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Responder ao grito da terra e dos pobres

Um apelo angustiado «a fim de que as Igrejas locais respondam com determinação ao grito da terra e dos pobres» foi lançado pelo Papa Francisco na audiência geral desta semana. Saudando como de costume os grupos linguísticos presentes na Sala Paulo VI, o Pontífice dirigiu-se em particular à delegação do Movimento católico mundial pelo clima, agradecendo «o compromisso a cuidar da casa comum nestes tempos de grave crise socioambiental».

Precedentemente, dando prosseguimento às reflexões sobre a esperança cristã à luz das leituras bíblicas, Francisco comentou o trecho da primeira carta de São Paulo aos Tessalonicenses (5, 4-11) sobre o tema da morte. À luz da carta paulina, o pontífice afirmou com vigor que «também a nossa ressurreição e a dos nossos saudosos entes queridos não é algo que poderá se verifica ou não, mas é uma realidade certa, radicada na ressurreição de Cristol».

O Papa inspirou-se no trecho do Novo Testamento para evidenciar que, desde as origens, os primeiros cristãos não tinham dificuldade em crer que Jesus «ressuscitou, mas em acreditar que os mortos ressuscitam». Essa é a atualidade da carta de São Paulo. «Cada vez que nos encontramos diante da morte – disse Francisco – sentimos que a nossa fé é posta à prova. Emergem todas as nossas dúvidas e nos questionamos: “Mas deveras haverá vida depois da morte?”». Aliás, confidenciou o Pontífice, «uma senhora há poucos dias formulou-me a mesma pergunta, manifestando uma dúvida: “Vou, de fato, encontrar-me com os meus parentes?”»,- e acrescentou -«todos sentimos um pouco de medo por esta incerteza». E citou a propósito um «bom velhinho» que dizia: «Não tenho medo da morte. Sinto um pouco de medo ao vê-la aproximar-se». Mas, garantiu o Papa, o próprio «Paulo, diante dos temores da comunidade, exorta a manter firme como um elmo na cabeça, sobretudo nas provações da vida, “a esperança da salvação”».

Em síntese, o cristão tem a certeza de estar a caminho rumo a algo que existe. E a esperança cristã é a expetativa de algo que já se cumpriu e certamente se realizará. Por conseguinte, esperar significa aprender a viver na esperança». Quase como – concluiu com uma imagem significativa – quando «uma mulher se dá conta de que está grávida, cada dia aprende a viver na expectativa de ver o olhar daquela criança que virá. Assim também nós devemos viver à espera de olhar para o Senhor».

L’Osservatore Romano

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