a ir com ele. Teresa v\u00ea nisso uma oportunidade de ouro para pedir ao Papa a t\u00e3o sonhada dispensa para entrar no convento aos 15 anos de idade.<\/p>\n<p>O Papa nesta \u00e9poca era Le\u00e3o XIII. Teresa estava disposta a pedir diretamente ao Sumo Pont\u00edfice a autoriza\u00e7\u00e3o t\u00e3o desejada para entrar no Carmelo. A peregrina\u00e7\u00e3o ficou seis dias em Roma visitando as numerosas maravilhas da \u201ccidade eterna\u201d. No \u00faltimo dia, tiveram uma audi\u00eancia com o Papa e a pequena Teresa assim descreveu o encontro:<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s oito horas, nossa emo\u00e7\u00e3o foi profunda ao ver o Papa entrar para celebrar a santa Missa\u2026 Meu cora\u00e7\u00e3o batia muito forte e minhas ora\u00e7\u00f5es eram muito fervorosas \u2026O Evangelho desse dia continha essas palavras animadoras: \u2018N\u00e3o tenhais medo, pequeno rebanho, porque foi do agrado do vosso Pai dar-vos o seu reino\u2019. Eu n\u00e3o tinha receio, esperava que o reino do Carmelo fosse meu em breve. Eu n\u00e3o pensava, ent\u00e3o, nessas palavras de Jesus: \u2018Preparo para v\u00f3s, como o Pai preparou para mim, um reino\u2019. Isto \u00e9, reservo para voc\u00eas cruzes e prova\u00e7\u00f5es; s\u00f3 assim sereis dignos de possuir esse reino pelo qual ansiais. Como foi necess\u00e1rio que Cristo sofresse e assim entrasse em sua gl\u00f3ria, se n\u00f3s desejarmos ter um lugar junto a Deus, bebei do mesmo c\u00e1lice que ele bebeu!\u2026 Este c\u00e1lice foi-me apresentado pelo Santo Padre, e minhas l\u00e1grimas misturaram-se \u00e0 amarga bebida que me era oferecida. Depois da Missa de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, a audi\u00eancia come\u00e7ou. Le\u00e3o XIII estava sentado numa grande poltrona, vestido simplesmente de uma batina branca. Ao redor dele estavam cardeais, arcebispos e bispos\u2026 Pass\u00e1vamos diante dele, cada romeiro se ajoelhava\u2026 recebia sua b\u00ean\u00e7\u00e3o\u2026 foi-nos avisado que estava proibido falar com o Papa, pois a audi\u00eancia estava se prolongando demais\u2026 virei-me para minha irm\u00e3 Celina a fim de consult\u00e1-la: \u2018fala!\u2019 Disse-me ela. Um instante depois, eu estava aos p\u00e9s do Santo Padre. Tendo eu beijado sua sand\u00e1lia, ele me apresentou a m\u00e3o. Em vez de beij\u00e1-la, pus as minhas sobre as dele e levantando para o rosto dele meus olhos banhados em l\u00e1grimas, exclamei: \u2018Sant\u00edssimo Padre, tenho um grande favor para pedir!\u2019 Ent\u00e3o, o Soberano Pont\u00edfice inclinou a cabe\u00e7a, de maneira que meu rosto quase encostou no dele\u2026 \u2018Sant\u00edssimo Padre \u2013 eu disse \u2013 em honra do seu jubileu, permita que eu entre no Carmelo aos 15 anos\u2026<\/p>\n<p>Virando-se para o padre diretor da romaria, que me olhava surpreso e descontente, o Santo Padre disse: \u2018n\u00e3o compreendo muito bem!\u2019 \u2018\u2026Sant\u00edssimo Padre \u2013 respondeu o padre diretor \u2013 \u00e9 uma crian\u00e7a que deseja ingressar no Carmelo aos 15 anos, mas os superiores examinam a quest\u00e3o nesse momento\u2019. \u2018Ent\u00e3o, minha filha \u2013 respondeu o Santo Padre \u2013 olhando-me com bondade \u2013 fa\u00e7a o que os superiores disserem\u2019. Apoiando minhas m\u00e3os sobre seus joelhos, tentei um \u00faltimo esfor\u00e7o e disse com voz suplicante: \u2018Oh! Sant\u00edssimo Padre! Se o senhor disser sim, todos v\u00e3o estar a favor!