Santuário Arquidiocesano

Santuário Arquidiocesano da Santíssima Eucaristia - Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem

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Abraço de humildade

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DIÁRIO DOS (A)BRAÇOS
Abraço………………✍️ da HUMILDADE……. 08

✍️ Caro diário, desculpe o tempo, a distância, os dias sem nos pa✍️lavrar, sem escrever.

Não faltam ideias, pensamentos…
Escrever para mim é uma das formas de maior proximidade… Escrevo porque me entrego e, no que me entrego, me acho. Naquilo que me acho, me desfaço em mil palavras, histórias…

Escrevo não para ser abraçado, mas para abraçar o que estou pensando e sentindo e depois colocá-lo, suavemente, entre os braços e a folha que minha mente e o meu coração.

Acho que esses dias tropecei na vida em minhas correrias existenciais e ela me abraçou com um abraço humilde nestes últimos dias, diante da perda de 3 paroquianos e um primo de 40 anos.

Ao sair de um desses encontros com a morte me senti, por alguns instantes, enterrado também, em vida, com aqueles entes queridos, que lá deixava na terra.

Às vezes nesta pandemia, como diz a canção, “têm dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu”. Foi assim diante da morte da dona Juraci, do enterro do Escândar, da morte do Adilson Lamounier… de meu primo Paulo Roberto.

Nestes tempos de pandemia tenho apreendido muito com o sofrimento dos familiares que ficam, perante os que partiram, de que precisamos ter humildade de ser perante as pretensões nesta vida. Vida frágil e bela,
Vida forte e pequena. Vida luminosa e misteriosa.
Vida cheia de perguntas que carregamos junto da memória viva dos que amamos.
Já contamos mais de 55 mil mortos no país… 55 mil famílias, centenas de milhares de lutos.
…Mais de 1 milhão de contaminados!  E não sabemos quando isso vai parar de aumentar.

Quantos ainda terão que morrer? Quantos terão que sofrer por quem partiu sem dizer adeus?

Neste tempo de pandemia, é impressionante perceber como a morte consegue ser ainda mais traumatizante, imprevisível, difícil de ser digerida no nosso psiquismo.
Como ela consegue causar mais sofrimento ainda ao nos tirar pessoas que amamos…
Algo em tudo isso nos pede um novo caminho:
o da humildade do ser (humano) e de ser (melhor)!

De repente, tentamos nos equilibrar, emocionalmente,
nas palavras diante do morto que ali está (inerte) e diante dos vivos (poucos) que o velam naquele instante de despedida.
Nesta hora, a da morte, é que reparamos que “não somos nada” (diante dos abraços de vaidade deste mundo que caem com o corpo, que desce ao seio da terra) e que, ao mesmo tempo, somos tão especiais (singulares dentro dos abraços deixados pelo ente querido e que segue sendo contado na memória dos vivos que ali ficaram falando).

Neste instante, entre o que foi e o que não é mais, entre o que é e será mais ainda (quando guardado na memória dos viventes) que nos abraça o
“abraço da humildade”.

O mistério da vida vai além da morte e do morrer, ultrapassa toda e qualquer forma de compreensão humana.

Pois, o mundo não é dos soberbos, mas dos que sendo quem são se colocam diante da vida, do outro e de si mesmos como seres pequenos, vindos da terra, do húmus, da humanidade… terra sagrada da humildade, de onde viemos e para onde vamos.
Nesta hora de dor e de palavras deslocadas do verbo, da ação e do pensar, e, realinhadas no eixo da pura sensação resta-nos um caminho:
o de abraçar a humildade e com ela caminhar abraçados…
Às vezes durante a vida toda para
reaprendermos a viver.

Os que abraçam a humildade “possuirão a terra”…
a terra sagrada
onde reside
o coração humano.
a escrita,
a comunicação,
a autoridade de vida,
o laço.

A humildade do ser mostra ao ser (humano) que a vida pode ser grande, e ao mesmo tempo diminuta;
finita, e ao mesmo tempo sem fronteiras;
forte, e ao mesmo tempo frágil;
bela, e ao mesmo tempo assustadora;
luminosa, e ao mesmo tempo fosca;
revelada, e ao mesmo tempo velada;
imanente, e ao mesmo tempo transcendente.

