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O simbolismo da Aliança na Leitura bíblica (5)

O povo é chamado ao cumprimento da Aliança

 

A aliança do Sinai é o ponto central da história bíblica no Primeiro Testamento. Aqui o povo se coloca para ouvir o que Deus tem a dizer por meio de Moisés, e cabe ao povo aceitar ou não. Toda a orientação dada e os mandamentos são direcionados para o chamado de Deus ao povo, para uma peregrinação de fé através do deserto em direção à terra prometida. Conta-nos a história que esse povo caminhou por 40 anos até chegar a Canaã.

Na chegada à terra prometida, quem irá ajudá-los é Josué. Este novo líder, depois de estabelecer cada tribo em sua região, irá convocá-las para uma assembleia e, junto com elas, fazer o memorial de toda caminhada pelo deserto e como Deus caminhou sempre com eles. Agora é chegada a hora de se colocar a serviço do Senhor.

 

A grande assembleia de Siquém, realizada por Josué (Js 24), marcou a unidade de Israel

Uma unidade do povo que é dada pela unidade da fé

Conquista que é obra de todos

Josué utiliza-se da Assembleia para que o povo possa fazer escolha: seguir ao Senhor ou aos outros deuses. O texto é muito bonito, traz consigo um memorial da caminhada do povo no deserto e as maravilhas que foram realizadas por Deus. Todas expressas no estilo literário sobre o qual já conversamos. É utilizada uma linguagem alegórica, simbólica e poética que nos convida a saborear. Trata-se de uma linguagem figurada para traduzir sentimentos profundos. É o caso da aliança de Deus com seu povo que retrata o grande amor incondicional de Deus e sua fidelidade constante.

Por se tratar de uma aliança de amor e fidelidade onde os dois se comprometem (Deus e Israel), Josué vai convocar o povo a abandonar os ídolos e temer ao Senhor, servindo-o com integridade e com sinceridade. O tema da assembleia é sobre a fé do povo, ou seja, das tribos de Israel. Ela se pronuncia por Javé contra os deuses estrangeiros e termina falando da aliança e a sua lei escrita.

A grande assembleia de Siquém, realizada por Josué (Js 24), marcou a unidade de Israel. Uma unidade do povo que é dada pela unidade da fé. Conquista que é obra de todos, não de tribos isoladas (Js 1,14).  Siquém era, pela sua posição central, lugar favorável à reunião das tribos. Foi lá que Abraão ergueu um altar (Gn 12,6-7) e Jacó adquiriu seus direitos (Gn 33,18-20) e lançou fora os ídolos trazidos da Mesopotâmia (Gn 35,2-4).

Qual a resposta do povo que será dada à assembleia?

Depois de toda a memória da caminhada feita pelo povo até se estabelecer na terra prometida, é chegada a hora do povo de Israel fazer a sua escolha, temer e servir a Javé e abandonar os deuses aos quais serviram antes.

Como a assembleia é lugar de decisão, o povo faz a sua opção a javé e responde: “Javé nosso Deus é aquele que nos fez subir, a nós e a nossos pais, da terra do Egito, da casa da escravidão. Que fez esses grandes sinais diante dos nossos olhos, guardou-nos pelos caminhos e expulsou os outros povos de perto de nós, também os amorreus que habitavam a terra. Portanto, nós serviremos a Javé, pois ele é nosso Deus”.

Então Josué responde: “Vede como é difícil seguir a Javé, pois ele é um Deus santo e ciumento. Se o abandonar para servir a outros deuses, ele novamente vos fará mal”.

O povo responde: “É a Javé que serviremos”.

Josué disse ao povo: “Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes a Javé, para servi-lo”. Então, lançai fora, pois, os deuses estrangeiros que estão no meio de vós e inclinai vosso coração para Javé.

 O povo afirma: “É a Javé que serviremos e à sua voz obedeceremos”.

Dessa forma, podemos concluir que a aliança de Javé chega a seu povo, através de Josué, como memória de tudo quanto o povo experimentou em Deus, desde a saída do Egito, caminhando pelo deserto e se estabelecendo na terra da promessa.

Essa aliança de Deus com seu povo é permanente e continua na caminhada do povo de geração em geração. Vamos continuar com a história e descobrir como essa aliança se plenifica em Jesus Cristo que também nos convoca, pelo batismo, a jogar nossos ídolos fora e adorar ao nosso Deus que se mantém fiel á sua aliança conosco.
 

Neuza Silveira de Souza
coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de BH