Cidade do Vaticano (RV) – Na audiência geral desta semana, o papa Francisco dedicou sua catequese a Judite, a grande heroína de Israel que encorajou os chefes e o povo de Betúlia a esperarem incondicionalmente no Senhor e, assim fazendo, libertou a cidade da morte.

A narração conta que o exército de Nabucodonosor, comandado pelo general Holofernes, assediou Betúlia cortando o fornecimento de água e enfraquecendo assim a resistência da população. A situação ficou dramática a ponto de os moradores pedirem aos anciãos que se rendessem aos inimigos. Para eles, o fim era inevitável, a capacidade de confiar em Deus exaurida, e para fugir da morte, não restava nada além do que se entregar.

 

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O Pontífice continuou o relato, lembrando o texto bíblico:”Diante de tanto desespero, os chefes do povo propunham-lhe esperar ainda cinco dias para ver se Deus os socorreria, e é aqui que entra Judite: “Agora, colocais o Senhor todo-poderoso à prova! Mesmo que Ele não queira enviar-nos auxílio durante estes cinco dias, tem poder para nos proteger dos nossos inimigos, em qualquer outro momento que seja do seu agrado. Esperemos pela sua libertação!””
 

Confiar n’Ele significa entrar nos seus desígnios sem nada pretender, aceitando inclusivamente que a sua salvação e o seu auxílio nos cheguem de modo diferente de nossas expetativas

Francisco ressaltou a figura de Judite naquela situação com a seguinte e reflexão:
“Esta mulher, viúva, arrisca até fazer um papelão diante dos outros… mas é corajosa, vai adiante. Esta é minha opinião pessoal: as mulheres são mais corajosas que os homens”.

Com a força de um profeta, aquela mulher convida a sua gente a manter viva a esperança no Senhor. E aquela esperança foi premiada: Deus salvou Betúlia pela mão de Judite. Neste ponto, o Papa disse aos fiéis:

“Com ela, aprendamos a não impor condições a Deus. Confiar n’Ele significa entrar nos seus desígnios sem nada pretender, aceitando inclusivamente que a sua salvação e o seu auxílio nos cheguem de modo diferente de nossas expetativas. Nós pedimos ao Senhor vida, saúde, amizade, felicidade… E é justo que o façamos; mas na certeza que Deus sabe tirar vida até da morte, que se pode sentir paz mesmo na doença, serenidade mesmo na solidão e felicidade mesmo no pranto. Não podemos ensinar a Deus aquilo que Ele deve fazer, nem aquilo de que temos necessidade. Ele sabe isso melhor do que nós; devemos confiar, porque os seus caminhos e os seus pensamentos são diferentes dos nossos.  

E outra vez, antes de concluir, o Papa mencionou o papel das mulheres, especialmente, as avós:

“Quantas vezes ouvimos palavras corajosas de mulheres humildes… que pensamos, sem desprezá-las, que são ignorantes… mas são as palavras da sabedoria de Deus, as palavras das avós que tantas vezes sabem dizer a coisa certa… palavras de esperança. Elas têm experiência de vida, sofreram tanto. Confiaram em Deus, que lhes deu este dom”.

“Esta é a oração da sabedoria, da confiança e da esperança”, terminou o Papa, concedendo em seguida a bênção apostólica.
 

Rádio Vaticana

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