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Papa Francisco se encontra com povos amazônicos

Papa Francisco chegou hoje à Puerto Maldonado, no Peru.

Somente na terça-feira (16), cerca de 700 índios de diversas etnias e estados do país passaram pelo Acre e seguiram para essa cidade peruana, para a visita do Papa Francisco.

A informação foi confirmada pela chefe do setor de promoção e eventos da Secretaria Estadual de Turismo e Lazer (Setul) do Acre, Rita Ramos.

Primeiro o papa Francisco se encontrou com padres e visitou a casa de crianças carentes, para depois participar de um almoço com os índios acreanos e rondonienses.

“O grande movimento em direção ao Peru começou no dia 16. Entraram no estado 700 índios, que passaram pelo Acre e seguiram por Assis Brasil para o Peru. São indígenas de vários estados do Brasil”, informou Rita.

A coordenadora da organização das mulheres indígenas do Acre e Sul Amazônas, Letícia Yawanawá, informou que somente do estado acreano e do Sul da Amazônia, da cidade de Boca do Acre, estão a caminho de Puerto Maldonado 40 lideranças indígenas.

“Nossa programação é que vamos ter uma hora com o papa, somente os povos indígenas. Vão poder entrar cinco lideranças somente do Acre e Sul da Amazônia. Vamos entregar uma carta falando sobre a violência contra mulher, questões territoriais, maior criminalização dos povos indígenas e também sobre o aumento de suicídios em aldeias da região”, informou a coordenadora.

O encontro, segundo Letícia, com a presença de povos indígenas de vários estados brasileiros e de outros países é fundamental. “A importância para nós indígenas de entregar esse documento e ter esse momento, mesmo que só de uma hora, é porque ele vai levar a nossa reivindicação para outros países. Nós, do Acre, nunca tivemos esse contato com o Papa, mas outros irmãos já tiveram e falaram que ele é muito sensível à questão dos povos indígenas. Vamos mostrar nossa cultura e também apresentar a nossa alegria de estar junto com ele”, disse Letícia.

Ao todo no Acre, segundo a coordenadora, existem 21 mil indígenas, de acordo com os dados do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) dos dois distritos, Purus e Juruá.

Aldeias do Acre registraram mais de 12 suicídios em um ano

O documento destinado ao pontífice tem a intenção de alertar o líder católico para o aumento no número de suicídios entre alguns povos indígenas da região, além de outras questões.

No Acre, segundo a coordenadora Letícia, foram registrados mais de 12 suicídios nas aldeias da região somente entre os anos de 2016 e 2017. A maioria dos casos ocorreram, de acordo com ela, com os povos Madija, chamados também de Kulinas.

Rosenilda Nunes, da equipe da Diocese de Rio Branco, informou que um estudo antropológico está sendo providenciado para entender as causas de tantos suicídios.

“Eles estão na expectativa de entregar esse documento que relata o sofrimento deles, principalmente sobre a demarcação dos territórios e também a questão que vem acontecendo dos suicídios, principalmente do povo Madija. A gente está providenciando um estudo antropológico para saber o motivo de tantas mortes entre eles”, disse Rosenilda.

Papa: Iquique, região que soube acolher diferentes povos e culturas

O último compromisso do Papa Francisco no Chile foi a celebração de uma Missa no Campus Lobito, em Iquique, em honra a Nossa Senhora do Carmo, padroeira do país, e pela integração dos povos.

“Em Caná da Galileia, Jesus realizou o primeiro de seus sinais milagrosos.” Assim, o Pontífice iniciou a sua homilia, citando este versículo do Evangelho de São João.

“Este Evangelho que ouvimos, nos mostra a primeira aparição pública de Jesus: nada mais, nada menos que numa festa. Não poderia ser doutra forma, pois o Evangelho é um convite constante à alegria.”

“Logo no início, o anjo diz a Maria: «Alegra-te». Anuncio-vos uma grande alegria: foi dito aos pastores. O menino saltou de alegria no seio de Isabel, mulher idosa e estéril. Alegra-te, fez Jesus sentir ao ladrão, porque hoje estarás comigo no paraíso.”
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“A mensagem do Evangelho é fonte de alegria: «Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa». Uma alegria que se propaga de geração em geração, e da qual somos herdeiros”, sublinhou Francisco citando mais um versículo do evangelho.

“Disto, bem vos entendeis vós, queridos irmãos do norte chileno.

As sua festas patronais, as suas danças religiosas (que duram uma semana), a sua música, os seus vestidos fazem desta região um santuário de piedade popular.

“Cristo veio a este mundo, não para fazer a sua obra sozinho, mas conosco, com todos nós, para ser a cabeça dum grande corpo cujas células vivas, livres e ativas somos nós”

De fato, não é uma festa que fica fechada dentro do templo, mas consegue vestir de festa toda a aldeia.

Vocês sabem celebrar cantando e dançando «a paternidade, a providência, a presença amorosa e constante» de Deus.