\u2019 Ele me olhou fixamente e pronunciou as seguintes palavras, destacando cada s\u00edlaba: \u2018Vamos, vamos, voc\u00ea entrar\u00e1 se Deus quiser\u2019\u2026 A bondade do Santo Padre me animava e eu queria falar mais, por\u00e9m dois guardas tocaram-me polidamente para me fazer levantar. Vendo que isto n\u00e3o era suficiente, me seguraram pelos bra\u00e7os\u2026 e foi pela for\u00e7a que me arrancaram dali\u2026 No momento em que eu estava sendo retirada, o Santo Padre colocou sua m\u00e3o nos meus l\u00e1bios e levantou-a para me aben\u00e7oar. Ent\u00e3o meus olhos se encheram de l\u00e1grimas\u2026\u201d.<\/p>\n<p>Alguns meses depois, o bispo aceitou a entrada de Teresa no Carmelo para dali a tr\u00eas meses, ap\u00f3s a Quaresma de 1888. No dia 9 de abril, Teresa foi finalmente aceita no convento de Lisieux. Na v\u00e9spera, a fam\u00edlia toda se reuniu para o \u00faltimo jantar. O pai quase n\u00e3o falava, mas olhava sua querida Teresa com muito amor e carinho. Muitas l\u00e1grimas foram derramadas. No dia seguinte de manh\u00e3, eles se reuniram na capela do Carmelo. Ao final da Missa, toda a fam\u00edlia chorava, s\u00f3 Teresa estava contente: o grande dia havia chegado. Antes de atravessar a porta do convento, Teresa caiu de joelhos e pediu a seu pai para aben\u00e7o\u00e1-la. O pai a aben\u00e7oou chorando. Instantes depois, as portas do convento se fechavam por tr\u00e1s de Teresa, separando-a do mundo exterior.<\/p>\n<p>Ao entrar no convento de clausura, Teresa n\u00e3o s\u00f3 realizava seu sonho de se consagrar a Deus, mas dava um grande passo no desenvolvimento de um novo caminho para a santidade. Ela estava decidida a ser santa. Tinha um imenso desejo de fazer grandes coisas por Deus, de salvar muitas almas, de ser uma grande mission\u00e1ria em terras long\u00ednquas, em fazer grande sacrif\u00edcios por Deus e pelas almas. Mas ela pr\u00f3pria, em sua humildade, acreditava que era fraca, que n\u00e3o tinha grandes qualidades humanas, nem muitos estudos, tudo nela era de pequenas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>Apenas dois anos e meio ap\u00f3s sua entrada no Carmelo, Santa Teresinha fez sua profiss\u00e3o solene em setembro de 1890, com os votos perp\u00e9tuos e o recebimento do h\u00e1bito definitivo. Seu pai encontrava-se internado numa cl\u00ednica com graves perturba\u00e7\u00f5es mentais. Santa Teresinha passou por um longo per\u00edodo de aridez espiritual, a \u201cnoite de trevas do esp\u00edrito\u201d, como dizia S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, cujos escritos a ajudaram muito.<\/p>\n<p>Seu novo caminho para a santidade veio a ser conhecido como \u201ca pequena via\u201d. Numa esp\u00e9cie de di\u00e1rio espiritual, dirigido \u00e0 madre superiora, Teresinha definiu esta nova via: \u201cSempre desejei ser santa. Mas, ai de mim, sempre verifiquei ao comparar-me com os santos, que h\u00e1 entre eles e eu a mesma diferen\u00e7a que existe entre uma montanha, cujo cume se perde nos c\u00e9us e um obscuro gr\u00e3o de areia. Em vez de desanimar, disse a mim mesma: O Bom Deus n\u00e3o pode inspirar desejos irrealiz\u00e1veis; posso, portanto, apesar de minha pequenez, desejar a santidade. Fazer-me crescer a mim mesma \u00e9 imposs\u00edvel; tenho de suportar-me tal como sou, com todas as minhas imperfei\u00e7\u00f5es, mas quero, contudo, procurar a maneira de ir para o C\u00e9u por um caminhozinho muito direto, muito curto, uma pequena via inteiramente nova\u2026 Eu queria encontrar um elevador que me levasse at\u00e9 Jesus, porque sou demasiado pequena