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Viver o amor fundamental de Deus

Assim Jesus Disse: “Amarás o Senhor, Teu Deus, de todo o coração, de toda
tua alma e de todo o teu pensamento. Amarás a teu próximo como a ti mesmo”

Jesus, ao ensinar a viver o amor fundamental, está cumprindo o que diz a Palavra dirigida a todo o seu povo: “Escute, povo de Israel! O senhor, e somente o Senhor, é nosso Deus” (Dt 6,4). Daí, entendemos que o amor a Deus e ao irmão se apreende e se exercita, antes de tudo, na experiência da escuta do filho à voz do Pai.

Jesus nos convida a ouvir o Pai, a fazer sua vontade, se importar com ele, a valorizar as coisas que ele diz. Dessa forma é que se percorre o caminho do aprendizado do amor, cujo ápice será a participação no mistério da cruz.

 

A Nova Evangelização, à qual a Igreja nos convoca hoje, necessita passar pela conversão do coração, pela vivência do Evangelho de Jesus Cristo e pela prática de todas as virtudes

Vivemos, hoje, com o grande desafio de viver e partilhar a nossa fé cristã num mundo que é cada vez mais secular e pluricultural, onde temos a dificuldade de perceber a existência de Deus e, no qual, muitos de nós, cristãos, estamos também, aos poucos, assimilando esta mesma filosofia de vida e vivendo como se Deus não existisse.

No âmbito cristão, quando se fala em secularização, costuma-se fazer a distinção entre secularidade, secularização e secularismo.
•    Secularidade – como consciência do valor do mundo, de suas realidades, da luta do ser humano pela sua felicidade;
•    Secularização – como pensar a fé religiosa, sobretudo a fé cristã, tendo o referencial transcendente e religioso e, no caso do cristão, a revelação divina, principalmente Jesus Cristo, e também a Igreja, mas procurando manter-se firme, de pé no chão, isto é, na realidade do mundo no qual vivemos.
•    Secularismo – visto como a negação do transcendente, do religioso, da religião, da Igreja e do próprio Deus.

Nesse sentido, os cristãos são chamados a viver nesse contexto procurando valorizar a fé e a religião como “opção pessoal” realizando um encontro pessoal com Jesus cristo, ou seja, a conversão. Lembremos as palavras do emérito Papa Bento XVI e que o documento de Aparecida sublinha: “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma pessoa, que dá um novo horizonte à vida, e com isso, uma orientação decisiva” (nn.12 e 243).

A Nova Evangelização, à qual a Igreja nos convoca hoje, necessita passar pela conversão do coração, pela vivência do Evangelho de Jesus Cristo e pela prática de todas as virtudes. Ela se apresenta como uma oportunidade única para retomarmos o sentido profundo e exigente do amor de Deus, da nossa missão e de refletirmos a situação atual do mundo  tendo como fundamento o amor de Deus em nossa vida.

Como viver o amor de Deus?

Na família

Viver o amor de Deus na família numa demonstração de carinho, compreensão, perdão e dedicação para com todos. Na família se compreende que não se poder viver sozinho, mas que um necessita do outro e o outro de mim, daí nasce o respeito mútuo e se constrói uma relação de experiência de amor no seio familiar.

Na comunidade

Saindo do âmbito familiar, mas se agregando a uma família maior chamada comunidade, somos chamados a nos ajudar, a nos respeitar, a assumir o que é de todos promovendo o bem comum. Celebramos e partilhamos juntos.  A partilha nos faz comunidade e esta experiência na celebração eucarística nos convida ao compromisso para com os outros.

No mundo

Expandir esse amor ao universo é perceber a criação de Deus como um todo e respeitá-la. Saber que Deus está presente em toda a sua criação: em mim, nos outros, nos fatos da vida e nos acontecimentos. Tudo isso se torna caminho que me leva a ele.

Na oração

Viver o amor de Deus na oração que me fortalece e me liga a Ele. Ter a Palavra de Deus como luz para o meu caminho, esta Palavra que foi revelada por Jesus Cristo e continua sendo atualizada em minha vida pelo Espírito Santo. Uma oração pessoal que agrada a Deus: O meu diálogo pessoal com ele, o Jejum e a esmola. Um jeito cristão de celebrar a vida, de celebrar a comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs, com a natureza e consigo mesmo é a oração em comunidade, principalmente a grande oração da Igreja, a Celebração Eucarística.

No meu relacionar-se com Deus

Na experiência do amor, todos são convidados a se relacionar bem com Deus. Esta relação acontece quando se entende o valor real da vida. Assim, entenderemos o que Jesus disse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. (Jo, 3,16).

Ao nos interessarmos por Deus, começaremos a entender que são as nossas relações aqui, com os outros, que ajudam ou impedem esse relacionamento. Se as nossas relações de amor são voltadas para o outro é fácil amar a Deus pelo que ele é, e perceber o seu amor. Mas quando não conseguimos amar as pessoas pelo que elas são, amar a Deus pelo que ele é se torna difícil.

Para refletir: Como está a minha prática do amor aos irmãos? Do cuidado com a natureza? Muitos convidados de Jesus não aceitaram o seu convite porque estavam ocupados com outros interesses. E eu? Estou disposta a aceitá-lo na minha vida?

Para contemplar: “Eu sou a Luz do mundo. Quem me segue terá a luz da vida e nunca andará na escuridão” (Jo 8,12).

 

Neuza Silveira de Souza
Coordenadora da Comissão Arquidiocesana de Catequese de BH