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A debilidade de Deus diante da oração do seu povo

Deus só é fraco diante da oração do seu povo. A oração é a força do homem: nunca devemos cansar-nos de bater à porta do coração de Deus, de pedir ajuda, pois quando é chamado a defender o seu povo, Deus é implacável, recordou o Papa na missa celebrada na manhã de 16 de Novembro  em Santa Marta.

Comentando as leituras do dia, o Pontífice quis frisar o amparo que o Senhor oferece aos seus filhos, quando eles o procuram: «Deus faz justiça aos seus eleitos que o invocam dia e noite. Assim fez quando Moisés o chamou» (cf. Lc 18, 1-8).

«Na primeira leitura – disse – ouvimos o que o Senhor fez: a sua palavra desce do céu como um guerreiro implacável. Quando o Senhor defende o seu povo é assim: ele salva o seu povo e renova tudo: toda a criação foi modelada de novo». Foi assim – recordou, citando o livro da Sabedoria (18, 14-16; 19, 6-9) – que «o mar Vermelho se tornou um percurso sem obstáculos e ondas violentas, uma planície; quantos a tua mão protegia passaram com todo o povo, contemplando prodígios maravilhosos». Assim «é o poder do Senhor, quando quer salvar o seu povo: forte. Ele é o Senhor, porque ouviu a oração do seu povo».

Mas se esta é a força de Deus, «qual é a força do homem?», perguntou o Pontífice. É a mesma testemunhada pela viúva da qual fala o Evangelho, explicou, que bate sempre à porta do juiz. «Bater à porta – recordou – queixar-se de tantos problemas e dores, pedir ao Senhor a libertação dos pecados e dos problemas». Esta é a força do homem, «a oração do homem humilde», pois se em Deus existe fragilidade, ela manifesta-se diante da prece do seu povo: «esta é a debilidade de Deus».

As leituras, ressaltou o bispo de Roma, levam a meditar oportunamente sobre «o poder de Deus, tão claro e forte», do qual a Igreja fala sobretudo no tempo de Natal, pois «o apogeu da força de Deus, da sua salvação, foi precisamente a Encarnação do Verbo: «Enquanto um silêncio profundo dominava tudo, no meio da noite, a tua palavra poderosa lançou-se do céu, do teu trono real como guerreiro implacável, sobre a terra de extermínio trazendo, como espada afiada, o teu decreto irrevogável». A Igreja usa este texto de libertação e força para explicar que a Encarnação do Verbo foi o ponto mais alto da nossa salvação».

Hoje «apraz-me ouvir estas leituras – revelou o Papa – diante de vós, cónegos de São Pedro. O vosso trabalho consiste em bater à porta do coração de Deus», «em rezar ao Senhor pelo povo de Deus. E precisamente nesta basílica mais próxima do Papa, onde convergem as súplicas do mundo, sois vós que as apresentais ao Senhor na oração».

E para fortalecer a ideia do serviço que eles são chamados a cumprir, o Pontífice voltou a falar da viúva que, obstinadamente, pede justiça: «O vosso é um serviço universal, de Igreja. Vós sois como a viúva: rezai, pedi, batei à porta do coração de Deus. Cada dia. E a viúva nunca adormecia quando pedia. Era corajosa».

«O Senhor – acrescentou – ouve a prece do seu povo. Vós sois representantes privilegiados do povo de Deus nesta função de rezar ao Senhor pelas necessidades da Igreja e da humanidade». E, concluindo, disse: «Agradeço-vos este trabalho. Recordemos sempre que Deus tem uma força que – quando Ele quer – transforma  tudo: «Tudo foi modelado de novo»; mas Ele tem também um ponto fraco, a nossa oração, a vossa oração universal, perto do Papa em São Pedro. Obrigado por este vosso serviço e ide em frente assim, para o bem da Igreja!».

L’Osservatore Romano
17-11-2013

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