para subir a rude escada da perfei\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o procurei nos Livros Sagrados a indica\u00e7\u00e3o do elevador \u2013 alvo do meu desejo \u2013 e li estas palavras sa\u00eddas da boca da Sabedoria Eterna: \u2018Se algu\u00e9m for pequenino, venha a Mim\u2019. Ent\u00e3o, aproximei-me, adivinhando que tinha encontrado o que procurava. Querendo saber, oh meu Deus, o que far\u00edeis com o pequenino que respondesse ao vosso apelo. Continuei minhas buscas e eis o que encontrei: \u2018Assim como uma m\u00e3e acaricia seu filhinho, assim, eu vos consolarei; levar-vos-ei ao colo e embalar-vos-ei nos meus joelhos\u2026\u2019 O elevador que me h\u00e1 de levar at\u00e9 o C\u00e9u, s\u00e3o os vossos bra\u00e7os, Jesus! Para isso n\u00e3o tenho necessidade de crescer; pelo contr\u00e1rio, \u00e9 preciso que eu permane\u00e7a pequena, e que me torne cada vez menor, oh meu Deus!\u201d<\/p>\n<p>Nesse di\u00e1rio espiritual, escrito a partir de 1895 a mando de sua irm\u00e3 de sangue e superiora, Madre In\u00eas, Teresa retratou sua vida interior. Neste livro bel\u00edssimo, intitulado Hist\u00f3ria de uma Alma, ela explica muito bem o que \u00e9 a sua \u201cpequena via\u201d. Durante sua vida no Carmelo, ningu\u00e9m leu estas mem\u00f3rias, a n\u00e3o ser a madre e sua irm\u00e3 Paulina, tamb\u00e9m carmelita. Estes escritos extraordin\u00e1rios foram publicados um ano ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p>Durante sua vida no convento, Teresa foi uma simples freira, nada fazendo de extraordin\u00e1rio aos olhos do mundo. Era exemplar no cumprimento das regras e procurava fazer o bem a todas as freiras. Em sua \u00edntima uni\u00e3o com Deus, Santa Teresinha adquiriu dom\u00ednio completo sobre os seus atos e sua vontade. Gra\u00e7as a isto, todas as virtudes come\u00e7aram a desabrochar em sua alma. Isto s\u00f3 foi poss\u00edvel com um esfor\u00e7o perseverante e com muita luta contra suas tend\u00eancias, contra si mesma. No Carmelo, sempre quis ser a humilde serva de suas irm\u00e3s, servindo a todas com muito amor.<\/p>\n<p>Eis como ela descreveu sua voca\u00e7\u00e3o religiosa: \u201cNa primeira ep\u00edstola aos Cor\u00edntios, S\u00e3o Paulo diz que nem todos podem ser ao mesmo tempo ap\u00f3stolos, profetas e doutores, porque a Igreja \u00e9 composta por diferentes membros e que, portanto, os olhos n\u00e3o fazem o servi\u00e7o das m\u00e3os. Continuei a leitura e encontrei este conselho: \u2018aspirai aos dons mais altos. Ali\u00e1s, posso indicar um caminho que ultrapassa a todos\u2019 (1Cor 12,31). E explica o Ap\u00f3stolo como todos os dons, mesmo os mais perfeitos, n\u00e3o s\u00e3o nada sem o amor\u2026 E que o amor \u00e9 o caminho mais excelente para encontrarmos Deus. Esta revela\u00e7\u00e3o surpreendeu-me e trouxe paz ao meu esp\u00edrito. Agora, com mais tranquilidade, continuo a busca do meu lugar na Igreja, porque, quando examinei os membros descritos por S\u00e3o Paulo, n\u00e3o havia encontrado no corpo m\u00edstico um lugar para mim. Foi o amor que me deu a chave da minha voca\u00e7\u00e3o. Isto porque, se o corpo da Igreja era composto por membros diferentes, n\u00e3o podia lhe faltar o mais nobre e mais necess\u00e1rio dos \u00f3rg\u00e3os, o cora\u00e7\u00e3o. Ora, a Igreja tinha tamb\u00e9m um cora\u00e7\u00e3o e este, naturalmente, se abrasava de amor\u2026 Desse modo, fiquei finalmente entendendo que o amor \u00e9 o cofre onde estavam todas as voca\u00e7\u00f5es, que o amor \u00e9 tudo, que abrangia todos os tempos e todos os lugares, porque \u00e9 eterno! Ent\u00e3o, no auge de minha delirante alegria, exclamei: Jesus, meu amor\u2026 Encontrei, por fim, minha voca\u00e7\u00e3o: voca\u00e7\u00e3o para amar!