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A ternura de Deus conforta, restaura e cura – artigo do padre José Benone, Paróquia Santa Clara e São Francisco

É imprescindível estender a mão, emprestar o ouvido e fazer com que a pessoa perceba, que pela mediação dos caminhos terapêuticos, a ternura de Deus conforta, restaura e cura

Segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) mais de 350 milhões de pessoas em todo mundo sofrem de depressão.

O que podemos pensar sobre as causas que levam as pessoas para situação tão terrível de sofrimento dessa enfermidade que acomete não só o corpo mas especialmente a alma?

Os diferentes aspectos da depressão, em sua complexidade, vão desde a enfermidade profunda, mais ou menos prolongada, até um estado transitório, relacionado com acontecimentos difíceis como conflitos conjugais ou familiares, problemas profissionais graves e situações de solidão, chegando ao ponto de se perder o sentido da vida. Todos esses aspectos pedem atenção e cuidados. E considerando que o indivíduo não é uma ilha, não se realiza isolado, é preciso lutar especialmente para que se desenvolvam projetos sócio-afetivos e de valorização do ser humano em sua integridade.

Outra questão extremamente grave e que muito contribui para intensificar os sofrimentos da alma está atrelada ao que chamamos de mundo globalizado. Se por um lado, a globalização aproxima as culturas em suas diversidades, favorecendo e mesmo oferecendo positivas contribuições à sociedade, especialmente ao que consideramos respeito às diferenças, por outro, gera preocupação. A força de uma política de merchandising direcionada, quase sempre arrojada, com excessivas novidades, traz, em geral, o que não é novidade nessa área: a “mensagem camuflada”, na qual a ideologia do consumismo força o indivíduo a inventar, criar e mesmo alimentar expedientes de necessidades desnecessárias e supérfluas.

Nocivas à pessoa, essas necessidades criadas pelo consumismo vão se acumulando e, com isso, comprometendo orçamentos pessoais e familiares. Gasta-se mais do que se recebe. Conduta que gera situação de desestabilidade e, sem chão, o indivíduo mergulha em um turbilhão de inseguranças e incertezas. É como se uma nuvem negra rondasse o espaço existencial pessoal, percorrendo a geografia interior do indivíduo, expandindo-se para os demais espaços físicos e provocando literal prostração do corpo. Prejudica o estado de consciência e, por conta da mente descompensada, inviabiliza as utopias, sonhos, projetos e, especialmente, a grandeza do desejo de se puxar fôlego para continuar na caminhada, sem se perder ou ficar no caminho.

Importa tomar consciência das repercussões nas pessoas das mensagens que são transmitidas pelos meios de comunicação de massa, que exaltam o consumismo, a imediata satisfação de todos os desejos, a corrida para o bem-estar material cada vez maior.

Como entendo que a depressão é essencialmente uma tribulação espiritual que se inscreve no corpo pedindo socorro, urge, lançando mão dos mais diversos expedientes terapêuticos da medicina psicológica ao nosso alcance, recuperar tão precioso caminho, fundamento de toda a existência. É imprescindível estender a mão, emprestar o ouvido para uma escuta atenta e, sobretudo, fazer com que essa pessoa perceba, pela mediação desses caminhos terapêuticos, a ternura de Deus que conforta, restaura e cura.

 

 

 

 

Padre José Benone Nascimento
Administrador paroquial da Paróquia Santa Clara e São Francisco