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Das lágrimas pode nascer a esperança

No pranto de Raquel estão contidas «a dor de todas as mães do mundo, de todos os tempos, e as lágrimas de cada ser humano que chora perdas irreparáveis» – a afirmação é do Papa Francisco, durante o encontro semanal com os fiéis na Praça de São Pedro.

O Pontífice refletiu sobre a figura da esposa de Jacob que chora os filhos «mortos a caminho do exílio». Um argumento de grande atualidade porque – frisou o Papa – diante «da tragédia da perda dos filhos, uma mãe não pode aceitar palavras nem gestos de consolação, que são sempre inadequados, nunca capazes de aliviar a dor de uma ferida que não pode nem quer ser cicatrizada».

De resto, acrescentou o Papa Francisco, trata-se de «uma dor proporcional ao amor. Cada mãe sabe tudo isto: «são muitas, também hoje, as mães que choram, que não se resignam à perda de um filho, inconsoláveis diante de uma morte impossível de aceitar». Além disso, «a rejeição de Raquel que não quer ser consolada» ensina também a delicadeza que é necessária «face à dor alheia». De fato, esclareceu o Papa: «para falar de esperança a quem está desesperado, é preciso partilhar o seu desespero; para enxugar uma lágrima do rosto de quem sofre, é preciso unir ao seu pranto ao nosso. Só assim as nossas palavras podem ser realmente capazes de dar um pouco de esperança. Se não for para pronunciar palavras assim, com o pranto, com a dor, é melhor o silêncio; a carícia, o gesto e nenhuma palavra».

Mas a vicissitude bíblica de Raquel – que se encontra também na carta enviada pelo Papa aos bispos na festa dos santos inocentes, para a defesa das crianças – ensina que nesta mulher «as lágrimas geraram esperança». E isso, comentou Francisco, «não é fácil de entender, mas é verdade. Muitas vezes, na nossa vida, as lágrimas semeiam esperança». Eis então o convite a «não nos esquecermos disso. Quando alguém se dirige a mim – confidenciou citando a própria experiência pastoral – e me faz uma pergunta difícil, por exemplo: “Padre, diga-me: por que sofrem as crianças?”, deveras, não sei o que responder. Digo apenas: “Olha para o Crucificado: Deus doou-nos o seu Filho, ele sofreu e talvez ali encontrarás uma resposta”».

No final da audiência o Pontífice lançou um apelo depois do massacre ocorrido recentemente num cárcere de Manaus, no Brasil, fazendo votos para que as prisões «sejam lugares de reeducação e de reinserção social, e que as condições de vida dos presos sejam dignas de pessoas humanas».

L’Osservatore Romano
 

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