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Missa do Papa em Santa Marta – Pensamento livre

Um convite a «pensar de modo cristão» porque «um cristão não pensa só com a cabeça mas também com o coração e com o espírito que tem no íntimo», foi dirigido pelo Papa Francisco na manhã de sexta-feira 29 de Novembro, durante a missa celebrada em Santa Marta. Um convito particularmente actual num contexto social em que –  frisou o Pontífice – se está a insinuar cada vez mais «um pensamento débil, um pensamento uniforme, um pensamento pret-à-porter».

O bispo de Roma centrou a sua reflexão no trecho evangélico de Lucas (21, 29-33) proposto durante a liturgia, no qual o Senhor «com exemplos simples ensina aos discípulos a compreender o que acontece». Neste caso Jesus convida a observar «a  figueira e todas as árvores», porque quando florescem compreende-se que o Verão está próximo. Noutros contextos o Senhor cita exemplos análogos para repreender aqueles fariseus que não querem entender «os sinais dos tempos»; que não vêem «a passagem de Deus na história», na história do povo de Israel, na história do coração do homem, «na história da humanidade».

No entanto nem sempre é assim. Há um inimigo à espreita. É «o espírito do mundo»  –  recordou o Santo Padre – que «nos faz outras propostas». Porque «não nos quer povo, quer-nos massa. Sem pensamento nem liberdade». Substancialmente, o espírito do mundo impele-nos pela   «estrada de uniformidade, mas sem o espírito  que faz o corpo de um povo», tratando-nos  «como se nós não tivéssemos a capacidade de pensar, como pessoas que não são livres». E a propósito o Papa Francisco esclareceu expressamente os mecanismos de persuasão oculta: existe um determinado modo de pensar que deve ser imposto, «faz-se a publicidade deste pensamento» e «deve-se pensar» deste modo. É «o pensamento uniforme, igual, débil»; infelizmente, um pensamento «tão difundido», comentou o bispo de Roma.

Praticamente, «o espírito do mundo não quer que nós nos questionemos diante de Deus: mas por que acontece isto?». E para nos distrair das perguntas essenciais, «propõe-nos um pensamento pret-á-porter, segundo os nossos gostos: eu penso como me agrada». Esta maneira de pensar «está bem» para o espírito do mundo; o que ele «não quer é o que nos pede Jesus: o pensamento livre, o pensamento de um homem e de uma mulher que são parte do povo de Deus». De resto, «a salvação foi esta: tornar-nos povo, povo de Deus. Ter liberdade». Porque «Jesus nos pede para pensar livremente, para pensar a fim de entender o que acontece».

Certamente, advertiu o Papa Francisco, «sozinhos não podemos» fazer tudo: «temos necessidade da ajuda do Senhor, precisamos do Espírito Santo para compreender os sinais dos tempos». De facto, é precisamente o Espírito que nos doa «a inteligência para compreender». Trata-se de uma prenda pessoal oferecida a cada homem, graças à qual «entendemos porque  nos acontece certas coisas» e «qual é a estrada que o Senhor quer» para a nossa vida. Eis a exortação conclusiva  a «pedir ao Senhor Jesus a graça que nos envie o seu espírito de inteligência», a fim de que «não tenhamos um pensamento débil, uniforme, um pensamento segundo os nossos gostos», para termos ao contrário «um pensamento  segundo Deus». E «com este pensamento – de mente, de coração e de alma – que é dom do Espírito», procurar entender «o que significam as coisas, entender bem os sinais dos tempos».
 

 

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