Deste modo geram em vocês «atitudes interiores que raramente se observam no mesmo grau» naqueles que não possuem tal piedade popular: «paciência, sentido da cruz na vida quotidiana, desapego, aceitação dos outros, dedicação e devoção». Ganham vida as palavras do profeta Isaías: «Então o deserto se converterá em pomar, e o pomar será como uma floresta».”

“ Esta terra, abraçada pelo deserto mais seco do mundo, sabe vestir-se de festa. ”

“Neste clima de festa”, frisou ainda o Pontífice, “o Evangelho nos apresenta a ação de Maria, para que a alegria prevaleça.

Está atenta a tudo o que acontece ao redor d’Ela e, como boa mãe, não fica parada e assim consegue dar-se conta de que na festa, na alegria geral, acontecera algo: algo que estava para arruinar a festa. E, aproximando-Se de seu Filho, as únicas palavras que Lhe ouvimos dizer são: «Não têm vinho».”

“Maria é a Virgem da Tirana, a Virgem Ayquina em Calama, a Virgem das Penhas em Arica, que passa por todos os nossos problemas familiares, aqueles que parecem sufocar-nos o coração, para Se aproximar de Jesus e dizer-Lhe ao ouvido: Olha! «Não têm vinho».

Maria não fica calada, “mas logo se aproxima dos que serviam na festa e lhes diz: «Fazei o que Ele vos disser». Maria, mulher de poucas palavras mas muito concretas, também se aproxima de cada um de nós para nos dizer apenas isto: «Fazei o que Ele vos disser».

E assim se abre o caminho ao primeiro milagre de Jesus: fazer sentir aos seus amigos que eles também participam do milagre. Porque Cristo «veio a este mundo, não para fazer a sua obra sozinho, mas conosco, com todos nós, para ser a cabeça dum grande corpo cujas células vivas, livres e ativas somos nós».”

“O milagre começa quando os serventes aproximam as vasilhas de pedra com água, destinadas à purificação. Do mesmo modo cada um de nós também pode começar o milagre; mais ainda, cada um de nós é convidado a participar do milagre para os outros”, frisou o Papa.

“Irmãos, Iquique é uma «terra de sonhos» (tal é o significado do nome, em aymara); terra que soube acolher pessoas de diferentes povos e culturas que tiveram de deixar os seus queridos e partir. ”

Eles, sobretudo quantos têm que deixar a sua terra, porque não encontram o mínimo necessário para viver, são ícones da Sagrada Família, que teve de atravessar desertos para continuar a viver.”

“Esta é terra de sonhos, mas procuremos que continue sendo também terra de hospitalidade. Hospitalidade festiva, porque sabemos bem que não há alegria cristã, quando se fecham as portas; não há alegria cristã, quando se faz sentir aos outros que estão a mais ou que não têm lugar para eles em nosso meio.”

“ Estejamos atentos à situação de precariedade do trabalho que destrói vidas e famílias. Estejamos atentos a quem se aproveita da irregularidade de muitos migrantes porque não conhecem a língua ou não têm os documentos”

Como Maria em Caná, procuremos aprender a estar atentos em nossas praças e aldeias e reconhecer aqueles que têm a vida «arruinada»; que perderam, ou lhes roubaram, as razões para fazer festa. E não tenhamos medo de levantar as nossas vozes para dizer: «Não têm vinho».

O grito do povo de Deus, o grito do pobre, que tem forma de oração e alarga o coração, e nos ensina a estar atentos.

“ Estejamos atentos a todas as situações de injustiça e às novas formas de exploração que fazem tantos irmãos perder a alegria da festa. ”

Estejamos atentos à situação de precariedade do trabalho que destrói vidas e famílias.

Estejamos atentos a quem se aproveita da irregularidade de muitos migrantes porque não conhecem a língua ou não têm os documentos em «regra».”

O Papa frisou que “como os servidores da festa, tragamos o que temos, por pouco que pareça. Como eles, não tenhamos medo de «dar uma mão», e que a nossa solidariedade e o nosso compromisso em prol da justiça sejam parte da dança ou do cântico que podemos entoar a nosso Senhor.

Aproveitemos também para aprender e deixar-nos impregnar pelos valores, a sabedoria e a fé que os migrantes trazem consigo; sem nos fecharmos a essas «vasilhas» cheias de sabedoria e história trazidas por aqueles que continuam chegando a estas terras. Não nos privemos de todo o bem que eles têm para oferecer”.

“Deixemos que Jesus possa completar o milagre, transformando as nossas comunidades e os nossos corações em sinal vivo de sua presença jubilosa e festiva, para experimentarmos que Deus está conosco, para aprendermos a hospedá-Lo no meio de nós. Júbilo e festa contagiosa que nos leva a não excluir ninguém do anúncio desta Boa Nova.”

Francisco concluiu a homilia, pedindo a Maria, invocada nestas terras abençoadas do norte sob diferentes títulos, para que “continue sussurrando aos ouvidos de seu Filho Jesus: «Não têm vinho»; e, em nós, continuem a fazer-se carne as suas palavras: «Fazei o que Ele vos disser».”

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