Artigo de dom walmor

Dom Walmor Oliveira de AzevedoO projeto da Catedral Cristo Rei está em pauta. Neste sábado, 2 de julho, no Mineirinho, ocorre a cerimônia de lançamento oficial, com momento de espiritualidade e artístico. O ápice é a celebração eucarística, de louvor e súplica das bênçãos de Deus para o percurso da desafiadora aventura na edificação do templo e do complexo que hospedará serviços que incluem espiritualidade, mística, arte, cultura, compromisso social e processos educativos. Este lançamento oficializa, publicamente, o projeto e convoca a sociedade toda, nos diversos segmentos, com envolvimento especial das instâncias eclesiais, a participar dessa importante tarefa. 

A tarefa de construir a Catedral Cristo Rei é uma resposta que, historicamente, está demandando um posicionamento, ao se pensar que a igreja da Boa Viagem continua – desde a criação da Arquidiocese de Belo Horizonte na capital mineira, com a chegada do seu primeiro arcebispo, dom Antônio dos Santos Cabral – catedral provisória. Dom Cabral começou essa empreitada no alto da Avenida Afonso Pena, tendo construído a cripta, com um projeto réplica da basílica de São Pedro, para 12 mil pessoas. Porém, sua enfermidade e outras prioridades nas necessidades da Igreja Católica na época levaram ao adiamento desse projeto sine die. 
O lançamento oficial do projeto Catedral Cristo Rei, além de ser uma retomada desse capítulo, importante na história, na vida e na missão da arquidiocese, está precedido de cinco anos de reflexões e escutas, incluindo, com privilégio, os foros eclesiásticos e pastorais, bem como segmentos importantes do mundo católico e da sociedade em geral. Estes cinco anos de escuta – que ainda continuará – particularmente a partir de agora, seja para o entendimento do projeto, de suas linhas arquitetônicas, propósitos, viabilidade e sustentabilidade; arquitetando um nível indispensável de consenso, como documentalmente registrado, incluíram a aquisição de um terreno para executar um projeto dessa magnitude e a solicitação de uma concepção arquitetônica. A escolha do terreno não foi uma casualidade. Está na Avenida Cristiano Machado, em frente à Estação Vilarinho do metrô, na região de Venda Nova, onde se constrói agora o maior shopping no vetor norte, próximo, também, a residências, ao Hospital Risoleta Neves e à Faminas (Faculdade de Minas). Essa localização está exatamente na linha verde, cerca de um quilômetro antes da Cidade Administrativa. 
 
A revitalização do aeroporto de Confins e a construção da Cidade Administrativa, e de consequentes outros grandes e importantes empreendimentos no vetor norte, como é do conhecimento de todos, valorizou os terrenos da região. O projeto Catedral Cristo Rei chegou bem antes dessa nova concepção, com empreendimentos de grande estatura, como referidos, o que possibilitou, naquele momento, uma facilitada aquisição nas condições pecuniárias da Mitra Arquidiocesana. É uma convicção de que a mão de Deus conduziu nesta direção, com a motivação de que a Catedral Cristo Rei é para Belo Horizonte, sede da capital mineira e da arquidiocese metropolitana; mas desafiada, diferentemente da consideração daquela cidade que estava, enquanto centros importantes no perímetro da Avenida do Contorno. Influenciou a decisão dessa aquisição a consideração importantíssima e futurista quanto à região metropolitana que cresce, e já é referência respeitada no cenário nacional, com uma população de cinco milhões de habitantes no território imaginário que define a Arquidiocese de Belo Horizonte. 
Pensar a edificação desse projeto numa região central para a cidade, como são as catedrais em outras como Paris, Nova York, São Paulo, Rio de Janeiro, é colidir com uma séria questão de espaço, considerando-se a configuração da cidade e, sobretudo, não considerar que uma catedral não é só um lugar para mais uma igreja. É um centro de irradiação e de congregação para todos; devendo, portanto, localizar-se num epicentro ao se examinar uma região metropolitana como a de Belo Horizonte. Vale a pena ir ao mapa da RMBH e ao da arquidiocese para conferir a perspectiva desse epicentro, que leva em conta o que é prioritário na Igreja: os pobres, a facilidade de acessos – pensando a linha verde -, a malha metroviária de hoje e a que, inevitavelmente há se concretizar, sob pena de inviabilidades e prejuízos para avanços dos quais não se pode abrir mão. 
A concepção arquitetônica é do doutor Oscar Niemeyer que começou sua vida profissional em Belo Horizonte, com Juscelino Kubitscheck, onde se imortaliza com o complexo da Pampulha, a Cidade Administrativa e outras obras. E agora com a Catedral Cristo Rei, marcando a capital mineira, Minas, o Brasil e a Igreja Católica, como a história da arquitetura aqui comprova, ajudando no repensamento e no crescimento urbano, enquanto ela mesma se repensa para servir mais e melhor no terceiro milênio, num outro tempo. Vamos continuar abordagens, crescer em entendimentos, conversar sobre sua participação. É a Catedral Cristo Rei em pauta. 
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte