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O Inocente condenado injustamente,
Jesus – o Filho de Deus

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor – Ano C
Cor: vermelha 24/03/2013 Textos Bíblico-Litúrgicos
Lc 19,28-40 // Is 50,4-7 // Sl 21 // Fl 2,6-11 // Lc 22,14-23,56

Tendo passado os cinco domingos da Quaresma, a comunidade de fé aproxima-se da Semana Santa, por meio da celebração do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. A Igreja romana reuniu duas tradições: a oriental, com a procissão de ramos e a ocidental, que fazia o relato da Paixão uma semana antes da Páscoa.

Neste ano, a leitura do evangelista Lucas tem um modo peculiar de apresentar Jesus em sua entrega, diferente de Marcos e Mateus, e diferente de João. No Evangelho de Lucas, Jesus é apresentado como Filho de Deus e como o inocente condenado injustamente.

Essa dupla face do Cristo se desnuda diante da sua paixão e morte. No mistério da morte, ponto mais profundo da sua comunhão com a humanidade, Jesus revela a verdadeira face da condição humana, provando nossa maior insegurança, mas igualmente entregando-se ao Pai sem reservas.

O Evangelho de abertura da celebração narra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.  Mas a cidade é lugar do destino trágico dos profetas (cf. Lc 13,34-35), o que torna o evento um paradoxo: o rei aclamado sofrerá na cidade a paixão, o abandono e a morte.

 

A liturgia deste domingo transita entre dois pólos: a festiva acolhida de Jesus na cidade de Jerusalém e a narração da Paixão.

A narração da paixão insiste na inocência de Jesus: no julgamento, Pilatos e Herodes não encontram nele motivos para condenação (Lc 23,14-15.22); um dos ladrões defende a inocência de Jesus (Lc 23,40-41); o oficial do exército romano o reconhece como justo (Lc 23,47).

Mas qual o significado da condenação de um inocente? Quando um inocente realiza a entrega voluntária da própria vida em favor de outros, não tão inocentes, ele desarticula as forças produtoras de violência, de desumanização e de morte. A entrega voluntária do inocente Jesus destrói a morte.

O clima festivo dá lugar aos eventos da paixão, mas a inocência de Jesus perpassa os dois cenários como dardo certeiro e constante, apontando para a Páscoa. Não sem motivo, a introdução à celebração descreve esse percurso da fé: Para realizar o mistério de sua morte e ressurreição, Cristo entrou em Jerusalém sua cidade. Sigamos os passos de nosso Salvador para que associados, pela graça, à cruz, participemos também da ressurreição e de sua vida.

A liturgia deste domingo, numa única festa, transita entre dois pólos: a festiva acolhida de Jesus na cidade de Jerusalém e a narração da Paixão.

Em ambas ações, o Espírito nos associou a Jesus: na primeira situação nos dirigimos com Cristo a Jerusalém, realizando a entrega de nós mesmos junto a Ele que, resolutamente, entra na cidade santa. No relato da Paixão, qual discípulos unimo-nos com toda a Igreja, não resistindo a ele e acolhendo na piedade a sua paixão. O anúncio tenso e contido e a escuta atenta e meditada orquestrados pelo Espírito, que perpassa a liturgia, transportam-nos ao evento da fé, colocando-nos diante da Páscoa, meta e causa da nossa salvação.