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Os exercícios espirituais da Cúria romana-Quando o medo bate à porta

Julgar cada gesto na lógica do mundo, ou melhor, da economia de mercado, significa correr o risco de não compreender o valor daquele amor que aproxima os homens a Deus, Deus aos homens e os homens entre si, de modo a criar a comunhão de amor que é uma Igreja acolhedora.

Uma criança – certamente de forma inconsciente e indirecta – inspirou esta manhã, quinta-feira 13 de Março, a reflexão do penúltimo dia de exercícios espirituais do Papa Francisco e da Cúria romana, que se concluirão amanhã, sexta-feira 14 de Março. De facto, monsenhor Angelo De Donatis deu início à sua pregação, na capela da Casa do Mestre Divino em Ariccia, reconhecendo na pergunta que lhe fizera um menino – que se preparava para a primeira comunhão – a capacidade que Deus tem de transformar um gesto simples, mas feito com amor, em algo que se difunde ao seu redor e cria comunhão: «Mas tu conheces tão bem Jesus por motivo de trabalho ou porque sois amigos?», foi a sua pergunta. O conhecimento profundo de Jesus que culmina na amizade, portanto no acolhimento e no amor, foi o tema da meditação.

O pregador comentou o episódio evangélico da mulher desconhecida que vai ter com Jesus na casa do leproso em Betânia e unge a sua cabeça com um óleo preciosíssimo, o óleo de nardo (Mc 14, 1-9). Uma narração, disse, densa de conteúdo tanto pelo lugar no qual se realiza como pelo período, e também pelos efeitos que produz. O lugar, explicou, é a casa do leproso, isto é um local no qual há o mal. Portanto, Jesus vai onde há o mal. Vai porque sabe que de qualquer modo é amado. De facto, a casa localiza-se em Betânia, símbolo de acolhimento. Jesus tinha muitos amigos em Betânia e sabia que era amado naquela cidade. Uma sensação à qual aspiram, frisou, todos os homens que deixam as suas cidades por outras.

O Senhor está à mesa com os seus amigos, isto é, no momento da partilha, quando a mulher chega, abre o frasco de alabastro e começa a ungir a sua cabeça com aquele óleo precioso. É um gesto de amor gratuito, explicou monsenhor De Donatis, que adquire ainda mais importância porque é realizado num tempo em que se respirava um clima de violência e de ódio contra Jesus: faltavam dois dias para a Páscoa e os escribas procuravam um motivo válido para o condenar à morte.
 

L’Osservatore Romano

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