Artigo de dom walmor

Você está em:

Dom Walmor Oliveira de AzevedoOs empresários são destinatários de importante convite neste mês de setembro: se unir para combater a corrupção, mal que mancha a história do Brasil. Recentemente, ganharam evidência esquemas bárbaros em que políticos contracenam com empresários. Como acontece em todo âmbito institucional, os que caminham com seriedade, muitas vezes, são injustamente atingidos pelos equívocos de outros. Por isso, o empresariado está desafiado a dar uma resposta nova, em um inventivo posicionamento, para contribuir na reconstrução da sociedade brasileira. O caminho mais indicado e assertivo é o exercício adequado da responsabilidade social. Um compromisso que dá saúde e força a toda empresa e faz, de cada uma delas, alavanca para possibilitar a retomada do crescimento econômico.

A Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE), em níveis regional e nacional, e a União Internacional de Dirigentes Cristãos de Empresa (UNIAPAC) carregam a bandeira da responsabilidade social e, a partir desse compromisso, realizam o Congresso Internacional de Dirigentes Cristãos em Belo Horizonte, neste mês de setembro. O Congresso é valiosa oportunidade para se encontrar respostas capazes de mudar os cenários de corrupção que, lamentavelmente, como ocorre no campo político-partidário, também mancham o mundo empresarial.  Esses cenários estão na contramão do compromisso com o relevante alcance da responsabilidade social.

A mera repetição de esquemas e os conchavos políticos não são soluções para as muitas crises que devem ser enfrentadas. Ao contrário, devem ser definitivamente extirpados da cultura brasileira.  A empresa que quiser fortalecer sua credibilidade precisa da opção inteligente de investir na responsabilidade social, reger-se por princípios éticos, claramente indicados na doutrina social cristã.  O empresariado deve se engajar e apoiar projetos que são reconhecidos, por toda a sociedade, como prática limpa, serviço à cidadania. Iniciativas que contemplem todos os segmentos. Respeitando a existência de interesses próprios da identidade empresarial, como rentabilidade e produtividade, é hora de recuperar a capacidade das empresas de trabalhar pelo bem comum.

Os critérios para agir adequadamente nessa direção e a clarividência para enxergar essa necessidade advêm de propostas que não são político partidárias ou estreitadas no horizonte do interesse da lucratividade, mas da capacidade de conciliar a produtividade e a competitividade com o efetivo respeito ao bem comum. A empresa que não percorrer esse caminho navegará na contramão de uma nova cultura. Continuará a cavar sua sobrevivência e participação social em trilhas que levarão, cedo ou tarde, aos mesmos problemas que mancham os cenários da sociedade brasileira. Por isso, ser e atuar na condição de dirigente cristão de empresa faz diferença. O Congresso Internacional que ocorrerá em Belo Horizonte será um exercício de grande relevância. Os participantes ajudarão a cultivar o entendimento de que o lucro, como indicador de um bom andamento da empresa, nem sempre comprova que a corporação serve adequadamente a sociedade.

O Congresso Internacional de Dirigentes Cristãos de Empresas e a audácia de se investir em projetos de grande importância social, cultural e educativa ajudam a superar as dinâmicas que geram atraso.  O caminho não é, pois, apenas a repetição de práticas saturadas pelas alianças espúrias entre os setores dos âmbitos empresarial e político. Confrontar-se com valores – particularmente com os valores cristãos – é uma possibilidade de indispensável revisão da própria vida, dos funcionamentos e propósitos das empresas.

Torna-se oportuno trabalhar para que a vocação do empresário seja reconhecida e assumida como nobre tarefa, conforme sublinha o Papa Francisco. Isto exige que cada empresário deixe-se interpelar por um sentido de vida mais amplo. Assim, poderá oferecer uma real contribuição ao bem comum, esforçar-se para multiplicar os bens com o propósito de torná-los mais acessíveis a todos. Ouvir os clamores dos pobres, agir com transparência, buscar a lucratividade sem mesquinhez e ganância, apoiar projetos com força educativa são metas indispensáveis, segundo o que será indicado no Congresso Internacional de Dirigentes Cristãos. Os empresários são convidados a assumir esses compromissos.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte