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Onde há mentira, não pode haver amor

“É uma tentação comum, esta, de reduzir a religião à prática das leis, projetando em nosso relacionamento com Deus a imagem da relação entre os servos e seus patrões: os servos devem executar as tarefas que o patrão designou, para ter a sua benevolência”, disse o Papa em sua alocução.

O Papa Francisco deu continuidade à série de catequeses sobre os Dez Mandamentos, propondo, nesta semana, a reflexão sobre o oitavo: “Não levantarás falso testemunho contra teu próximo”

“Não levantarás falso testemunho contra teu próximo”. A catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira, 14, foi dedicada ao oitavo mandamento. Aos milhares de fiéis e peregrinos na Praça São Pedro, o Pontífice explicou o significado profundo da verdade e afirmou que o oitavo mandamento ensina que não se pode falsificar a verdade nas relações com os outros.

“Viver de comunicações não autênticas é grave, porque impede as relações e, portanto, o amor. Onde há mentira, não pode haver amor. E quando falamos de comunicação entre as pessoas não entendemos somente as palavras, mas também os gestos, as atitudes e até mesmo os silêncios e as ausências. Uma pessoa fala com tudo aquilo que é e o que faz. Todos nós vivemos comunicando e estamos continuamente num frágil equilíbrio entre a verdade e a mentira”, afirmou.

Francisco perguntou aos presentes o significado de dizer a verdade, e respondeu: “É algo que vai além do nosso ponto de vista ou a revelação de fatos pessoais ou reservados. É um modo de manifestar o amor”. O Papa afirmou que as fofocas matam, e dedicou esta constatação ao apóstolo Tiago.

“Os fofoqueiros são pessoas que matam os outros porque a língua mata como uma faca. Fiquem atentos. O fofoqueiro é um terrorista, porque com a sua língua lança a bomba e vai embora e esta bomba destrói a fama dos outros. Fofocar é matar, não esqueçam”, alertou o Pontífice. Francisco prosseguiu explicando que as palavras ‘não levantarás falso testemunho contra teu próximo’, pertencem à linguagem jurídica. Segundo o Santo Padre, os Evangelhos culminam com a narração do processo, da execução da sentença contra Jesus e sua consequência inaudita.

O Pontífice recordou que Jesus, quando interrogado por Pilatos, disse que veio a este mundo para dar testemunho da verdade. “A verdade, portanto, encontra sua plena realização na própria pessoa de Jesus, no seu modo de viver e de morrer, fruto da sua relação com o Pai. E esta existência como filho de Deus, Jesus a doa também a nós. Em cada ato, o homem afirma ou nega esta verdade. Eu sou uma testemunha da verdade ou sou um mentiroso fantasiado de verdadeiro? Cada um se questione”, recomendou o Papa.

A verdade não se limita a discursos, mas é um modo de existir, de viver, frisou o Papa, que continuou afirmando que a verdade é a revelação maravilhosa de Deus, do seu rosto de Pai, do seu amor sem limites. “Esta verdade corresponde à razão humana, mas a supera infinitamente”, sublinhou. Francisco então concluiu: “Não levantar falso testemunho quer dizer viver como filhos de Deus, que jamais desmente a si mesmo, jamais mente, deixando emergir em cada ato a grande verdade: que Deus é Pai e é possível confiar Nele. Eu confio em Deus, esta é a grande verdade. E dessa nossa confiança em Deus Pai, de que Ele nos ama, nasce a minha verdade e o ser verdadeiro e não mentiroso”.

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