\u201d<\/p>\n<p>E este amor era praticado da seguinte forma: \u201cAssim se consumir\u00e1 minha vida\u2026 n\u00e3o tenho outro meio de provar a Jesus o meu amor, sen\u00e3o o de lan\u00e7ar flores, isto \u00e9, n\u00e3o deixar escapar nenhum pequeno sacrif\u00edcio, nenhum olhar, nenhuma palavra, aproveitar todas as menores coisas e faz\u00ea-las por amor\u2026 quero sofrer por amor e gozar por amor\u201d.<\/p>\n<p>De dentro de seu convento de clausura, Santa Teresinha ardia de desejo de ser mission\u00e1ria. Seu ardor mission\u00e1rio se revelava no zelo pela salva\u00e7\u00e3o das almas. Sua miss\u00e3o foi a de fazer Deus ser amado, adorado por seu amor, por sua bondade. Seu desejo de ser mission\u00e1ria era t\u00e3o intenso, que escreveu que n\u00e3o desejava s\u00ea-lo somente durante alguns anos, mas desde a cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 a consuma\u00e7\u00e3o dos s\u00e9culos. Santa Teresinha ampliou o conceito de miss\u00e3o, mostrando que atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, todos podem ser mission\u00e1rios. Nesse sentido, ela foi uma verdadeira mission\u00e1ria sem nunca ter sa\u00eddo de seu convento: ela ajudou com suas ora\u00e7\u00f5es e sacrif\u00edcios os mission\u00e1rios, participando de seus trabalhos atrav\u00e9s de seu cora\u00e7\u00e3o solid\u00e1rio, sedento de levar as almas a Deus. Foi por esta raz\u00e3o que, em 1927, 30 anos ap\u00f3s sua morte, ela foi proclamada padroeira das miss\u00f5es pelo Papa Pio XI.<\/p>\n<p>Em junho de 1895, Santa Teresinha oferece sua vida a Jesus como v\u00edtima expiat\u00f3ria pelos pecadores: \u201cEu pensava nas almas que se oferecem como v\u00edtimas \u00e0 justi\u00e7a divina, a fim de desviar e atrair sobre si os castigos reservados aos culpados. Esse oferecimento parecia-me grande e generoso, mas estava longe de me sentir inclinada a faz\u00ea-lo. Oh, meu Deus, exclamei do fundo do meu cora\u00e7\u00e3o, s\u00f3 a vossa justi\u00e7a recebe almas que se imolam como v\u00edtimas? \u2026.Vosso amor misericordioso n\u00e3o precisa tamb\u00e9m? Em todo lugar v\u00f3s sois desconhecido ou rejeitado\u2026 Vosso amor desprezado vai ficar em vosso cora\u00e7\u00e3o? Parece-me que se encontr\u00e1sseis almas que se oferecessem como v\u00edtimas de holocausto ao vosso amor, as consumir\u00edeis rapidamente. Parece-me que estar\u00edeis feliz em n\u00e3o conter as ondas de infinita ternura que est\u00e3o em v\u00f3s\u2026 Oh, meu Jesus, que seja eu essa feliz v\u00edtima, consumais vosso holocausto pelo fogo do vosso divino amor! \u2026Madre querida, v\u00f3s que permitistes que eu me oferecesse assim a Deus, conheceis os rios, ou melhor, os oceanos de gra\u00e7as que vieram inundar a minha alma\u201d.<\/p>\n<p>Quase um ano depois, veio a prova que Deus havia aceito a sua generosa oferta de sua pr\u00f3pria vida: de repente, ela teve uma primeira crise de tuberculose. Ao mesmo tempo, ela estava numa crise espiritual, por onde n\u00e3o sentia mais nenhuma consola\u00e7\u00e3o ou prazer em rezar, em estar diante do Sant\u00edssimo Sacramento, nada a consolava. Era a noite espiritual, a aridez do esp\u00edrito. Mas Terezinha continuou rezando, oferecendo sacrif\u00edcios, fazendo atos de bondade e de entrega \u00e0 vontade divina, sem se importar com a aridez espiritual. A tuberculose a encheu de j\u00fabilo, pois entendeu que o oferecimento de sua vida fora aceito por Deus. Naquela \u00e9poca, ainda n\u00e3o havia cura para a tuberculose, que evolu\u00eda para a morte, com a doen\u00e7a destruindo os pulm\u00f5es. Alguns meses depois, Santa Teresinha piora e passa a morar na enfermaria do convento. A 30 de junho ela recebe a un\u00e7\u00e3o dos enfermos. Ela sofria muito, mas n\u00e3o se queixava.