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Vigiar: expressão que inicia o ano litúrgico

 

O profeta Isaías nos lembra que o  Senhor ama aquele que “pratica a justiça com alegria”. E nos adverte que se nossas boas obras não nos conduzem para a prática do amor fraterno, são “uma imundície, um pano sujo”. Mesmo que isso aconteça, o Senhor nos ama como Pai e como um oleiro nos molda em formas únicas, singulares e originais de amor. E como somos obras de suas mãos, moldadas por seu coração, só poderemos ser com nós mesmos e com os outros amorosos e ternos. O evangelista evoca a casa como a comunidade que Jesus reuniu por meio de sua Palavra e pela vivência do amor fraterno.

Vigiar é manter sempre acesa e viva a comunidade de  Jesus por meio da verdade e da solidariedade que devem existir entre nós

Vigiar é a expressão que inicia o ano litúrgico de 2014. Vigiar é manter sempre acesa e viva a comunidade de  Jesus por meio da verdade e da solidariedade que devem existir entre nós. Vigiar é fazer o que devemos fazer: amar! Construir, pelo amor, a paz e uma ética da responsabilidade que nos levem a superar os limites impostos pelo sucesso deste mundo globalizado, onde a única regra que existe é: “Cada um por si e Deus por ninguém”.

 

Nós, cristãos, não temos o direito de nos deixar seduzir pelo consumismo excessivo imposto pela propaganda, pois para ela “consumir é ser”. O nascimento de Jesus é sempre escarnecido pelo mercado que reduz ao turbilhão vertiginoso das compras e do modismo. A espera não é a do Emmanuel, mas a de que possamos ter mais dinheiro para consumir mais e… pior! As nossas ceias natalinas tornam-se, na sua maioria, um momento de acerto de contas que recebe o nome reconciliação familiar, no qual, no embalo de bebidas e comidas, deixamos transbordar os nossos rancores, invejas e frustrações. Apesar e tudo, o Cristo está presente, pois o Senhor já veio, habitou entre nós, morreu e ressuscitou.

 

A cada nova lembrança do Natal, devemos renovar nossa vigilância para que a casa seja mantida sempre pronta, pois o Senhor chegará no momento e na hora que melhor lhe convier, mesmo entre o borbulhar de champanhes ou sidras como convém ao bolso de cada um de nós.

 

Pe. Paulo Botas, MTS
Doutor em História, PHD em Filosofia Política
e graduado em teologia pela Escola Dominicana de
Teologia da Ordem dos Frades Pregadores (SP)