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[Artigo] Maria, mãe da Igreja – Neuza Silveira

Com o seu SIM incondicional a Deus, Maria é associada à obra da redenção. São João o confirma assim, no seu Evangelho (19,25-27). Na cruz, Jesus entrega sua mãe a São João, que representa ali a Igreja, e entrega João a Maria. São João conta que Maria estava ao pé da cruz, Ele também estava lá. E Jesus disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu Filho”. E disse a João: “Eis aí tua mãe”. Assim, Jesus deu sua mãe não somente para João, mas também para todos nós, a toda a comunidade dos amigos de Jesus. Assim, Maria é a mãe da Igreja que a acolhe com muito carinho, reconhecendo-a como a mãe que o Pai escolheu, que o seu Filho nos deu e que o Espírito nos concedeu como Mãe da Igreja.

Nesse sentido, todos nós, em todo tempo, a acolhemos como Mãe de Jesus Cristo, cabeça do Corpo místico, mãe de corpo todo. É também a nossa mãe por pertencermos à família redimida por Cristo. Maria continua exercendo sua maternidade sagrada na vida da Igreja atuante no mundo de hoje, e é venerada, desde os tempos antigos, com o título de Mãe de Deus. Uma Igreja que não é, em primeiro lugar, uma organização com leis e regulamentos, mas, antes de tudo, uma comunidade, lugar de encontro com o Cristo ressuscitado, pois ele disse: “onde dois ou três estão reunidos, em meu nome, eu estou no meio deles” (Mt. 18,20).

Maria, presença constante na evangelização

Maria tem representado um papel muito importante na evangelização das mulheres latino-americanas e tem feito delas evangelizadoras eficazes, como esposas, mães, religiosas, trabalhadoras e profissionais. Continuamente as inspira a fortaleza para dar a vida, debruçar-se sobre a dor, resistir e dar esperança quando os caminhos se tornam difíceis.

A presença de Maria é feminina, cria ambiente de família, o desejo de acolhimento, o amor e o respeito à vida, por isso a família cristã continua olhando para ela como exemplo de mulher, mãe e esposa. Sua presença é sinal de esperança e de consolação aos olhos do povo peregrinante.

Sigamos os passos de Maria, inspirando-nos no seu modo de vida para que possamos amar mais a Jesus e melhor segui-lo.

Dogmas Mariano – um pouco de conhecimento

Há uma grande dificuldade de integrar a sobriedade católica doutrinal do capítulo 8 da Lúmen Gentium com a complexidade do símbolo que é Maria para grande parte do povo crente. Há um distanciamento entre a imagem bíblica de Maria e o símbolo. Nota-se uma distância que separa a linguagem do dogma e da cultura. Ocorre também a perda de relevância da imagem de Maria e de suas raízes bíblicas para dois grupos importantes: os jovens e as mulheres.

Nesse sentido, pergunta-se como abordar a catequese a respeito de Maria? Não podemos perder de vista a ligação da importância de Maria para a fé cristã católica e a compreensão e formulação dos dogmas marianos.

Para bem entendermos a Maria dos Evangelhos, primeiramente se faz necessário conhecer a Maria que tem suas origens na fé judaica. Ela é uma mulher israelita, ou seja, de etnia e religião judaica. Nas escrituras, Maria representa todo o povo de Israel que espera, ansiosamente, o Messias. Em contraste com o NÃO de Eva (representando o NÃO da humanidade (Gn 3,15), Maria dá seu SIM incondicional a Deus (Lc 1,38).

A ação de Maria na Igreja se deve à bondade divina e deriva dos méritos de Jesus Cristo. Funda-se na mediação de Cristo e dela depende inteiramente. Toda a sua vida foi uma cooperação singular na obra do Salvador. Na fé, ela se torna nossa mãe na ordem da graça. Segundo A LG, em seu n. 63: A Virgem Maria está intimamente ligada à Igreja, sendo dela tipo e figura. Como Maria, a Igreja é também Mãe e Virgem. Tendo dado à luz a Jesus, seu Filho, constituído Cristo, Senhor e cabeça da Igreja, a Virgem Maria torna-se também mãe dos membros, cuja geração e educação ela coopera com amor.

Ao falar da virgindade de Maria, esta tem um forte sentido simbólico. Maria está toda voltada para Deus; é todo amor-doação ao Senhor. Não apresenta nenhum obstáculo para a ação de Deus. Pobre e humilde, tornou-se fecunda pelo Espírito Santo. Ela é toda de Deus e toda servidora dos homens. Esse é o sentido profundo de sua virgindade.

O Concílio Vaticano II traz ideias inspiradoras sobre a Igreja, principalmente na constituição Lúmen Gentium (LG) que fala da nossa eclesiologia, ou seja, dos tratados internos da Igreja.

No capítulo VIII, encontra-se o tema da “Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, no mistério de Cristo e da Igreja. A intenção do Concílio é falar da presença de Maria na economia da salvação, trazendo uma leitura bíblico-eclesial da preparação da Mãe do Redentor no Antigo Testamento e a sua figura no Novo Testamento: anunciação, infância de Jesus, sua vida pública, sua paixão e sua presença no meio da Igreja após a Ascensão de Jesus. Por sua maternidade espiritual, ela está sempre a repetir para seus filhos e filhas que façam sempre tudo o que seu Filho mandar. Maria é o tipo da Igreja como Virgem e Mães, gerando sempre filhos e filhas para a Igreja e oferecendo a todos o exemplo de suas virtudes para que sejam imitadas.

Por que dogmas?

Segundo Murad, os dogmas são como placas que indicam o caminho de nossa fé. Foram criados para ajudar a comunidade eclesial a se manter no rumo do Santuário vivo, que é Jesus. Os grandes dogmas surgiram nos primeiros séculos, para resolver questões de fé que não poderiam ser esclarecidos somente pela Sagrada Escritura. No século IV, período da oficialização do cristianismo como religião, foram realizados concílios pela Igreja para formular a doutrina da fé, fundamentando a identidade da fé cristã, conhecida hoje como “Santíssima Trindade”. No século XIX foram definidos os dogmas marianos da Imaculada Conceição e da Assunção. O Concílio Vaticano II ajudou a compreender melhor o lugar e a função dos dogmas. Recolocou a Bíblia como fonte para a teologia, a liturgia e catequese. Mostrou como a Tradição legítima da Igreja interpreta a Escritura e fornece elementos necessários para a vivência da fé. (MURAD, A. Maria toda de Deus e toda humana. Compêndio de Mariologia. São Paulo: Paulinas, 2012).

Após a leitura do texto, pode-se rezar uma Ave-Maria. Quando rezamos estamos fazendo memória das palavras que o anjo e Izabel falaram à Nossa Senhora. E nós acrescentamos ainda: Santa Maria, mãe de Deus. Lembrar do canto: “Consagração à Nossa Senhora.

Também fica o convite, se possível, participar em suas comunidades de alguma homenagem a Nossa Senhora (coroação ou alguma festividade).

Neuza Silveira de Souza. Coordenadora Arquidiocesana Bíblico-Catequética de Belo Horizonte.

 

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