<\/p>\n<p>H\u00e1 um costume at\u00e9 hoje nos Carmelos, que ao morrer uma irm\u00e3, a superiora escreve uma carta aos demais conventos, relatando os fatos mais not\u00e1veis da vida da falecida. Estando acamada, j\u00e1 em estado grave, Santa Teresinha ouviu duas colegas freiras conversarem a seu respeito no corredor. Uma freira dizia para a outra: \u201cO que nossa Madre poder\u00e1 dizer da Irm\u00e3 Teresa do Menino Jesus ap\u00f3s sua morte? Ela \u00e9 uma boa irm\u00e3zinha, mas nada fez\u201d. A outra diz: \u201cEla nada fez de not\u00e1vel, n\u00e3o se a v\u00ea praticar a virtude, n\u00e3o se pode sequer dizer que ela seja uma boa religiosa\u201d. \u00c9 que Santa Teresinha havia praticado a sua \u201cpequena via\u201d, escondida aos olhos de todos, inclusive das freiras que moravam no mesmo convento.<\/p>\n<p>Seu estado de sa\u00fade foi piorando, seus sofrimentos eram atrozes. No dia 30 de setembro, ela ficou numa profunda paz e morreu serenamente \u00e0s 19h20 aos 24 anos de idade. Ao morrer, seu semblante se transformou num bel\u00edssimo sorriso.<\/p>\n<p>Os prod\u00edgios come\u00e7aram imediatamente ap\u00f3s sua morte, para espanto das irm\u00e3s que n\u00e3o davam muita import\u00e2ncia \u00e0quela jovem freira. A cela em que ela havia vivido foi tomada inexplicavelmente de um intenso perfume de violetas. Uma das irm\u00e3s do Carmelo sofria de anemia cerebral, mas durante o vel\u00f3rio de Teresinha, ao oscular o corpo da santa, ela foi imediatamente curada.<\/p>\n<p>Durante sua vida, Santa Teresinha foi desconhecida, at\u00e9 mesmo pelas freiras que conviviam com ela. Mas a futura santa pressentia, talvez por alguma revela\u00e7\u00e3o privada ou ilumina\u00e7\u00e3o interior, que esta situa\u00e7\u00e3o seria bem diferente depois de sua vida terrena. Em seu leito de morte ela disse: \u201cO que o bom Deus me reserva para depois de minha morte, o que eu pressinto de gl\u00f3ria\u2026 vai de tal modo al\u00e9m de tudo que se pode conceber, que por vezes sou obrigada a parar de pensar: sinto vertigem\u201d. Ela prometeu, pouco antes de entregar sua alma a Deus, que queria passar a eternidade fazendo o bem sobre a terra, disse que sua miss\u00e3o de rezar e pedir pelos pecadores e pelos necessitados, n\u00e3o acabaria com sua morte. Ela disse que faria \u201cchover\u201d p\u00e9talas de rosas sobre a terra, querendo dizer que queria conseguir de Deus muitas gra\u00e7as para quem as pedisse. Ela prometeu: \u201cTodos que me invocarem, receber\u00e3o minha resposta\u201d.<\/p>\n<p>Depois de sua morte, as pessoas amigas do Carmelo come\u00e7aram a invocar aquela jovem freira. Tendo obtido gra\u00e7as, contavam o fato a outros e assim, de boca em boca, a devo\u00e7\u00e3o a ela foi se espalhando como rastilho de p\u00f3lvora. Uma caracter\u00edstica importante na devo\u00e7\u00e3o a Santa Teresinha, \u00e9 a intimidade que logo se estabelece entre ela e seus devotos. Ela passa a viver a vida deles, interv\u00e9m ajudando-os mesmo nas menores dificuldades e a muitos consola nas