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Tempo de redescobrir a Bíblia

O cotidiano desgasta o sentido da vida e reduz tudo ao cinzento correr das horas. A experiência humana, para resgatar o significado de alguns fatos e dados importantes, escolhe então um dia para celebrá-los. Assim as pessoas se voltam para eles e os revalorizam.

 

A liturgia e a pastoral conhecem bem esse traço da existência humana. São mestras em destacar acontecimentos e dar-lhes colorido maior. Celebramos os santos em determinado dia. Nossa Senhora, por sua importância maior, merece vários dias de lembrança. Jesus, naturalmente, em cada celebração lhe fazemos memória.

 

 A pastoral da Arquidiocese de Belo Horizonte nas pegadas da experiência humana lançou em 1971 o mês da Bíblia. Ela pertence ao cotidiano do cristão. Orna muitas salas de visita. Ocupa em infinitas versões as bibliotecas. Junto ao leito de muitos está ela ali no silêncio das páginas. Para que deixe o simples papel de figura simbólica e entre na vida do fiel, nada melhor que criar, não só o dia da Bíblia, mas o mês. Mereceu 30 dias de lembrança para acordar-nos para o seu valor.

 

O Papa Francisco insistiu em que a Igreja saia de seu interior para ir às ruas em espírito missionário, como oferta livre do tesouro de Jesus que ela guarda

Escolheu-se o mês de setembro. Nele se celebra no dia 30 a festa de São Jerônimo séculos (4º e 5º), que a traduziu para o latim e a fez muito conhecida no mundo ocidental. Estrategicamente situa-se em momento interessante do ano litúrgico e civil. Encontra-se depois das celebrações pascais, Corpus Christi e antes da preparação para o Natal. Tempo sem muitas novidades. E ela ocupa então lugar primordial na vida religiosa. No Brasil, estamos no início do segundo semestre, na primavera, tempo de vida e ainda de calma antes de aproximarmo-nos das turbulências do final do ano. Bom período para leitura e meditação da Escritura.

 

A Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblica estabelece cada ano tema especial para o estudo. Em 2013, o Mês da Bíblia se concentra na reflexão sobre “Discípulos Missionários a partir do Evangelho de Lucas”. O título remete-nos ao Evangelho de Lucas, que a liturgia nos propõe no Ano C para os Evangelhos dominicais e ao Documento de Aparecida que desenvolveu a ideia do discípulo missionário. Ambas as razões batem uma com a outra. Lucas abre o Evangelho para o mundo grego, pagão em atitude missionária por excelência. Além disso, ele valoriza dois traços da vida de Jesus que sintonizam com a abertura da Igreja: o papel da mulher e a dimensão de misericórdia do coração do Mestre.

                       

E neste ano da belíssima celebração da Jornada Mundial da Juventude com a visita do Papa Francisco, o Evangelho de Lucas adquire significado maior e a dimensão missionária ganhou ênfase. O Papa Francisco insistiu em que a Igreja saia de seu interior para ir às ruas em espírito missionário. Não com finalidade apologética agressiva, mas como oferta livre do tesouro de Jesus que ela guarda em seu seio. Que a leitura, sobretudo, do Evangelho de Lucas nos acorde para aproximarmo-nos, com toque da misericórdia, dos pobres e sofredores!

 

Pe. João Batista Libanio, SJ
Professor da Faculdade Jesuíta de
Teologia e Filosofia (FAJE)