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O Ano da Vida Consagrada

Por Pe. Vinícius Augusto Ribeiro Teixeira, C.M.

(Pároco na paróquia São José, forania São José (Calafate) / RENSE)

Estamos em plena vivência do Ano da Vida Consagrada (VC), convocado pelo Papa Francisco para o período de 30 de novembro de 2014 a 2 de fevereiro de 2016. Como sucessor de Pedro, mas sobretudo como homem consagrado, Francisco convida seus irmãos e irmãs de vocação a “dar graças ao Pai, que nos chamou para seguir Jesus na plena adesão a seu Evangelho e no serviço da Igreja e que derramou em nossos corações o Espírito Santo que nos dá alegria e nos faz dar testemunho ao mundo inteiro de seu amor e de sua misericórdia”. A VC, esta milenar forma de vida cristã, define-se substancialmente por sua radical identificação com Cristo, fundamento de sua decisiva orientação para o mistério de Deus (mística), da fraternidade que reúne e fortalece seus membros (comunidade) e de seu compromisso com o Reino, concretizado em diferentes modos de presença e atuação na Igreja e no mundo (missão).

Através de sua Carta Apostólica, o Papa indica os objetivos deste Ano: 1. Olhar com gratidão o passado, reconhecendo admirados a ação criativa do Espírito na história dos Institutos de VC e no desenvolvimento de seus respectivos carismas, reafirmando a confiança no amor providencial do Senhor e verificando eventuais falhas e incoerências na correspondência ao seu chamado. 2. Viver com paixão o presente, centrando-se no coração pulsante da VC: a vida e a missão de Jesus Cristo, tal como o Evangelho no-lo propõe e os fundadores o contemplaram, a fim de que entremos na corrente de sua paixão pelo Pai e de sua compaixão pelos irmãos, firmando-nos em uma entrega generosa e abnegada, impulso de verdadeira liberdade. 3. Abraçar o futuro com esperança, para que, à inevitável diminuição numérica e à perda de visibilidade social da VC, corresponda uma nova primavera de fidelidade criativa à sua vocação específica, fazendo-nos sensíveis e solidários às necessidades e apelos que mais interpelam a missão da Igreja hoje.

As expectativas do Papa Francisco para o Ano da VC sintetizam e exprimem nossas buscas e anseios mais sinceros: 1. Felicidade experimentada e demonstrada na vivência íntegra e comprometida da vocação, de modo a “transparecer a alegria e a beleza de viver o Evangelho e seguir a Cristo”. 2. Profecia capaz de “despertar o mundo”para “a lógica evangélica do dom, da fraternidade, do acolhimento da diversidade, do amor recíproco”, colocando-nos em atitude de discernimento da voz de Deus nos acontecimentos da história. 3. Comunhão fraterna, “que sempre se abre ao encontro, ao diálogo, à escuta, à ajuda mútua, e nos preserva da doença da autorreferencialidade”, habilitando-nos para promover a “mística de viver juntos” na Igreja e na sociedade. 4. Sair de si mesmos para ir às periferias existenciais, onde se acham “pessoas que perderam toda a esperança, famílias em dificuldade, crianças abandonadas, jovens a quem está vedado qualquer futuro, doentes e idosos abandonados, ricos saciados de bens mas com o vazio no coração, homens e mulheres à procura do sentido da vida, sedentos do divino…”. 5. Interrogar-se sobre o que Deus e a humanidade pedem à VC, de modo que os Institutos, contemplativos ou apostólicos, avaliem a qualidade de “sua presença na vida da Igreja e seu modo de responder às incessantes e novas solicitações que se levantam ao nosso redor, ao clamor dos pobres”.

Por fim, o Papa Francisco abre horizontes de revitalização da VC, envolvendo toda a Igreja neste Ano que deve ser “um tempo de Deus, rico de graças e transformação”. Para isso, convoca os leigos(as) a prosseguirem na partilha dos carismas que dinamizam a VC; convida todos os cristãos a louvarem o Senhor por este dom, recordando o legado de santidade e caridade de fundadores(as) da têmpera de São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa de Ávila, São Vicente de Paulo, Beata Teresa de Calcutá, etc; estimula a interação com pessoas consagradas de outras Igrejas e tradições, especialmente no que tange a uma maior colaboração no serviço à vida humana; e, por fim, solicita aos bispos acolhida, acompanhamento e incentivo à VC, “de modo a fazer resplandecer sua beleza e santidade na Igreja”.

A Arquidiocese de Belo Horizonte e, nela, a Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança têm motivos fortes para celebrar este Ano. Como não bendizer o Senhor pela fecundidade de tantas pessoas consagradas que já passaram por nossas Comunidades, testemunhando a alegria de pertencer a Cristo e servir aos irmãos com o ardor de seu zelo e a sabedoria de seu Espírito. Seria suficiente trazer à memória as figuras primaveris do Bem-aventurado Padre Eustáquio e da Irmã Benigna. Também entre nós, seja o Ano da VC tempo de confiar ao maternal auxílio da Virgem Maria, “modelo insuperável de seguimento no amor a Deus e no serviço do próximo”, a vida e a missão de todas as pessoas consagradas, chamadas a ser memória viva do Evangelho, profecia do Reino e sinal de esperança, prosseguindo fieis e felizes neste caminho de autêntica liberdade e despertando nos jovens o desejo de palmilhar as mesmas sendas de fé perseverante e amor incansável.

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