atribula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Logo come\u00e7aram a afluir fi\u00e9is no convento de Lisieux para rezar para aquela freirinha desconhecida pelos homens, mas muito amada por Deus. O processo de beatifica\u00e7\u00e3o foi iniciado, e com os depoimentos das freiras que a conheceram melhor, com a leitura de suas cartas privadas e, sobretudo do seu di\u00e1rio \u00edntimo, a \u201cHist\u00f3ria de uma Alma\u201d, ficou evidente a sua santidade, ao mesmo tempo grande, imensa, simples, quase infantil. O processo terminou rapidamente e com \u00eaxito. Ela foi beatificada em 1923 pelo Papa Pio XI e seus restos mortais foram transladados para a capela do convento, para facilitar a visita dos numerosos devotos. Os milagres e gra\u00e7as alcan\u00e7adas por sua intercess\u00e3o ocorriam pelo mundo inteiro. O livro com suas mem\u00f3rias espirituais se transformou em best-seller em v\u00e1rios pa\u00edses, as edi\u00e7\u00f5es e tradu\u00e7\u00f5es se multiplicaram.<\/p>\n<p>Em 1925, o Papa Pio XI a proclamou santa numa solene cerim\u00f4nia de canoniza\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro. Foi uma das maiores cerim\u00f4nias deste tipo que Roma vira at\u00e9 ent\u00e3o: mais de 500.000 peregrinos vindos do mundo inteiro foram a Roma para a ocasi\u00e3o. O Papa estabeleceu a sua festa lit\u00fargica para o dia primeiro de outubro de cada ano. Por todo o mundo come\u00e7aram a ser constru\u00eddas igrejas e capelas em homenagem \u00e0 grande pequena santa de nossos tempos. Hoje j\u00e1 h\u00e1 mais de 2.000 igrejas em louvor a Santa Teresinha. E, algo incr\u00edvel, aquela jovem freira de poucos estudos, que nunca escreveu nenhum tratado de teologia, nem nenhum outro livro, foi proclamada pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II como doutora da Igreja, honraria concedida s\u00f3 a uns poucos grandes santos te\u00f3logos. Isto se deveu \u00e0 sua formula\u00e7\u00e3o original e util\u00edssima para os fi\u00e9is da \u201cpequena via\u201d para se chegar \u00e0 santidade. Ela tamb\u00e9m foi proclamada pelos bispos da Fran\u00e7a como co-padroeira do pa\u00eds, junto com Santa Joana d\u2019Arc e co-padroeira de toda a Europa. Em 1980 o Papa Jo\u00e3o Paulo II foi como peregrino a Lisieux para rezar junto \u00e0s suas rel\u00edquias. Estas rel\u00edquias passaram a viajar pelo mundo.<\/p>\n<p>Um detalhe curioso que liga a santa ao Brasil: ao querer atender aos numerosos pedidos para que suas rel\u00edquias viajassem pelo mundo, a superiora do Carmelo pediu \u00e0 Igreja do Brasil se seria poss\u00edvel mandar fazer uma urna com madeiras preciosas de nosso pa\u00eds para ali colocar as rel\u00edquias da santa. Os bispos brasileiros atenderam ao pedido, e a \u201curna brasileira\u201d passou a percorrer o mundo, sempre atraindo imensas multid\u00f5es. Tem havido muitas convers\u00f5es durante estas viagens. Tornou-se costume entre os fi\u00e9is rezar a novena a Santa Teresinha e lhe pedir uma rosa como sinal de que a gra\u00e7a pedida ser\u00e1 alcan\u00e7ada. A chuva de rosas que ela prometeu, continua, basta pedir com f\u00e9 e devo\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Santa Teresa Santa Teresa nasceu em \u00c1vila (Espanha) aos 28 de mar\u00e7o de 1515. Seu pai, Alonso de Cepeda, era vi\u00favo e tinha dois filhos quando se casou com sua m\u00e3e, Beatriz de Ahumada, e com ela teve mais dez filhos. Esta fam\u00edlia numerosa, descendente de judeus convertidos, era muito religiosa. 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