Pastoral da Sobriedade promove a recuperação de dependentes a partir da fraternidade cristã

As más companhias na adolescência contribuíram para que Eduardo Soares da Silva enveredasse por caminhos tortuosos. Experimentou álcool, cocaína, crack, maconha e outras drogas. Passava os dias se embriagando e se entorpecendo em festas ou em bares de Belo Horizonte. Sua mãe, Maria Aurora, sempre lhe pediu que parasse de se drogar, mas ele sempre se recusava a atendê-la. Depois de ser diagnosticada com uma hepatite C, que evoluiu para um câncer agressivo no fígado, sua mãe ficou com a saúde muito fragilizada, em 2004, mas sempre manifestava ao filho o seu desejo de que ele parasse de se drogar.  Depois de uma noite na gandaia, Eduardo chegou à casa dele totalmente drogado e, vendo a mãe mais vulnerável ainda, resolveu que jamais se doparia novamente. A mãe pôde ter certeza da promessa cumprida e viveu mais 12 anos ao seu lado até 2016.

 

Eduardo Soares, segurando a foto de sua mãe já falecida, venceu a dependência química com a ajuda da Pastoral da Sobriedade. “Prometi para a minha mãe que jamais voltaria a usar drogas”, conta.  Hoje, a sua história inspira outras pessoas que buscam se recuperar.

Pouco depois da promessa, Eduardo Soares passou a frequentar a Pastoral da Sobriedade na Paróquia Cristo
Redentor, no Barreiro. “Perdi muito tempo da minha vida embriagando-me e fazendo consumo exagerado e drogas e só pensava em recuperar o tempo perdido”, disse Eduardo Soares, que se recorda de ter deixado de prestar auxílio a um irmão querido, que morreu devido a um câncer no cérebro. “Fiquei uns dois anos sem dar um abraço nele e poder dizer o quanto eu o amava. Nesse momento que ele mais precisava de mim, eu estava consumindo drogas”, recorda-se.

Atualmente, Eduardo trabalha como coordenador de Mobilização na BHTrans e, pela Pastoral da Sobriedade, faz palestras em que apresenta o seu testemunho de vida nas empresas, escolas e universidades. Esteve até mesmo em cidades do Mato Grosso (Vila Rica, São Félix do Araguaia e Santa Terezinha), no Rio de Janeiro, no estado de Goiás, em aldeias de índios Tapajós e Carajás e em cidades do interior de Minas Gerais, para narrar sua experiência de vida. “A droga está em toda a parte. As tentações são grandes, até mesmo quando o corpo do dependente fica em abstinência, mas com vontade e fé é possível superá-las”, conta Eduardo Soares.

Na Paróquia Cristo Redentor, no Barreiro, ele conheceu a esposa, com quem tem uma filha. Ele é pai de um enteado e possui ainda um filho de um relacionamento anterior. “Sempre digo para eles nunca se envolverem com nenhum tipo de drogas. E tenho certeza de que vão seguir um ótimo caminho”, ressalta. Na Pastoral, ele aprendeu que os agentes são multiplicadores de vida.

Coordenadora arquidiocesana da Pastoral da Sobriedade desde janeiro de 2019,  Vilma Miranda Saraiva, 48 anos,  diz que a grande missão  da Pastoral é resgatar a vida daqueles que estão no caminho da morte. “Por meio da vivência dos 12 passos do Programa de Vida, oferecemos a oportunidade de mudança efetiva para os dependentes e suas famílias”, explica Vilma Miranda.  Os dozes passos a que ela se refere são: admitir, confiar, entregar, arrepender-se, confessar, renascer, reparar, professar a fé, orar e vigiar, servir, celebrar e festejar.

A proposta da Pastoral da Sobriedade para os próximos meses, além de formar novos líderes, é fortalecer os vínculos entre os grupos existentes em várias paróquias da Arquidiocese de Belo Horizonte. “Estamos fazendo um cadastramento dos grupos para podermos enviar relatórios para a coordenação nacional da pastoral e, com isso, alimentar um banco de estatísticas de atendimento”, salienta a coordenadora.

 

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