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9º Congresso da Apac é vivenciado a partir do tema “Ninguém é irrecuperável – Jubileu de 50 anos”

 O arcebispo de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, dedica benção especial ao 9º Congresso da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), vivenciado a partir do tema “Ninguém é irrecuperável – Jubileu de 50 anos”, por meio de especial mensagem que será apresentada na abertura do evento, nesta quarta-feira, dia 22 de junho. O Congresso será realizado entre os dias 22 e 25 de junho, no Sesc Venda Nova, em Belo Horizonte

Dirigindo-se de forma reverente aos promotores e participantes do 9º Congresso das Apacs, dom Walmor lembra que o evento nos remete a um desafio e a uma celebração especial: “Eis o desafio: esta verdade – Ninguém é irrecuperável – deve estar inscrita no coração e na mente de cada pessoa. Reconhecer que todos podem e devem ter a chance de se recuperar é o ponto de partida para que tenhamos um sistema prisional verdadeiramente comprometido com a ressocialização dos presos”.

A PUC Minas, que desenvolve diversos projetos de extensão em parceria com a Apac, também estará presente ao evento. O pró-reitor de Extensão, professor Wanderley Chieppe Felippe, e a diretora da Faculdade de Comunicação e Artes (FCA), Adelina Martins de la Fuente, participam da cerimônia de abertura, às 18h do dia 22.

A Faculdade de Comunicação e Artes (FCA), da PUCMinas apoia a cobertura oficial do congresso.

Durante o evento, os participantes poderão prestigiar a exposição Pela Luz dos Olhos Deles, composta por fotografias produzidas por recuperandos da Apac de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As imagens foram feitas durante oficinas de fotografia ministradas por extensionistas da FCA, como parte das atividades do programa de extensão (A)penas Humanos: ações interdisciplinares no âmbito da Apac. A parceria específica com a FCA também irá contemplar oficinas de fotografia e audiovisual, além de outras capacitações na área da Comunicação, como desdobramento do congresso, para que os recuperandos e recuperandas possam atuar em eventos futuros.

Acompanhe conosco a abertura do Congresso da APAC: link

 

Veja na Integra a mensagem especial de dom Walmor para aos promotores e participantes do 9º Congresso das Apacs:

Saúde e paz: são os meus votos e as minhas preces para a vida de cada um e de cada uma!

O 9º Congresso das Apacs – Associações de Proteção e Assistência aos Condenados -, vivido a partir do tema “Ninguém é irrecuperável – Jubileu de 50 anos”, remete-nos a um desafio e a uma celebração especial. Eis o desafio: esta verdade – Ninguém é irrecuperável – deve estar inscrita no coração e na mente de cada pessoa. Reconhecer que todos podem e devem ter a chance de se recuperar é o ponto de partida para que tenhamos um sistema prisional verdadeiramente comprometido com a ressocialização dos presos. A nossa fé cristã ensina: cada pessoa é sagrada, dom de Deus. Isto não significa ser conivente com faltas e pecados. Ao contrário, a fé cristã defende que o ser humano deve libertar-se de seus pecados, arrependendo-se, conscientemente, de seus erros, buscando redimir-se.

O autêntico cristão não se move pela vingança, pelo rancor. Está a serviço da vida, dissipando as sombras da morte que são fruto do pecado. Por isso mesmo, a Igreja une-se aos que buscam um sistema prisional capaz de efetivamente recuperar aqueles que se desviaram do bom caminho. A Bíblia ensina que Deus é misericórdia. A humanidade tem, pois, o dever de ser misericordiosa como o Pai. Enfrenta-se o pecado com a misericórdia, com o amor. Não à ira ou à raiva, que conduzem, ainda mais, a humanidade para o caminho da violência.

“Ninguém é irrecuperável” – uma verdade a ser ainda mais proclamada neste contexto de especial celebração: o Jubileu de Ouro das Associações de Proteção e Assistência aos Condenados. Um modelo de ressocialização que já se mostrou exitoso, recuperando muitas pessoas, e que deve ser ampliado. Trata-se de esperança para enfrentar cenários de violência agravados com a realidade do sistema prisional – ambiente que, nas suas atuais configurações, promove mais ódio e criminalidades, corrompendo a dignidade humana, acentuando cenários de morte provocados pelo pecado.

É necessária uma urgente reação, enxergando a dignidade humana que reside na individualidade de cada apenado, para, assim, resgatar pessoas da escuridão, conduzindo-as ao caminho do bem. Agradeço a Deus pelo dom da vida de cada pessoa que participa deste 9º Congresso das Apacs. Dedicar-se à recuperação daqueles que gravemente se desviaram do bom caminho é tarefa nobre. Indica uma capacidade singular de enxergar a presença de Deus em cada irmão, especialmente naquele mais ferido pelos limites humanos e existenciais.

Suplico a Cristo Rei, nosso mestre e senhor, que continue inspirando os trabalhos de todos, abençoando a vida de cada um e de cada uma, com a materna intercessão de Nossa Senhora da Piedade – Padroeira de Minas Gerais.

Fraterno abraço, com muito apreço

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo de Belo Horizonte

Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)