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Ser artífice da justiça e da paz

 

Servir os outros com a mesma «compaixão» que Jesus teve pelas pessoas que o seguiam: essa é a missão de cada crente, chamado a oferecer aos homens e às mulheres do nosso tempo «o sinal concreto da misericórdia e da atenção de Cristo», reiterou o Papa Francisco durante a audiência geral de quarta-feira 17 de agosto, na Sala Paulo VI.

Ao comentar o episódio do evangelho de São Mateus (14, 13-21) que narra o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes, o Pontífice recordou que a compaixão de Jesus «não é um sentimento vago»: ao contrário «mostra toda a força da sua vontade de estar próximo de nós e de nos salvar». Por conseguinte, ao imitar essa atitude, o cristão torna-se «instrumento de comunhão na própria família, no trabalho, na paróquia e nos grupos de pertença». Assim, oferece testemunho visível «da misericórdia de Deus que não quer deixar ninguém na solidão e na necessidade, a fim de que nasça a comunhão e a paz entre os homens e a comunhão dos homens com Deus».
 

A compaixão de Jesus não é um sentimento vago: ao contrário mostra toda a força da sua vontade de estar próximo de nós e de nos salvar. Por conseguinte, ao imitar essa atitude, o cristão torna-se instrumento de comunhão

Da necessidade de ser artífice de justiça e paz para quem vive experiências dolorosas o Pontífice tinha falado também no Angelus da solenidade da Assunção, recitado ao meio-dia de segunda-feira 15 de agosto com os fiéis na praça de São Pedro. Francisco dirigiu o seu pensamento sobretudo «às mulheres esmagadas pelas dificuldades da vida e pelo drama da violência, às escravas da prepotência dos poderosos, às meninas forçadas a trabalhos desumanos, às mulheres obrigadas a render-se no corpo e no espírito à ganância dos homens». Para elas o Papa desejou «o início de uma vida de paz, de justiça, de amor, na expetativa do dia em que finalmente se sentirão amparadas por mãos que não as humilham, mas que com ternura as aliviam e levam pelo caminho da vida até ao céu».

No final da oração mariana, antes de saudar os diversos grupos presentes na praça, o Papa lançou um apelo a favor dos habitantes do Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, «recentemente atingidos – denunciou – por novos massacres que há tempos são perpetrados no silêncio vergonhoso, sem chamar nem sequer a nossa atenção».

«Essas vítimas» – constatou com amargura – «infelizmente fazem parte dos muitos inocentes que não têm influência sobre a opinião mundial». Daqui brota a oração a Maria, «a fim de que conceda a todos sentimentos de compaixão, de compreensão e do desejo de concórdia».

 

L’Osservatore Romano

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