Você está em:

Trabalho, garantia de dignidade

“O trabalho é sagrado» e «proporciona dignidade à família”, disse o Papa Francisco na audiência geral desta semana, na Sala Paulo VI, renovando o seu apelo em favor do trabalho e da salvaguarda da criação, ameaçada quando o trabalho “se torna refém unicamente da lógica do lucro”.

A beleza da terra e a dignidade do trabalho, segundo o Papa Francisco, existem para estar juntas. “De fato, a terra torna-se bonita quando é trabalhada pelo homem. Ao contrário, no momento em que o trabalho se afasta da aliança de Deus, com o homem e a mulher, o aviltamento da alma contamina tudo, inclusive o ar, a água, as ervas e os alimentos. Deste modo a vida civil corrompe-se e o habitat deteriora-se. E as consequências atingem sobretudo os mais pobres”.

O Pontífice observou que trabalhar é próprio da pessoa humana, porque “exprime a sua dignidade de ser criado à imagem de Deus”. Por isso, disse ele: “a gestão do emprego é grande responsabilidade humana e social, que não pode ser deixada nas mãos de poucos, nem acabar num mercado divinizado. De fato, a perda de lugares de trabalho equivale a um grave dano social, afirmou o Papa. “Entristeço-me quando vejo que há pessoas sem trabalho que não encontram emprego e não têm a dignidade de levar o pão para casa. Alegro-me muito quando vejo que os governantes fazem muitos esforços para criar postos de trabalho, a fim de que todos o tenham. Eis o convite a rezar a fim de que não falte o trabalho à família.”

O Papa Francisco denunciou ainda a moderna organização econômica que às vezes mostra perigosa tendência ao considerar a família um obstáculo, um peso, uma passividade, para a produtividade do trabalho. Sob esse aspecto, ele observou que a família é um grande teste. “Quando a organização do trabalho a mantém refém, ou até lhe impede o caminho – advertiu o Papa – então estamos certos de que a sociedade humana começou a agir contra si mesma”.

L’Osservatore Romano

VEJA TAMBÉM