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Mensagem do Papa em Bangladesh: Pobres e refugiados, primeira opção da Igreja

Daca (RV) – Em visita apostólica a Bangladesh , nesta sexta-feira (01/12), o Papa Francisco tem um dia repleto de compromissos: depois de visitar a Catedral de Santa Maria, no centro de Daca, foi à casa para sacerdotes idosos que faz parte do complexo e ali se encontrou com os dez bispos do país. Recebeu uma saudação formal do Cardeal Patrick D’Rozario, Presidente da Conferência Episcopal e arcebispo de Daca, e em seguida, fez o seu discurso.

Francisco começou mencionando a sua experiência pessoal em Aparecida (SP), quando em 2007 foi lançada a Missão Continental na América do Sul, e a realidade da comunhão, espírito de colegialidade e apoio mútuo que caracteriza a Igreja em Bangladesh.

O Papa prosseguiu pedindo que os bispos demonstrem uma proximidade maior aos fiéis leigos, promovendo a sua real participação na vida das Igrejas particulares e frisando a importância de garantir que as vocações para o sacerdócio e a vida religiosa sejam bem preparadas.

Enalteceu ainda a atividade social realizada pela Igreja em prol das famílias, o empenho na promoção das mulheres, e antes de tudo, a opção pelos pobres indicada no Plano Pastoral: A Comunidade católica no Bangladesh pode orgulhar-se da sua história de serviço aos pobres, especialmente nas áreas mais remotas e nas comunidades tribais, mencionou.

Neste país onde a diversidade étnica reflete a diversidade das tradições religiosas, o Papa ressaltou aos bispos a importância de sua participação na reunião interreligiosa e ecumênica (prevista para imediatamente depois deste encontro). E convidou os bispos a trabalhar incessantemente por construir pontes e promover o diálogo, porque – segundo o Papa – estes esforços não só facilitam a comunicação entre diferentes grupos religiosos, mas despertam também as energias espirituais necessárias para a obra de construção da nação na unidade, na justiça e na paz.

“Quando os líderes religiosos se pronunciam publicamente, a uma só voz, contra a violência revestida de religiosidade e procuram substituir a cultura do conflito pela cultura do encontro, prestam um serviço inestimável ao futuro dos seus países e do nosso mundo, ensinando aos jovens o caminho da justiça”, afirmou.

O Papa terminou pedindo “que o Espírito Santo conceda ‘a todos nós’ a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia), em voz alta e em todo o tempo e lugar, mesmo contracorrente”.

 

Papa oferece apoio a refugiados muçulmanos da etnia rohingya

Na visita a Bangladesh, o Papa Francisco se reuniu com refugiados muçulmanos de Myanmar . Ouviu histórias de perseguição e pediu perdão pela indiferença do mundo.

Um encontro comovente que dá grande força também ao diálogo entre as religiões: o Papa Francisco, com 16 refugiados da etnia rohingya, no arcebispado de Dacax, em Bangladesh.

Um encontro feito de olhares, gestos e também de lágrimas. As mulheres levantaram o véu muçulmano para falar com ele. Francisco rompeu a cautela demonstrada nos últimos dias, pronunciando finalmente o nome da minoria islâmica perseguida por nacionalistas budistas de Myanmar e rejeitada também por outros países asiáticos.

“A presença de Deus hoje se chama rohingya. A tragédia de vocês é muito dura e grande, mas nós damos espaço em nossos corações”, disse o Papa.

O Papa pediu perdão em nome daqueles que os perseguem e os ferem, e pela indiferença do mundo. Afirmou que vai continuar a agir para que os direitos do povo rohingya sejam respeitados.

Cada um deles se aproximou do pontífice e contou um pouco da sua história e dos horrores que viveu. Sayeda disse que a mãe e os avós foram mortos e que agora ela só quer paz e o reconhecimento da identidade dos rohingya.

Na quinta-feira, Francisco já havia pedido que a comunidade internacional agisse em favor da minoria perseguida. “É imperativo que a comunidade internacional tome medidas decisivas para esta grave crise, não apenas trabalhando para resolver as questões políticas que levaram ao deslocamento em massa desse povo, como também oferecendo assistência material imediata a Bangladesh em seu esforço de responder eficientemente às urgentes necessidades humanas”, disse o Papa.

Quando iniciou o seu giro pela Ásia no início da semana, o Papa foi aconselhado a evitar o termo em Myanmar para não provocar reações violentas de extremistas. Assim, ele fez apenas menções indiretas à perseguição religiosa e étnica. Na sexta-feira, dia 1º de agosto, no entanto, disse: “não fechemos nossos corações, não olhemos para outro lado. A presença de Deus hoje também se chama rohingya”.

Desde agosto, mais de 600 mil rohingyas deixaram Myanmar em meio a uma onda de violência, que a Organização das Nações Unidas (ONU) chama de limpeza étnica. A violência e o consequente deslocamento enfrentados pela minoria muçulmana, que comumente habita o norte do estado de Rakhine, no noroeste de Myanmar, foram alvos de um minucioso escrutínio em todo o mundo.

O Papa Francisco e a diplomacia vaticana acreditam que essa aproximação afetuosa e muito significativa possa ajudar a impedir novas perseguições a todas as minorias de qualquer religião.

Rádio Vaticana

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