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Deus faz a história conosco e a corrige quando erramos

Cidade do Vaticano (RV) – “Deus quis salvar-nos na história” – afirmou o Papa na homilia desta manhã na Casa Santa Marta. A nossa salvação “não é asséptica, de laboratório. Não! É histórica. E para chegar ao ponto de hoje, houve uma longa, uma longuíssima história”:

“E assim, passo a passo, se faz a história. Deus a faz, nós a fazemos; e quando nós erramos, Deus a corrige e nos leva avante, avante, sempre caminhando conosco. Se não entendermos isso claramente, jamais entenderemos o Natal! Jamais entenderemos a Encarnação do Verbo! Jamais! É toda uma história que caminha. ‘Padre, com o Natal esta história acaba?’; ‘Não! O Senhor ainda nos salva na história. E caminha com o seu povo’”.

Nesta história – prosseguiu o Papa – existem os eleitos de Deus, aquelas pessoas que Ele escolhe “para ajudar o seu povo e ir avante”, como Abraão, Moisés e Elias. Para eles, “há alguns momentos obscuros, incômodos, que incomodam”. Pessoas que talvez queiram viver tranquilas, mas que o “Senhor incomoda. O Senhor nos incomoda para fazer a história! Nos fazer percorrer caminhos que não queremos”. A ponto que Moisés e Elias desejam morrer, mas depois confiam no Senhor.

O Evangelho do dia fala de “outro momento difícil na história da salvação”, quando José descobre que a sua noiva, Maria, está grávida: “Ele sofre, vê as mulheres do vilarejo que comentam no mercado; e sofre. ‘Mas ela é boa pessoa, eu a conheço! É uma mulher de Deus. Mas o que ela me fez? Não é possível!”. Se for acusada, será lapidada. Mas José não quer, mesmo não compreendendo. Ele sabe que Maria “é incapaz de infidelidade”. “Nesses momentos difíceis, destacou o Papa – “os eleitos de Deus, para fazer a história, devem enfrentar o problema, mesmo sem entender. Assim, o Senhor faz a história”.

“Assim fez José, o homem que no momento mais difícil da sua vida, no momento mais tenebroso, enfrenta o problema. E ele acusa a si mesmo aos olhos dos outros para proteger a sua esposa. Talvez algum psicanalista dirá que este sono é o condensado da angústia, que busca uma saída… mas digam o que quiserem. O que fez José? Depois do sono, acolheu a sua esposa. ‘Não entendo nada, mas o Senhor me disse isso e este será meu filho!’”.

“Fazer história com o seu povo – observou o Papa – significa para Deus para caminhar e testar os seus eleitos”. Mas no final os salva: “Lembremo-nos sempre, com confiança, também nos piores momentos, também em momentos de doença, quando percebemos que temos de pedir a extrema unção, porque não há saída, de dizer: ‘Mas, Senhor, a história não começou comigo e não vai acabar comigo! O Senhor vai na frente, eu estou disposto’. E colocar-se nas mãos do Senhor”. O que nós ensinam, então, os eleitos de Deus?

“Que Deus caminha conosco, que Deus faz história, que Deus nos prova e que Deus nos salva nos piores momentos, porque ele é nosso Pai. E de acordo com Paulo é o nosso Pai. Que o Senhor nos faça compreender este mistério de seu caminhar com o seu povo na história, do seu colocar à prova os seus eleitos, e a grandeza do coração de seus eleitos, que tomam sobre si as dores, os problemas, também a aparência de pecadores – pensamos em Jesus – para levar para avante a história”.

 

Rádio Vaticana
 

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