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Hoje ainda se mata em nome de Deus

O Papa Francisco chorou ao tomar conhecimento da notícia de que recentemente alguns cristãos foram crucificados num país não cristão. Ele mesmo o revelou ao celebrar a missa na capela da Casa de Santa Marta, na manhã de sexta-feira, 2 de Maio. Também hoje, disse, há pessoas que pensam que se podem apoderar das consciências, «matando e perseguindo em nome de Deus». E há cristãos que, como os apóstolos, «ficam felizes por ser julgados dignos de sofrer ultrajes devido ao nome de Jesus».

Precisamente esta «alegria dos mártires cristãos» foi um dos «três ícones» propostos pelo Pontífice. «Hoje – afirmou – há muitos mártires: pensai que nalguns países é suficiente carregar consigo o Evangelho para acabar num cárcere! Não podes usar uma cruz que pagas multa! Mas o coração é alegre». O ícone da «alegria do testemunho» no qual se vêem os apóstolos juntamente com os mártires de hoje. O Papa falou precisamente sobre a pregação dos apóstolos durante a homilia, recordando que quando foram aprisionados e flagelados estavam alegres por ter testemunhado o Senhor.

O trecho litúrgico do Evangelho de João (6, 1-15) narra que uma multidão numerosa seguia Jesus porque via o que fazia «a enfermos e endemoninhados». Mas seguia-o também para o ouvir, explicou o Papa, «porque diziam: ele fala com autoridade! Não como os outros, os doutores da lei, os saduceus, que falam sem autoridade». De facto, eram as pessoas que «não tinham um discurso forte como o de Jesus». «Forte não porque Jesus gritava mas forte na mansidão, no amor, no olhar» com o qual o Senhor «observava as pessoas, com muito amor». A força é o amor: eis a autoridade de Jesus e por isso «a multidão o seguia».

O Papa Francisco referiu-se depois à primeira leitura, tirada dos Actos dos apóstolos (5, 34-42) que apresenta os discípulos às voltas com «o problema do sinédrio, quando os saduceus o aprisionaram depois de ter curado um doente». E recordou que, depois da cura, «o sumo sacerdote, juntamente com o seu grupo, isto é a seita dos saduceus, cheios de ciúmes, prenderam os apóstolos num cárcere público». Mas «sabemos que o anjo ajuda os apóstolos a sair da prisão» e vão imediatamente ensinar no templo. A reacção do sumo sacerdote e do seu grupo é levar os apóstolos diante do sinédrio.

Contudo, «as pessoas seguiam Jesus», o qual dizia claramente aos poderosos que «mandavam carregar os fiéis com pesos exagerados». Poderosos que não toleravam a mansidão de Jesus, do Evangelho, não toleravam o amor e chegavam até a vingar-se por inveja, por ódio.

Portanto, eis que se confrontam «dois ícones». O de Jesus comovido com a multidão porque, diz o Evangelho, olhava para as pessoas «como ovelhas sem pastor». E depois «os que, com manobras políticas, com manobras eclesiásticas, continuavam a dominar o povo».

Cometeram uma injustiça porque se julgavam «donos das consciências» e «se sentiam no poder de o fazer». E o Pontífice acrescentou: «também hoje há muitos» que se comportam assim.

O terceiro ícone é «a alegria do testemunho». Quando os cristãos afirmam: «Demos testemunho de Jesus, alegres por ser julgados dignos de sofrer ultrajes pelo nome de Jesus».

 

L’Osservatore Romano

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