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Missa em Santa Marta-Religiosas e sacerdotes livres da idolatria

Pedir ao Senhor para mandar religiosas e sacerdotes livres «da idolatria da vaidade, da soberba, do poder e do dinheiro» para a sua Igreja. Rezar cientes de que há vocações, mas que são necessários jovens corajosos capazes de responder à chamada seguindo o Senhor «de perto» e conservando o coração só para ele. Foi esta a «oração pelas vocações» que o Papa Francisco indicou durante a missa celebrada na manhã de segunda-feira, 3 de Março, em Santa Marta.

O Pontífice inspirou-se no trecho evangélico que narra o encontro de Jesus com o jovem rico (Marcos 10, 17-27). É «uma história» disse, que «ouvimos muitas vezes»: um homem «procura Jesus e prostra-se de joelhos diante dele». E fá-lo diante «de toda a multidão» porque «tinha muita vontade de ouvir as palavras de Jesus» e «no seu coração havia algo que o impulsionava». Assim «de joelhos diante dele», pergunta-lhe o que deve fazer para obter a vida eterna como herança. O que movia o coração daquele jovem, frisou o Papa, «era o Espírito Santo». De facto, «era um homem bom – explicou, traçando um seu perfil – porque desde a sua juventude observou os mandamentos». Ser «bom» contudo «não era suficiente para ele: queria mais! O Espírito Santo impelia-o!».

Com efeito, continuou o Papa, «Jesus olhou para ele, contente por ouvir aquelas coisas». Tanto que «o Evangelho diz que o amou». Portanto «também Jesus sentia este entusiasmo. E fez-lhe uma proposta: vende tudo e vem comigo pregar o Evangelho!». Mas, lê-se na narração do evangelista que «o homem, ouvindo aquelas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e foi-se embora pesaroso».

O problema, comentou o Papa, era que o «seu coração inquieto» devido ao Espírito Santo que o impelia a aproximar-se de Jesus e a segui-lo, estava cheio». «Ele não teve a coragem de o esvaziar. E fez a sua escolha: o dinheiro!». Tinha o coração «cheio de dinheiro». E no entanto não «era um ladrão nem um réu. Era um homem bom: nunca tinha roubado nem enganado». O seu dinheiro era honesto. Mas «o seu coração estava prisioneiro, ligado ao dinheiro e não teve liberdade para escolher». No fim, «o dinheiro escolheu por ele».

O Evangelho de Marcos continua com «o discurso de Jesus sobre a riqueza». Mas o Pontífice deteve-se em particular no discurso sobre as vocações. E dirigiu um pensamento a todos os jovens que «sentem no coração a chamada para se aproximar de Jesus. E entusiasmam-se, não têm medo de se apresentarem a Jesus, não se envergonham de se ajoelhar».

Para o Papa Francisco também hoje há muitos jovens que gostariam de seguir Jesus. Mas «quando têm o coração cheio de outras coisas, e não são corajosos para o esvaziar, voltam para trás». E a «alegria torna-se tristeza».

O Santo Padre comentou que a figura do jovem rico suscita uma certa participação, que nos leva a dizer: «Pobrezinho, tão bom e tão infeliz, porque foi embora infeliz» depois do encontro com Jesus. E hoje há muitos jovens como ele. Mas – foi a pergunta do Pontífice – «o que fazemos por eles?». Em primeiro lugar devemos rezar: «Ajuda, Senhor, estes jovens para que sejam livres e não escravos», de modo «que conservem o coração só para ti». Deste modo «a chamada do Senhor pode vir, pode dar fruto».

O Papa concluiu a sua meditação convidando a recitar com frequência «esta oração pelas vocações». Cientes de que «há vocações»: compete a nós rezar para fazer de modo que «cresçam, que o Senhor possa entrar naqueles corações e doar esta alegria “inefável e gloriosa” que sente cada pessoa que segue Jesus de perto».
 

L’Osservatore Romano
 

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