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A evangelização como desafio de aproximação da “fé e razão”

A evangelização assume o desafio de aproximar fé e razão, por meio do diálogo atento, atualizado e corajoso. A ação evangelizadora de Jesus foi anunciar o Reino de Deus: salvação, libertação e transformação. Por sua vez, o Reino pede conversão, vigilância e fidelidade. É função da Igreja continuar a ação evangelizadora de Jesus que veio nos revelar o amor do Pai. Assim, o Senhor faz a Igreja sacramento seu e ela o acolhe e preserva, com grande cuidado, a fé que recebeu de Jesus, por meio de sua pregação, da Palavra de Deus revelada.

Como hoje se pode evangelizar a partir de Jesus, promovendo a aproximação fé e razão? Quais elementos essenciais da fé podem levar as pessoas a uma adesão intelectual à Revelação?

São Tomás de Aquino nos ajuda a compreender essa integração de fé e razão quando diz: “a fé consolida, integra e ilumina o patrimônio de verdade adquirido pela razão humana. A fé aceita a verdade sobre a base da palavra de Deus revelada, enquanto a razão aceita a verdade em virtude de sua evidência intrínseca ou imediata. Mas tanto a fé quanto a razão provêm de uma única fonte de toda verdade, o Logos Divino, que opera tanto no âmbito da criação como no âmbito da redenção”.

Não se tem como objetivo discutir aqui os elementos essenciais à nossa fé, presentes na oração do “Credo” ou “Símbolo Apotólico”, expressão privilegiada da fé da Igreja, professada desde os Apóstolos. Queremos aqui recordar um dos princípios a que devemos estar atentos e que nos ajudam nessa aproximação: Deus, como nossa fé professa, está no meio de nós e sempre se manifesta em nossa história, nossas vidas. Revela-se, procurando nos libertar para formas mais humanas de vida, cuja plenitude é a total comunhão com ele. (CR 174).

O que é revelação?

A revelação é um ato de comunicação: Deus se revela na nossa realidade por meios de fatos e palavras intrinsecamente unidos e. assim, vai nos mostrando sua vontade, seu desvelo. Os que vão se abrindo a essa experiência e percebendo Deus na própria vida, ao compartilhar essa vivência com aqueles a que estão mais próximos, por meio da Palavra Revelada, ajuda a ilumina o caminho do outro, ajudando-o a descobrir as verdades da fé.

Esta revelação pode acontecer:

 

A revelação de Deus se reproduz, de modo especial, na vida social das pessoas e dos povos: propõe mudanças, promove e ilumina a vida, denuncia o que escraviza e oprime

Em uma relação pessoal e dialogal em que Deus toma a iniciativa. Ele se autorrevela e manifesta seu amor. Fala conosco tomando-nos como amigos. Jesus oferece sua amizade para que todos tenham vida e vida plena (Jo 10,10) e a salvação a toda a humanidade. Nessa relação pessoal com Jesus somos convidados a assumir atitudes que promovam vida, como continuadores de sua missão.

Essa é também a razão de ser da Igreja, uma atitude missionária que define sua identidade.  Quando Jesus se comunica com pessoas particulares, revelando-lhes sua vontade, é para que elas a transmita aos demais. Do mesmo modo ele fez com os Apóstolos que, depois de instruídos, são enviados a todos para que anunciem as maravilhas do Deus de Jesus Cristo, numa ação comunitária. É Deus se revelando a um povo.

A revelação de Deus se reproduz, de modo especial, na vida social das pessoas e dos povos. Propõe mudanças, promove e ilumina a vida; denuncia o que escraviza e oprime. A pregação e as ações de Jesus têm conseqüências claramente sociais. Sendo assim, o amor de misericórdia para com todos os que têm suas vidas fragilizadas em qualquer de suas dimensões, exige de nós socorrê-los em suas necessidades urgentes. Do mesmo modo devemos contribuir para a formação de organismos ou instituições com estruturas mais justas, de forma a consolidar uma ordem social, econômica e política na qual não haja iniqüidade, e sim possibilidades para todos.  Esta é a missão da Igreja: faze-se presente nas novas realidades de exclusão e marginalização, lugares onde a vida está mais ameaçada, animada por uma Pastoral Social estruturada, orgânica e integral.

Numa revelação dinâmica, o acontecimento único – Jesus Cristo – pela ação do Espírito, vai-se fazendo presente na vida de cada pessoa, de cada grupo humano, de toda a sociedade que se abre à ação da Graça. A experiência cristã vai clareando, aprofundando e expressando melhor a verdade revelada. Nesse processo contínuo de crescimento e de desenvolvimento de nossas relações interpessoais com Deus vamos exercendo nossa missão de discípulos missionários no testemunho da Boa-Nova.

 

Neuza Silveira de Souza
Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética de Belo Horizonte