Você está em:

Missa do Papa em Santa Marta – A lógica do antes e do depois


 

É necessário entrar na «lógica do antes e do depois» não para se sermos «cristãos tíbios» ou «água de rosas», ou até hipócritas. Com esta expressão eficaz o Papa Francisco, durante a missa celebrada na manhã de quinta-feira, 24 de Outubro, na capela de Santa Marta, repropôs a atitude com a qual os cristãos devem aproximar-se do mistério da salvação actuada por Jesus.

A referência inicial foi a carta aos Romanos (6, 19-23), na qual são Paulo «procura fazer-nos entender aquele mistério tão grande da nossa redenção, do nosso perdão, do perdão dos nossos pecados em Jesus Cristo». O apóstolo admoesta que não é fácil compreender e sentir este mistério. Para nos ajudar a entendê-lo usa aquela que o Pontífice definiu «a lógica do antes e do depois: antes de Jesus e depois de Jesus», como está resumido no cântico ao Evangelho da liturgia do dia (Filipenses, 3, 8): «Por Ele tudo desprezei e considero tudo como perda, a fim de ganhar Cristo». Portanto, para são Paulo conta só Cristo. Ele, afirmou o Papa, «sentia tão forte isto: a fé que nos torna justos, nos justifica diante do Pai». Paulo abandonou  o homem «do antes». E tornou-se o homem «do depois», cujo objectivo é «ganhar Cristo».

Ao comentar a carta, o Santo Padre fez notar que o apóstolo indica «um caminho para viver conforme esta lógica do antes e do depois».

«O que Cristo fez em nós – afirmou ainda o Papa – é uma recriação; o sangue de Cristo nos re-criou; é uma segunda criação. E se anteriormente a nossa vida, o nosso corpo, a nossa alma, os nossos hábitos estavam no caminho do pecado, da iniquidade; depois desta re-criação devemos fazer o esforço para percorrer no caminho da justiça, da santificação. Paulo utiliza esta palavra: santidade. Todos nós fomos baptizados. Naquele momento – éramos crianças – os nossos pais, em nosso nome, pronunciaram o acto de fé: creio em Jesus Cristo que perdoou os nosso pecados».

Esta fé – exortou o Pontífice – «devemos re-assumi-la nós e levá-la em frente com o nosso modo de viver. E viver como cristãos significa levar em frente esta fé em Cristo, esta re-criação. Levar em frente as obras que nascem desta fé. O importante é a fé, mas as obras são o fruto desta fé: levar em frente estas obras para a santificação. Eis: a primeira santificação que Cristo fez, a primeira santificação que recebemos no baptismos, deve crescer, deve ir em frente».

Sem esta consciência do antes e do depois, «o nosso cristianismo não serve a ninguém». Aliás, torna-se «hipocrisia: digo a mim mesmo que sou cristão, mas depois vivo como pagão». Se não considerarmos seriamente esta santificação, tornaremo-nos como os que o Papa definiu «cristãos tíbios».


L’Osservatore Romano
25-10-2013

 

VEJA TAMBÉM