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[Artigo] A Igreja e as famílias: como evangelizá-las? Neuza Silveira- Secretariado Arquidiocesano Bíblico-Catequético de BH

O cuidado com as famílias

Trazendo para nossa realidade a leitura que fazemos da Palavra de Deus, em todo o caminho percorrido, a família é o carro condutor. Lá está presente o Evangelho da família. Ele atravessa a história do mundo desde a criação do homem à imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26-27) até a realização do mistério da Aliança em Cristo no fim dos séculos com as núpcias do Cordeiro (Ap 19,9). A história se inicia com a criação. Deus disse: “façamos o ser humano à nossa imagem e segundo a nossa semelhança. Que ele domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todos os animais na terra e tudo o que rasteja pela terra”. “E Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou, homem e mulher, os criou”.

A partir daí, em toda a história da salvação desenvolvida no Antigo Testamento, está a família presente, atuante, atendendo ao mandato de Deus de cuidar de toda a criação. Com a atuação da família bíblica vamos aprendendo a lição de vida e trazendo para nossa realidade adequando-a aos nossos conflitos e ao novo modo de viver. A presença de Deus é constante em cumprimento à aliança que faz com seu povo. Ele não desiste nunca, de nós, suas criaturas, e quer nos manter unidos a ele em aliança. Uma aliança de amor incondicional, assim como fez com Oséias, convidando-o a ir em busca da amada e declarar seu amor, um amor que ultrapassa barreiras. Podemos ler em Oséias 2.21-22:

            “Eu te desposarei a mim para sempre,
eu te desposarei a mim na justiça e no direito, no amor e na ternura.
Eu te desposarei a mim na fidelidade
e conhecerás o Senhor”.

No Novo testamento aprendemos com o evangelista João que nos apresenta, na parábola das Bodas de Caná (Jo 2,1-12),  Jesus como o vinho novo, que vem estabelecer uma nova aliança nos sinalizando sua glória para que nele possamos crer. Surge uma nova comunidade da “nova aliança” que se cumpre definitivamente, por obra do Espírito Santo, que reconhece, naqueles que nele creem, como verdadeiros filhos e filhas de Deus:

“A alegria do amor que se vive nas famílias é também o júbilo da Igreja.

Apesar dos numerosos sinais de crise no matrimônio   “o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens, e isso incentiva a Igreja”. Essa comunidade da ‘nova’ aliança se cumpre definitivamente, por obra do Espírito de Cristo, que faz dos que nele creem, verdadeiros filhos e filhas de Deus: “Em Jesus, Deus nos escolheu antes da fundação do mundo, para sermos santos e íntegros diante dele, no seu amor. Conforme o desígnio benevolente de sua vontade, ele nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo, para louvor e glória da sua graça, com a qual ele nos agraciou no Amado” (Ef 1,4-6).

O matrimônio e a família recebem de Cristo, através da Igreja, a graça necessária para testemunhar esse grande amor de Deus e viver a vida de comunhão, tornando-se na vida matrimonial, o elo visível da nova aliança estabelecida entre Jesus e a comunidade nascente, a Igreja. Essa Aliança em Cristo encontra seu ponto culminante quando, a partir da releitura das Escrituras, se compreende que todas as promessas nelas contidas se realiza na pessoa de Jesus e na prática litúrgica e catequética dos seus discípulos seus seguidores.

Encontrar Jesus vivo, optar por Ele e sua proposta e segui-lo passou a ser um chamado de Deus feito à liberdade humana. Precisamos encontrar as palavras, as motivações e os testemunhos que nos ajudem a tocar o íntimo das pessoas, convidando-as para aceitar, com entusiasmo e coragem, o desafio da vida matrimonial. Levar até às pessoas a mensagem da Igreja sobre o matrimonio e família como reflexo claro da pregação e das atitudes de Jesus.

O Papa Francisco, em sua exortação apostólica pós-sinodal “Amoris Laetitia” ou seja, a que nos fala sobre o amor na família, nos chama a atenção para estarmos sempre com o olhar fixo em Jesus e deixar despertar em nós a vocação familiar, deixando ressoar sempre o primeiro anúncio, aquele que é mais belo e mais profundo e, ao mesmo tempo, mais necessário.  O nosso ensinamento sobre o matrimônio e família não pode deixar de se inspirar e transfigurar à luz deste anúncio de amor e ternura, se não quiser tornar-se mera defesa de uma doutrina fria e sem vida. O próprio mistério da família cristã só pode compreender à luz do amor infinito do Pai, que se manifestou em Cristo entregue até o fim e vivo entre nós (AL 59).

Partindo do querígma: “Jesus morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação, brota daí o chamado para o aprofundamento da fé, como adesão pessoal a Jesus Cristo e a tudo o que ele revela. Nas primeiras comunidades, a catequese querigmática construía um caminho para conduzir os adultos aos mistérios divinos, à plena conversão, profissão de fé e participação na comunidade, portanto o modelo daquilo que nós gostaríamos que acontecesse, hoje, em nossas catequeses, levando as famílias de nosso tempo à adesão à pessoa de Jesus Cristo.

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora do Secretariado Arquidiocesano
Bíblico-Catequético de Belo Horizonte

 

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