Deus prepara o caminho para cada homem. Fá-lo com amor: um «amor artesanal», porque o prepara pessoalmente para cada um. E está pronto para intervir todas as vezes que se deve corrigir este caminho, exactamente como fazem as mães e os pais. Foi a reflexão proposta pelo Papa Francisco na manhã de segunda-feira, 13 de Janeiro, durante a celebração da missa na capela de Santa Marta.

«Preparar os caminhos, e também as nossas vidas, é próprio de Deus, do amor de Deus por cada um de nós», explicou o bispo de Roma. «Ele – prosseguiu – não nos faz cristãos por geração espontânea. Ele prepara a nossa estrada, a nossa vida, desde sempre». E referindo-se à página evangélica, acrescentou: «Parece que Simão, André, Tiago e João foram aqui definitivamente eleitos»; mas isto não significa que a partir deste momento se tenham tornado «definitivamente fiéis». Na realidade, eles cometem erros: fazem propostas «não cristãs ao Senhor», de facto, negam-no. E Pedro mais do que os outros. Assustaram-se, explicou o Pontífice, e «foram embora, abandonaram o Senhor».

Na mesma genealogia de Jesus, recordou, estão «os pecadores e as pecadoras. Mas como o Senhor fez? Agiu, corrigiu o caminho, regulou todas as coisas. Pensemos no grande David, grande pecador e depois grande santo. O Senhor sabe. Quando o Senhor nos diz: amei-te com amor eterno, refere-se a isto. Desde há muitas gerações o Senhor pensou “em nós”». E deste modo acompanha-nos, experimentando os nossos mesmos sentimentos quando a pessoa se casa, quando está à espera de um filho: em cada momento da nossa história «espera-nos e acompanha-nos».

«Este – afirmou o Pontífice – é o amor eterno do Senhor. Eterno mas concreto. Uma amor artesanal porque ele faz a história e prepara o caminho para cada um de nós. E este é o amor de Deus». «Rezemos – foi a sua exortação conclusiva – pedindo esta graça de compreender o amor de Deus. Mas nunca o compreendemos, não é? Sentimos, choramos, mas não o entendemos. Também isto nos diz como é grande este amor».
 

 L’Osservatore Romano

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