Artigo de dom walmor

A Associação Nacional de Educação Católica é uma recente conquista das instituições católicas de ensino no Brasil. Uma conquista pela busca de unidade e força corporativa para consolidar esta contribuição que a Igreja Católica, secularmente, já presta à vida e à sociedade brasileira. É uma história de mais de quinhentos anos, a mesma idade do Brasil. E em um cenário de muitas etapas, de muitos rostos de homens e mulheres educadores, bispos, sacerdotes, religiosas e religiosos, leigos e leigas, todos devotados ao fortalecimento deste pilar sustentador da vida da sociedade. 

A história do Brasil é também a da educação católica – que desde os primórdios, aponta rumos e define horizontes da sociedade brasileira. A qualidade e o diferencial vêm, exatamente, da identidade católica. A educação como grande aventura tem na identidade católica uma fonte rica e inesgotável de referências – o Evangelho de Jesus Cristo na Tradição da Igreja – marcando a diferença da oferta educacional com seus compromissos irrenunciáveis de uma educação integral. 

A ANEC é uma conquista significativa destes segmentos educativos católicos. É uma associação que unifica os vários grupos católicos envolvidos neste significativo serviço prestado pela Igreja Católica no âmbito da mais básica e importante necessidade da sociedade – de forma a ousar edificá-la na justiça, na paz e na solidariedade. A Associação Nacional de Educação Católica, como entidade única, hospeda as instituições de ensino que a Igreja Católica mantém. E em um universo de 80 instituições de ensino superior, 1400 escolas de educação básica, com 408 mantenedoras – uma grande família de mais de um milhão e quinhentos mil estudantes, crianças, adolescentes e jovens, 88 mil professores e funcionários.

Esta aventura educacional, articulada pela ANEC, em diálogo com a sociedade civil na qual se insere em interface com outros segmentos do setor, conta com o apoio justificado e racional dos órgãos governamentais competentes. É uma aposta que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Igreja Católica no Brasil, embala com muita esperança. Uma esperança embalada por compreender as proporções e responsabilidades na tarefa missionária que a Igreja tem que cumprir promovendo a vida, anunciando os valores do Reino e batalhando para construir uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

Nos dias 21 e 22 de setembro, aqui em Belo Horizonte, aconteceu o II Fórum de Mantenedoras da ANEC e sua III Assembleia Ordinária, congregando representantes deste rico patrimônio da Igreja e da sociedade no mundo da educação, homens e mulheres devotados num sonho e no compromisso de educar integralmente as novas gerações. As discussões, debates e conferências da pauta incluíram temáticas importantes para fazer a educação católica aprofundar questões e entendimentos de sua identidade e missão próprias. Além, é claro, do enfrentamento do desafio de sua manutenção qualificada por gestão moderna, corporativa e exitosa. Que é grande e, por isso mesmo, espera mais reconhecimento dos órgãos governamentais, com apoios mais efetivos de sustentação para ampliação e qualificação do serviço educacional.

É hora de esperar mais da educação católica e é também o momento de apoiá-la mais decididamente. É preciso reconhecer sua trajetória histórica de ajuda aos mais pobres, determinante participação na produção da cultura e o rico patrimônio que detém a educação católica. Que não pode ser tratada por força de preconceitos ou de considerações não razoavelmente iluminadas sobre laicidade e religiosidade. Este II Fórum possibilitou a discussão de questões importantes no âmbito da gestão por resultados, com atenção no monitoramento da performance institucional. A Escola Católica é um empreendimento. Exige avanços e lucidez na configuração de redes de cooperação empresarial. Questões de estratégia, marketing, desafios de inovação neste século XXI, na fidelidade aos princípios de gestão corporativa e na identidade católica marcaram o horizonte de reflexões deste importante Fórum.

A PUC Minas apoiou a realização do evento, confirmando sua vocação e missão na sociedade, sustentada pela força e tarefa própria de sua mantenedora, a Sociedade Mineira de Cultura, que traz também o seu Colégio Santa Maria, num intercâmbio com tantos outros colégios católicos e suas mantenedoras – tecendo este rico cenário que a educação católica configura na sociedade brasileira. Esta é uma oportunidade para parabenizar o caminho que a ANEC percorre hoje, fecundados por imorredoura gratidão aos que fazem parte da rica história da educação católica na Igreja e na sociedade brasileira. Um patrimônio de grande valor.
 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte