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Núcleo de Acolhida e Articulação da Solidariedade Paroquial

O Núcleo de Acolhida e Articulação da Solidariedade Paroquial (Naasp) cresce para se tornar uma rede de solidariedade, com o objetivo de amparar os mais pobres. Três paróquias que ficam em área de grande vulnerabilidade social já criaram suas unidades do Naasp: Nossa Senhora do Rosário, em Ribeirão das Neves, Nossa Senhora da Piedade, em Justinópolis, e Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, no Aglomerado da Serra.

 

Com a criação dos Núcleos, que funcionam como ramificações da Acolhida Solidária Dom Luciano Mendes de Almeida, localizada no bairro Lagoinha, em Belo Horizonte, a presença da Igreja torna-se mais próxima dos que precisam de ajuda. Antes, quem “morasse em Ibirité, por exemplo, e precisasse de uma assistência jurídica, deveria percorrer vários quilômetros até a sede do Vicariato. Agora, a assistência será mais rápida e feita por um profissional voluntário que more nas imediações de Ibirité. Assim também ocorre com o fornecimento de uma cesta básica ou a facilitação do acesso a uma política pública. Queremos, de maneira qualificada e rapidamente, fazer um atendimento a todos os mais sofridos que estão no âmbito da nossa Arquidiocese”, explica o padre Chico Pimenta, vigário para Ação Social e Política da Arquidiocese de Belo Horizonte. O projeto já foi apresentado a outras 36 paróquias da Região Metropolitana de Belo Horizonte e 11 delas pretendem, em breve, inaugurar suas unidades do Naasp.

 

Na Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Ribeirão das Neves, as ações estão sendo ampliadas, com a participação intensa de voluntários. Aulas de capoeira, danças típicas, além de apresentações culturais ligadas à religiosidade fazem parte da formação de jovens. Cerca de 50 crianças, entre seis e 16 anos, participam da Escolinha de Futebol Porto Seguro, já retratada na última edição do Arquidiocese em Movimento.

 

Oficinas de tapeçaria e pintura estão sendo realizadas na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Justinópolis, com a participação de jovens, adultos e idosos. Também são disponibilizados serviços de atendimento jurídico e psicológico.
Localizada em uma região que concentra pessoas mais pobres, no Aglomerado da Serra, a Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres é um exemplo de que o Naasp pode contribuir para transformar realidades. “O Naasp foi criado para articular e facilitar o acesso das pessoas que precisam de ajuda aos muitos serviços oferecidos pela Igreja, dentro do Aglomerado da Serra. Graças a Deus, temos a oportunidade de ver algo novo surgir. Novo por ter o objetivo de estabelecer uma rede facilitadora de acesso aos instrumentos sociais, acompanhar as pessoas em suas demandas, suprir as que são possíveis, e construir com os sujeitos uma nova perspectiva individual e social de sua existência”, conta o padre Wagner Calegário de Souza, responsável pela Paróquia.

 

Na Paróquia Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, o Núcleo é formado, em sua maioria, por jovens das áreas da Psicologia, do Direito, da Assistência Social, da Economia e da Comunicação Social.

 

Reúne também homens e mulheres mais velhos, que possuem significativa experiência de vida. “Em muitos casos, é necessário o auxílio imediato com mantimentos, materiais de higiene pessoal, fraldas, medicamentos. Parte do dízimo é destinada para o atendimento dessas necessidades”, afirma o padre Wagner Calegário.

 

Mensalmente, o grupo de voluntários se reúne para expor as ações que estão sendo desenvolvidas. O encontro começa com um momento de oração e confraternização. Depois, os participantes do projeto partilham experiências e buscam, em conjunto, soluções para os muitos casos.

 

O psicólogo Reinaldo Carlos dos Santos Salgueiro, 32 anos, e a assistente social Érika Cristiane Inácio Salgueiro, 33 anos, que participam do projeto desde o início, detalham a precária situação do jovem Roberto (utilizamos nome fictício, para preservar sua identidade), de 19 anos. Na adolescência, ele se envolveu com o tráfico de drogas, foi espancado brutalmente por traficantes depois de um desacerto. Passou vários dias no hospital e hoje, sem casa, pretende mudar a sua trajetória. “Ele está firme no seu propósito de ter uma nova vida. São histórias como essas que nos fortalecem para prosseguir no Naasp, que aqui no Aglomerado está em franco crescimento”, diz Érika, que é esposa de Reinaldo.

 

Atualmente, uma vez por semana, o jovem Roberto recebe assistência psicológica. Ao mesmo tempo, a coordenação do Naasp busca soluções para promover a inserção de Roberto no mercado de trabalho. Atualmente, outras 27 famílias estão sendo assistidas pelo grupo, que faz visitas semanais e fornece cestas básicas.

 

O avanço da tecnologia tem facilitado o contato com todos os voluntários do Naasp. Grupos de WhatsApp para cada paróquia estão sendo formados. “Isso agiliza o atendimento porque podemos identificar as demandas prioritárias. Além disso, uniformiza os procedimentos. Em uma rede assistencial é importante que todos falem a mesma linguagem”, diz a assistente de projeto Maria Amélia de Jesus que, ao lado do supervisor de projetos Marcelo Henrique Alves Moreira, integra a coordenação do Nassp.

 

A força da integração

 

Outra novidade vivida em 2016 foi a realização do Circuito Sociocultural em cada uma das quatro regiões episcopais da Arquidiocese de Belo Horizonte. Com apresentações culturais, que incluíram danças, teatro e música, o Circuito Sociocultural, organizado pelo Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política, foi oportunidade para as paróquias de cada uma dessas regiões partilharem suas ações de amparo aos mais pobres.

 

A realização do Circuito Sociocultural também é momento propício para que paróquias possam realizar ações em parceria, fortalecendo ainda mais a presença transformadora da Igreja entre os que precisam de ajuda.

 

Um exemplo dessas ações, que reúnem diferentes comunidades de fé da Arquidiocese, o evento Caminhada com Francisco, dedicado à defesa do meio ambiente. Inspirado na Carta Encíclica Louvado Sejas, do Papa Francisco, o evento integra o calendário da Arquidiocese de Belo Horizonte desde 2015, no contexto das celebrações da Festa de São Francisco de Assis, celebrada em outubro. Em 2016, representantes das comunidades de fé das Paróquias São Jorge, bairro Jardim América, e São Francisco das Chagas, bairro Carlos Prates, participaram de ato em defesa da Mata do bairro Jardim América, com representantes de diferentes grupos que defendem as áreas verdes da cidade. Uma caminhada pelas ruas do bairro, seguida de momento de oração ecumênica, com a bênção das criaturas, presidida pelos frades franciscanos, marcou o evento.

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