No abraço da humildade descobrimos ou realçamos a vida carregada de
sentidos infinitos.

Então, descobrimos que a morte não pode matar nada que é da essência humana e que, semeada no amor, mostra-se incorruptível ao tempo.

Meu caro amigo diário de meus abraços:
às vezes fica difícil dormir, desligar, descansar… outros dias, faz-se sofrido ter que despertar, levantar, recomeçar. Entre dormir e despertar, fechar e abrir os olhos, precisamos com humildade redescobrir no tempo das coisas simples, a humildade de ser, existir, agir e relacionar-se. Nestes tempos, um abraço parece algo impossível, transgressor, onde um simples toque de mãos, um terno abraço, torna-se aterrador numa pandemia. E haja na terra dor, dores…  então, nestes momentos esvaziados de contato físico, eu me pego ensaiando a minha proximidade futura com as pessoas num tempo pós pandemia onde, com abraços humildes, ensaio a retomada da vida com um novo modo de ser, mais afrouxado, descolado (como dizem os jovens), descomplicado como mostram-nos as crianças em sua espontaneidade.

O que é simples mostra-se filho da humildade, do que é espontâneo e natural entre as pessoas. Não carece roteiro, rota, mapa, nem tradução…
é direto de coração pra coração. Por isso,

*Um abraço da humildade * torna simples o que começa complicado.
Levanta o fraco,
derruba o arrogante.

Um abraço da humildade
Faz crescer o que se mostra pequeno,
Diminuir o que se postula grande.

Um abraço da humildade
Ressuscita o que estava morto.
Faz morrer o que se nutria do ilusório.

Um abraço da humildade
Simplifica o caminho das emoções,
Fazendo-as chegar direto aos corações entre abraços.

Um abraço da humildade
Derruba do trono os poderosos,
E eleva os humildes.

Um abraço da humildade
Reduz a tempestade das paixões desordenadas
Coloca os abraçados em campo de brisa suave.

Um abraço da humildade
É bem aventurança dos pequenos,
Alegria dos retos de coração e de sentimentos nobres.

Um abraço da humildade
Liberta aquele que se sentia subjugado aos afetos alheios,
Atrela os mansos de coração entre braços, num largo sorriso de abraços.

Um abraço da humildade
Devolve ao perdido o seu ponto de partida,
E ao vaidoso faz perder o que julgava ter.

Um abraço da humildade
É fonte que limpa os equívocos da alma,
Fazendo florescer as margens do caminho da vida.

Um abraço da humildade
Não tira nada do que se faz simples e manso de coração,
Mas subtrai tudo daquele que se acha melhor,
Fazendo-o perder até aquilo que julgava ter.

Um abraço da humildade
Devolve a segurança ao fraco
E faz perder aquele que confia demais em suas próprias forças.

…Um abraço da humildade
Lembra-nos sempre da nossa origem,
De que somos pó, húmus…
E que um dia voltaremos à esta mesma origem.

Por isso, abrace mais os amigos verdadeiros, os familiares, a vida,
o que é nobre e incorruptível ao tempo, pois não sabemos…

Estimado leitor de meu diário, diário de meu leitor, receba este abraço da humildade que nos convida a pensar
na vida simples,
nas coisas simples, singelas, ternas e belas, porque elas passam. Mas aquilo que foi construído no amor, não tem morte que possa apagar.
Não tem retorno ao húmus que possa levar de nós o que foi semeado com amor.
Em tempos de arrogância, de cultura da prepotência, saibamos abraçar a humildade como virtude da lucidez, da humildade do ser.

Sejamos mais esvaziados dos abraços narcísicos para sermos abraçados e abraçadores do que vale a pena ser vivido.
Até que este dia chegue:
Seja como uma criança!
Tenha esperança!
Seja descomplicado!
Seja aberto! Intenso! Denso! Alegre! Humilde!

Afinal de contas, a história não é dos arrogantes, mas dos humildes de coração, de ação, sentimento e pensamento.
Por enquanto, perseverar na cultura dos abraços é preciso.

@pe.marcelo.bh